[feminismo] Amor Livre – Sexo Livre – Apalpão grátis?!

Consentimento- Consentimento expressa a ação de consentir, e significa dar permissão ou licença para que determinado ato seja praticado.

Esta palavra tem tido um peso especial nas notícias ultimamente.Desde o caso do famoso produtor cinematográfico Harvey Weinstein, onde várias vítimas de forma muito corajosa o acusaram, bem como Kevin Spacey, Louis C.K., Dustin Hoffman, Andrew Kreisberg, Brett Ratner, e a lista continua e continua. Parece até não ter fim… E será que que vai acabar?

Como mulher que já passou por várias situações de assédio sexual, a minha resposta é: pode atenuar, mas é tão sistémico neste momento, que não consigo acreditar que será erradicado. Mesmo com esta onda de partilha e encorajamento. Queria, por isso, centrar este tema, com algo que também tem estado em voga, o Amor Livre.

Muitos já devem ter ouvido falar destas duas palavras, que conjugadas significam muito para uns e pouco para outros. Historicamente o movimento liberal de Amor Livre tinha como objetivo parar a intervenção do Estado e da Igreja, nas relações pessoais entre seres humanos. Hoje em dia, a vertente política dissolveu-se no movimento liberal, e amor livre significa para muitos, a possibilidade de amar uma pessoa ou várias ao mesmo tempo, e com elas desenvolver uma relação amorosa, sexual, ou de outro tipo.

O amor livre, está relacionado com sexo livre, mas nem sempre estão ligados. Contudo, existe uma maior expansão destes conceitos e cada vez mais casais exploram a possibilidade de estarem com outros, que não fazem parte do par inicial, ou da tradição do casal típico.

Estes conceitos existentes, mas não praticados abertamente, são algo que existe de forma mais livre em festivais de música psicadélicos. A maioria das pessoas que frequenta este tipo de festivais está no mínimo a par destes conceitos. E como é óbvio existem bastantes praticantes.

Neste locais, o abraço é algo normal entre estranhos, o estar nu em frente a outros e dar um mergulho no lago é algo usual, o dançar de forma erótica é algo comum.

Deves estar a pensar porque é que estou a falar de consentimento e de amor livre?!

Por experiência própria encontrei-me numa situação em que amor livre e consentimento não andaram de mãos dadas.

Num festival de música, estava a dançar de calções curtos, parte de cima do bikini, e nada mais. Num local deste género tenho tendência a relaxar mais porque a vibe do festival indica que a maioria das pessoas são caraterizadas pela expressão “peace and love”. Ou seja, indivíduos que naturalmente deviam estar mais abertos para respeitar o consentimento, (algo que é bem desenvolvido no mundo de amor livre- sexo livre).

No meio dessa dança, com a velocidade de um salto, um homem salta por trás de mim e coloca a sua mão no meu seio. Este momento demorou 1 segundo.

No segundo seguinte saltei, empurrei-o, e disse o maior “Não” da minha vida. Mesmo nestas circunstâncias, num mundo cheio de hippies e de todos os valores associados de amor, partilha, respeito, … o pedir consentimento está pelas ruas da amargura. Esta premissa reflete-se exatamente nos casos mediáticos de abuso sexual que mencionei acima.

O privilégio retido pelas classes mais poderosas, é de tal dimensão, que ainda temos de falar sobre este tema. Agora mais do que nunca. A sensação de posse é de facto, o que está em causa. Posse da identidade do outro. Entramos num caminho do qual não há volta.

Mais acusações vão sair, mais indivíduos vão perder os seus empregos, fortunas e famílias. E sim, isso é de total importância e relevância. Tem de haver justiça para estas vítimas que tiveram a sua vida massacrada pelos atos de pessoas absolutamente criminosas.

Mas mais que isso penso ser necessário educar, educar, educar… Educar as gerações mais novas a estabelecerem relações de compaixão e empatia.

Focando toda essa informação no significado da palavra consentimento e actuação. Educar a nossa sociedade a acreditar nas vítimas. Em vez da resposta de sempre: “Mas elas é que se colocam nessa situação”; “Mas algumas provocam.”. Que apenas propaga e reforça o poder do abusador. Educar as nossas famílias, a terem um discurso de abertura e tolerância, para com os que sofrem abuso. Educar a sociedade, no sentido de fazer entender que um calção curto e um bikini, de todo, não é um convite para um “apalpão grátis”.

Artigo por Rita Silva

Fundadora da AvanHeart Cosmetics, blogger de viagens do Hippie and Corporate, editora de beleza do IvaniasMode, fundadora do projecto fotográfico Speak Your Heart, e escrevo regularmente sobre temas como activismo, direitos humanos, feminismo, e sobre a comunidade LGBTQ. O meu objectivo de vida é tentar deixar este mundo melhor do que o encontrei para as futuras gerações. Por isso identifico-me como feminista, vegan, mulher, e pessoa com o coração na boca, sempre pronto para saltar.

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