[psicologia] Os Valores em Parentalidade Consciente

Já aqui no se abordou o tema da parentalidade consciente – que podem ler ou reler aqui. Nele, mencionou-se que “A prática de uma parentalidade consciente, necessita de ser sustentada em valores sólidos.” Tal como uma casa se sustenta em pilares, também a parentalidade consciente se sustenta em valores basilares, que sustentam toda a nossa actuação como pais e educadores.

O texto de hoje, retoma o tema da parentalidade consciente, identificando a importância dos valores.

VALORES

O que é um valor para vocês?

No dicionário, a primeira definição de “valor” é “o que vale uma pessoa ou coisa”.

Valor, no âmbito da parentalidade consciente, significa aquilo que se valoriza e não se prescinde na relação com as nossas crianças (e adultos da família, também), que por sua vez, transmitimos às crianças como sendo valores.

A autora Övén (2016), identificou quatro valores basilares da Parentalidade Consciente, dentro dos quais costumam encaixar a maioria dos restantes valores.

Claro que cada um de nós pode acrescentar outros valores com os quais se identifique! Não há valores certos nem errados. Apenas há lugar para a conexão connosco, com as nossas crianças e demais família.

Igual Valor

Ambos adulto e criança têm igual valor exactamente como são. Ambos são seres humanos sencientes e apesar da diferença de idade e vivências, são equivalentes e têm o mesmo valor intrínseco. Quando sentem algo, não sentem de forma diminuída em relação ao outro. Sentem por inteiro! Não há, portanto, lugar a desvalorização, seja por que factor for (sexo, idade, religião, etc.)

O valor que sentimos por nós e que os outros nos têm, interferem muito no desenvolvimento da auto-estima e dos relacionamentos saudáveis. Naturalmente que há diferenças entre o adulto e a criança ao nível das responsabilidades do primeiro sobre o segundo (em termos económicos, sociais e psicológicos), mas nunca no valor que cada um tem no seu papel, nas suas necessidades, nos seus limites, nas suas opiniões, nas suas sensações, emoções e sentimentos.

Integridade

Integridade é tudo o que constitui uma pessoa, incluindo os seus limites, as suas necessidades, as suas emoções, os seus valores e pensamentos. É, no fundo, tudo o que temos “cá dentro” e praticar o igual valor é respeitar a integridade de cada um.

A integridade pode ser encarada como a nossa identidade pessoal e interior, ao invés das máscaras sociais que dispomos. Ao ver respeitada a nossa integridade, vemos salvaguardada a nossa auto-estima. E a nossa auto-estima é o nosso sistema imunitário social (Övén, 2016).

Se soubermos começar por nós, sabendo respeitar a nossa integridade, também saberemos respeitar a integridade dos outros. De outra forma, como podemos orientar as nossas crianças a respeitar os adultos, se como adultos não lhes dermos o exemplo?

Reconhecer a nossa integridade é saber escutar-se… escutar as minhas emoções, pensamentos, valores, necessidades centrais, limites pessoais. Se não nos conhecermos, corremos o risco de sermos um joguete da sociedade.

Autenticidade

Ser autêntico significa ser honesto com o que sentimos, incluindo quando sentimos medo e vulnerabilidade, sem, contudo, julgarmos o outro (interlocutor).

Ser autêntico, é dar espaço tanto aos momentos de harmonia como aos momentos de conflito. Só com autenticidade conseguimos manifestar necessidades, limutes e tudo o que é realmente importante para nós.

Um grande aliado da autenticidade é a linguagem pessoal (consultem também o texto Comunicação Não-Violenta), comunicarmos de forma consciente (com o que sentimos) e praticando estes quatro valores, em consciência.

Um grande obstáculo da autenticidade é o desejo de sermos perfeitos (especialmente perante os outros).

Sermos educadores autênticos é fazermos o melhor que sabemos e podemos fazer, com os recursos que temos disponíveis a cada momento.

Responsabilidade Pessoal

A Responsabilidade Pessoal muitas vezes colide com a Responsabilidade Social, e a diferença está na integridade (identidade pessoal Vs. máscaras sociais, o que é esperado de nós).

Como educadores, temos de assumir a nossa responsabilidade pessoal, assumindo as nossas necessidades e limites. E só o conseguimos fazer, praticando o igual valor e mantendo o respeito pela integridade (a nossa e a dos outros, sejam adultos ou crianças).

Por exemplo, permitir a uma criança ter responsabilidade pessoal, é deixá-la assumir responsabilidades (adequadas para a sua idade), aceitar as suas emoções e permitir-lhe que tenha escolhas.

Temas como o de querer comer, ou não, a sopa, são sensíveis e muitas vezes dominados pelos pais que assumem a responsabilidade da decisão. Mas, por exemplo, será que não podemos permitir à criança assumir a responsabilidade da quantidade de alimento que quer ingerir numa refeição?

E isto não significa não dar limites à criança. Significa sim, encarar a criança com o mesmo valor que nós, respeitar a sua integridade e legitimidade de assumir a sua responsabilidade pessoal.

Como tal, é muito importante termos as nossas intenções muito bem definidas. Deixo-vos algumas questões para reflectir:

– Quais as minhas intenções enquanto educador?
– Que tipo de educador quero ser?
– Que ambiente familiar quero fomentar?
– Que capacidades gostaria a minha criança/educando tivesse?
– Que imagem gostaria que as minhas crianças tivessem de mim?

E, de forma consciente, questionar: “O meu comportamento está alinhado com as minhas intenções?”

Estamos constantemente a influenciar as nossas crianças (modelagem). Quanto mais consciente e intencional for essa influência, melhor! Faz-vos sentido? Partilhem!

 

Até breve!

Joana Madureira


BIBLIOGRAFIA

Övén, M. (2016). Educar com Mindfulness, Guia de Parentalidade Consciente para pais e educadores. Porto: Porto Editora.

Artigo por Joana Madureira

Mulher e Mãe de duas crianças. Psicóloga e Formadora Facilitadora em Parentalidade Consciente Mentora da marca registada SCHOLA - Educar para a Felicidade.

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