morte

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[psicologia] “Até que desapareceste.”

No último texto, escreveu-se sobre resiliência e em como a nossa história não determina o nosso destino. Mas, ainda assim, a nossa história marca o nosso futuro de alguma maneira.

Quando questiono sobre marcos do passado, é comum evocarem-me uma perda de algo ou alguém de referência. A morte, parece ser, ainda, um assunto difícil de se falar e lidar. Mas não tem de ser… proponho que sigam o raciocínio seguinte.

Faz parte da capacidade de resiliência de alguém, ser capaz de “processar” um determinado acontecimento e lidar com ele da melhor forma possível. Porquê? Veja-se desta perspectiva: ainda há vida pela frente. Se sobreviveu, dê novo sentido à sua vida.

Quem sobreviveu (ou sobrevive), de uma forma ou de outra, tem uma nova esperança, uma nova oportunidade de gerirmos da melhor forma o que nos foi dado. Por “dado”, pode mesmo ser uma ferida, uma supressão, uma emoção intensa. Mesmo que a dor de uma perda permaneça, ela existe por um motivo.

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bloga8, Crianças, Parentalidade, psicologia

[psicologia] O Conceito de Morte nas Crianças

Em maio deste ano, a Bea partilhou um post |avó, não faças anos por favor!|

Este post gira à volta do tema da morte aos olhos das crianças e o medo de perder os adultos de referência – que neste caso, seguindo a ordem da vida, seriam os avós.

Como mãe, o meu filho de quatro anos também já me questionou o que era morrer e quando é que ele ia morrer. No espaço de semanas, percebi que o tema lhe surgiu – sem certeza de como – e com ele se manteve, porque perguntou a todos cá em casa e aos avós, com que idade morreriam.

A verdade é que a nossa cultura tem destino e melancolia em melodia no fado, mas a sociedade aparenta uma aversão a falar abertamente do tema da morte. Aliás, é comum fazer-se de tudo para afastar a criança do que represente morte ou de conversa a respeito, achando-se que isso a protegerá e contribuirá para o seu conforto psicológico.

Lamento desiludir, mas evitar conversar sobre o assunto, leva a um sentimento de dúvida persistente por parte da criança (que a pode levar a criar um condicionamento futuro desse tema, que ela percepciona como tabu), criando-lhe a sensação de ser algo que não controla e do qual nem os pais conseguem falar, nem sossegá-la a respeito.

Como Psicóloga, no curso que realizei de intervenção psicológica em situações de catástrofe (pela Ordem dos Psicólogos Portugueses), abordei os temas da perda, da morte e do luto, e sei que a compreensão destes três conceitos e as reacções emocionais geradas, são completamente diferentes num adulto e numa criança. Mas vamos por partes.

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