O meu pai.

São raras as vezes que fico sem palavras. São raras as vezes que não consigo pegar num assunto e desbobinar uma série de teses e conclusões mas, quando decidi que ia escrever sobre o meu pai, não soube imediatamente o que escrever.

Dizem que o que passamos para os nossos filhos é o nosso legado e tu, pai, para além de me passares através dos teus genes aquilo que mais gosto em mim – os meus olhos (mesmo hipermetropes), passaste-me que só se consegue as coisas com muito trabalho e dedicação. Foi de ti que herdei a minha (des)organização no meu trabalho, foi de ti ganhei o espírito empreendedor e inventor. Foi graças aos teus ensinamentos que realizo, cada dia que passa, os meus mais ambiciosos sonhos.

Não tens medo de tentar e de errar. Não tens medo de cair, de chorar e de sentir. Não tens medo de ser exagerado no proteccionismo comigo ou com os teus netos.

Da minha infância, lembro-me de aprender a andar de bicicleta na nossa rua. De esfolar os joelhos e de chorar compulsivamente por causa disso. Lembro-me das tantas noites que passavas acordado quando eu ou o Rodrigo ficávamos doentes. Lembro-me da felicidade que sentias quando ficávamos espantados com a tua habilidade para encontrar uma solução engenhosa para algum problema ou até dos trabalhos manuais que fazíamos para a escola.

Obrigada por me ensinares a ser dona do meu nariz. Obrigada por dizeres sim quando a mãe dizia não. Obrigada por nunca teres dito “não podes porque és menina” e por teres a mesma fasquia para mim e para o meu irmão. Obrigada por todos os furos feitos na minha casa para pendurar quadros, estantes e toalheiros e pela tua perfeição nessas tarefas.

Obrigada por seres teimoso, como eu. Isso fez-me melhorar a minha argumentação e a minha capacidade de te convencer quase sempre que eu estava certa, mesmo não estando. Obrigada por te rires das minhas piadas anti-mãe. Obrigada por todas as vezes que me foste buscar às discotecas e pela paciência em aturares a minha difícil adolescência. Obrigada por me autorizares e apoiares a minha ida para a política. Obrigada por me aceitares benfiquista, mesmo sendo tu sportinguista. Obrigada por me defenderes sempre em detrimento do meu irmão.

Obrigada por poder ser a menina do papá. Gosto muito de ti.

Artigo por Bea

Mulher, mãe de dois rapazes, apaixonada por flamingos e completamente chocoholic. Adora ler, dançar, comer e experimentar coisas novas.

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