#eusouveronica

[este texto contém linguagem e conteúdo sensível mas totalmente propositado dado o tema]

A Verónica foi morta por este mundo filho da puta. Um mundo em que um vídeo erótico ou pornográfico chega aos teclados de alguém que trabalha na mesma empresa que a Verónica e que cobardemente o transmite para outros sem pudor.

A Verónica foi morta por aquelas homo sapiens sapiens fêmeas (que de mulheres não têm nada) que a gozaram, perturbaram na casa de banho e a insultaram por praticar sexo com o anterior companheiro.

A Verónica foi morta pelos homens pequeninos. Foi morta pelos homens que se riram, pelos que partilharam, por aqueles que depois de verem o vídeo, o expuseram, a assediaram e pediram para que ela lhes fizesse favores sexuais. E ainda aqueles que tiveram o desplante de enviar para o marido e toda a sua família.

A Verónica foi morta pela empresa em que trabalhava que não soube agir com verticalidade e com a rapidez necessária para proteger aquele assédio moral, físico e sobretudo emocional.

A Verónica foi morta pelo julgamento. Morta pelo machismo. Morta pelo preconceito de que se um homem faz sexo é um garanhão e que uma mulher é uma puta, uma galdéria, uma badalhoca.

A Verónica matou-se. Suicidou-se e deixou dois filhos.

A Verónica sou eu. Apenas uma mulher.

Espero que os seus filhos encontrem a paz interior que precisam.
Espero que o seu companheiro, saiba cuidar dos filhos o resto da vida atenuando a sua vida significando o que para eles era apenas a sua mãe.
Artigo por Bea

Mulher, mãe de dois rapazes, apaixonada por flamingos e completamente chocoholic. Adora ler, dançar, comer e experimentar coisas novas.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.