[psicologia] Presença consciente: o aqui e agora

Vivemos tempos intensos. Acumulamos papéis, responsabilidades sociais e somos constantemente sobre estimulados sensorialmente.

Num momento de pausa e intuspecção, percebi que o nosso cérebro vive e revive em dois campos: no passado e no futuro.

Revivemos (ou remoemos) memórias e vivências passadas, chegando mesmo a fazer guiões alternativos. Podíamos ter reagido desta ou daquela forma; se aquela pessoa não tivesse feito isto ou aquilo, tudo teria sido diferente… e reformulamos histórias intensas ao sabor da nossa mente.

E para garantir que certas coisas não voltem a acontecer, ou garantir que aconteçam, cogitamos o que será o futuro, fazendo novos guiões do que será a nossa atitude numa situação idêntica; ou qual será o nosso caminho daqui para a frente; ou como garantir a nossa sobrevivência e subsistência, entre tantos outros processos mentais.

E eis que se toma consciência do quão ruidosa e intensa pode ser a nossa mente! Estes processos mentais podem tornar-se um vício, provocando estados de ansiedade constante.

Fuga à Dor

A literatura é profícua no que toca à tendência humana de fuga à dor e sofrimento (aversão) e procura do prazer (atracção). E este princípio também se aplica ao nosso pensamento. O estado constante de alerta e tentativa de controlo sobre o passado e o futuro, acaba por ser um processo de fuga: a fuga do aqui e agora, o presente.

Muitos dos pensamentos que temos, originam estados e respostas emocionais intensas – muitas vezes geradores de stress, ansiedade, nem sempre agradáveis, levando à ausência de bem-estar no presente. E se a emoção pode ser entendida como uma mensagem (permite-nos identificar uma necessidade subjecente que precisa ser atendida), o sentimento pode ser entendido como a permanência num determinado estado emocional, por perpetuarmos pensamentos que nos provocam mal estar.

Pensamento Vs. Realidade

Os pensamentos podem surgir em catadupa, levando a questões constantes e preocupações dominantes, porque acreditamos neles como verdade. E cada um terá a sua verdade. Mas… será que os pensamentos são verdades?

Os nossos pensamentos são apenas isso mesmo: pensamentos. Eles não são realidade. Só pelo facto de termos pensamentos, não significa que temos de acreditar neles. Pelo contrário, torna-se libertador se os questionarmos: “Será verdade?”

Questione o seu pensamento e mude o mundo.” Byron Katie

Percebermos que os nossos pensamentos podem ser bloqueadores, é o primeiro passo. Compreendermos que temos capacidade para lidar com os pensamentos que nos causam sofrimento (ou que, simplesmente, não nos servem), é o segundo passo. Eles não são realidade porque só existem na nossa mente, eles são uma perspectiva limitada de todo o nosso potencial na realidade.

No seu livro Heartfulness: Enfrente a Vida de Coração Aberto, a autora Mikaela Övén (2016) dedica um capítulo àquilo que intitula “Os Dramas da Mente”. E ela deixa a seguinte reflexão:

Os pensamentos precisam de si para existirem, mas você não precisa deles todos. Para se transformarem em ideias e crenças precisam da sua energia, colaboração e atenção. Se deixar de dar energia e atenção aos pensamentos que não lhe servem, o que acontece?” Mikaela Övén

Preocupação ou Pré-ocupação

No curso Meditare!, a autora Lívia Stábile refere que, ao vivermos mentalmente no futuro, na tentativa de antecipá-lo para evitar futuras dores e atrair o prazer, e no passado, revivendo dores e mágoas, alimentamos conteúdos mentais constantes e acabamos por nos desconectarmos do presente. E a isto se chama pré-ocupação mental, aquilo que vulgarmente chamamos de preocupação.

Se pensarmos bem na palavra, “pré” significa anterioridade, antecipação. Logo, ocupamos a nossa mente com coisas que nem sequer existem, não são realidade, não estão a ocorrer aqui e agora. E isso está intimamente ligado à dificuldade frequente de estarmos presentes, no momento, no aqui e no agora.

Mindfulness

Mindfuness é traduzido para Português como atenção plena ou, nas palavras de Övén (2016), presença consciente. O Mindfulness pode ser alcançado de modo informal ou formal.

Na prática, o mindfulness informal significa que podemos, simplesmente, concentrarmo-nos por completo no que estamos a fazer, observando o que acontece (por exemplo, enquanto cozinhamos observar tudo o que acontece nesse processo, não dando significância a outros pensamentos que entretanto ocorrem);

Já o mindfulness formal, pode ser alcançado através da meditação.

Existem vários estudos sobre meditação. Ela é indicada como um exercício para silenciarmos a mente, permitindo criar o distanciamento necessário para com os nossos pensamentos. Ou seja, é impossível deixar de pensar, mas é possível deixarmos de atribuir significância e/ou relevo aos pensamentos que nos causam mal-estar.

O processo de meditação é uma forma de treinarmos a presença consciente, pelo simples facto de não ter nem passado, nem futuro, apenas o presente e a observação do que acontece no ambiente onde estamos e o que está a acontecer dentro do nosso ser (sensações, emoções, etc.).

E que melhor presente poderíamos ter da vida, do que a capacidade de usufruir, de forma consciente, o momento presente?

Tomem consciência do que vos limita. Experimentem e sintam-se livres de fazer partilhas sobre a experiência!

Até breve,

Joana Madureira

Artigo por Joana Madureira

Mulher e Mãe de duas crianças. Psicóloga e Formadora Facilitadora em Parentalidade Consciente Mentora da marca registada SCHOLA - Educar para a Felicidade.

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