[feminismo] O que as Mulheres Sem Filhos querem mesmo dizer…

A dada altura na vida de uma mulher esta questão surge sempre: “Então? Quando vais ter filhos?”
Está tão enraizado como: “Quando apresentas o namorado? Quando é que casas?…”
O meu sorriso (ou pelo menos penso) está já preparado, sendo que esta pergunta nesta fase da minha vida é feita regularmente. Já estou com a mesma pessoa há 14 anos e tenho 32 anos de idade. Na verdade já há alguns anos que ouço: “É bom começares a ter filhos que já estás a chegar aos 30.”
O tal sorriso automático, formatado para a ocasião, é a salvação para a não continuação de uma conversa que acaba por ser um pouco desagradável.

E hoje, deparei-me que este sorriso teve de ser feito mais vezes do que podia imaginar possível. Tantas são as questões.
Nós “Não” Mães, temos uma espécie de código de silêncio enraizado na nossa mente, para que possamos escapar a estas questões com graciosidade. Isso faz com que muitos pensamentos fiquem fechados a 7 chaves. Mas hoje é o dia de os libertar. Por isso aqui vai…

1. “Quando vais ter filhos?!”

Algumas mulheres não podem ter filhos ou passaram por experiências traumáticas como aborto espontâneo, das quais não querem partilhar. Só por causa destes motivos devia ser o suficiente para evitar a tão popular pergunta.

2. “Não achas que te vais arrepender de não teres filhos?!”

Existem também mulheres que não querem de todo ter filhos. E não, não se vão arrepender. Não, não precisam de pensar duas vezes porque acreditem que pensaram mais do que duas  vezes para tomarem essa decisão. Não, não vão ser mulheres “incompletas” por não terem filhos. Não, não significa que fiquem para sempre solteiras por tomarem esta decisão, e mesmo que quisessem, de todo não devem qualquer satisfação.

3. “Já que não tens filhos, podes fazer horas extra?!”

Não, não é por não termos filhos que podemos sempre fazer horas extra. Ou cobrir o turno do colega, ou terminar aquele projeto, porque somos as únicas na equipa que não têm filhos. De vez em quando também temos problemas pessoais para resolver, também precisamos de sono e descanso. Também precisamos das benditas férias e daquele fim-de-semana prolongado para atingir sanidade mental.

4. “Quem vai tomar conta de ti quando fores idoso?!”

Provavelmente as mesmas pessoas que tratam de muitos idosos hoje em dia. Médicos, enfermeiros, assistentes de saúde, entre outros.

5. “Não achas que estás a ser egoísta?!”

Não! Nem todas as mulheres têm uma vertente maternal. Pensarem na sua carreira, nos seus desejos e sonhos e conquistá-los é algo de louvável, e tão necessário hoje em dia, e nada egocêntrico.

6. “E o teu marido aceita isso?!”

O que os nossos marido/companheiros/namorados acham sobre este assunto a nós nos diz respeito. Todavia, e para efeitos de elucidação do tema neste artigo, sendo a mulher a portadora da futura criança, a palavra final que conta mesmo é da futura (ou não) mãe. Mas mais uma vezes enuncio, este assunto não é para a praça pública a não ser que se queira.

7. “Tu não queres vir connosco a estas coisas de crianças, pois não?!”

Esta questão levanta uma situação regular que acontece perto dos 30 anos de idade. O grupo de amigas transforma-se num grupo de mães. E acreditem que nós mulheres sem filhos adoramos as nossas amigas mães e os seus incríveis rebentos. Contudo, a solidão às vezes instala-se porque de repente, as “não mães” já não são bem-vindas ou convidadas para os lanches com a criançada. Ou para aquele fim-de-semana na Disney, ou para aquele aniversário e festa de Ano Novo. Porque torna-se requisito imprescindível ter uma criança. Na verdade, nós mulheres sem filhos, adoramos ser as “Tias” emprestadas. Adoramos estar em eventos familiares e dar o ar da nossa graça. Por isso não se esquivem de convidar. Não vão incomodar, muito pelo contrário, vamos adorar.
A lista podia continuar… Acreditem que o tema dá pano para mangas. Contudo, a conclusão final a que chego como mulher sem filhos é a seguinte: O que faço com a minha vida a mim me diz respeito.
Até logo, e obrigadinha! 🙂
Artigo por Rita Silva

Fundadora da AvanHeart Cosmetics, blogger de viagens do Hippie and Corporate, editora de beleza do IvaniasMode, fundadora do projecto fotográfico Speak Your Heart, e escrevo regularmente sobre temas como activismo, direitos humanos, feminismo, e sobre a comunidade LGBTQ. O meu objectivo de vida é tentar deixar este mundo melhor do que o encontrei para as futuras gerações. Por isso identifico-me como feminista, vegan, mulher, e pessoa com o coração na boca, sempre pronto para saltar.

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