o negócio do leite materno

Todos nós sabemos que amamentar é o melhor para a mulher e para o bebé. Também sabemos que o leite materno é o melhor alimento para os bebés e que todas as mulheres, na teoria, têm o leite necessário para alimentar os seus filhos. Mas o que muita gente ainda não se apercebeu é que há, hoje em dia, um grande negócio do leite materno.

Eu amamentei 4 anos e meio seguidos. Amamentei o Pedro até perto do parto do Miguel e amamentei o Miguel até completar dois anos e alguns meses. Ambos foram alimentados exclusivamente a leite materno em livre demanda até aos seis meses e foram desmamados de forma gradual e o mais natural possível, por isso, sou muito defensora da amamentação.

E, talvez por isso mesmo e, claro, como me estou nas tintas para as implicações deste artigo, decidi escrever o que me anda a conseguir tirar do sério.

Consultas de amamentação

Recorrer a uma Conselheira de Aleitamento Materno (CAM) ou Assessora de Lactação (AL) é normal e até de certa forma expectável nos primeiros tempos do bebé, sobretudo se for o primeiro bebé amamentado. O que não consigo encontrar explicação é para o absurdo dos preços que tenho encontrado na Internet. Se acho que estas profissionais devem cobrar pelos seus serviços? Claramente. Pois estão a disponibilizar o seu tempo e investimento em estudos/formações que são, também eles, pagos. Agora sejamos razoáveis: 100 euros por uma consulta? Consulta esta que não dá garantias nenhumas do estabelecimento do aleitamento materno? Consulta que em casos mais graves, as próprias mães e/ou bebé terão de ser avaliados pelo médico assistente e, na maior parte dos casos, essa mesma consulta também é paga?

Ou seja, 100 euros para uma consulta/avaliação que pode resultar num punhado de quase nada.

A minha pergunta é: Afinal a amamentação é transversal a todos ou é apenas ajudado quem realmente pode pagar estes valores?

Mas ainda ninguém se questionou que 100 euros é 1/5 do vencimento mínimo em Portugal e que, com o nascimento de um bebé os gastos familiares aumentam?

[nota posterior: estes valores são muitas vezes acrescidos da quilometragem que possa ser feita pela profissional]

Consultas de amamentação “online”

Quando me deparei com este escândalo e antes de escrever este artigo falei com várias amigas mães e CAMs. Todas concordaram comigo que há uma boa moda de amamentar as crianças. Mas também todas concordaram que esta questão negocial está cada vez mais em expansão. De repente, toda a gente dá palpite sobre as mamas de outras e sobre a vontade individual de cada um. E se os 100 euros me chocam com a consulta presencial, ainda mais chocada fico com os mesmos 100 euros para a consulta online.

Acessórios

Tive o meu filho há mais de seis anos e meio e, como quase todas as mães de primeira viagem era uma inocente. Até à data do parto, não sabia se queria ou não amamentar.

Sinceramente não me lembro se na altura já me tinham impingido algum tipo de acessório à amamentação, mas hoje em dia há todo um aparato à volta da coisa. Como se ligássemos um complicómetro que dificulta a coisa em vez de facilitar.

Estou a falar de uma panóplia de bicos, conchas, discos, compressas frias, compressas quentes, bombas duplas, bombas elétricas xpto que custam um lóbulo do fígado no mercado negro, uns acessórios para os soutiens para se saber qual é a mama que demos na última vez. Coisas completamente inúteis que são tidas como essenciais.

Para não falar nos cremes de mamilos: lanolinas (mas que não são vegan), de origem mineral (mas que não são apropriadas para o bebé deglutir).

Enfim, o que colo, leite, paciência e tempo pode resolver, fica mais complicado com estes mimimis da amamentação.

moda vs necessidade

Eu sou filha de lata, cresci a beber de um biberão, mas sendo mulher que acredita na ciência, e usando ainda a lógica (aquilo que conseguiu sobreviver depois das gravidezes), sei bem que somos animais mamíferos, logo, temos de mamar. Também sei que a pressão social para amamentar aumentou e que hoje em dia (tal como antigamente) se julga demasiado as mães. Julga-se por amamentar, julga-se por não amamentar.

A moda, a boa moda, essa veio e ainda bem para ficar. Agora a necessidade de muitas mães, necessidade física e sobretudo emocional, tem de ser respeitada.

A mãe que não quer ou não pode amamentar ama de igual forma o seu bebé que a mãe que amamenta.

Artigo por Bea

Mulher, mãe de dois rapazes, apaixonada por flamingos e completamente chocoholic. Adora ler, dançar, comer e experimentar coisas novas.

Este artigo tem 2 comentários
  1. Marisa diz:

    Olá boa noite. Gostei muito do seu blog.

    Tenho um dilema em que me poderá ajudar.

    Tenho uma menina de 28 meses que ainda amamento e estou novamente grávida.

    Preciso de ajuda para desmamar a minha filha para poder também amamentar o que aí vem.

    Obrigada

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