[organização] Campismo com Crianças é Fácil se souberes como! – Parte 1

Férias, Praia e… Campismo!

Eis-nos chegados ao final do mês de Julho, mês esse pautado pela chegada das férias e pela preparação das malas, entre outros (embora para muitos as férias sejam mais para a frente em Setembro).

Várias ideias de férias nos assomam à cabeça. Há quem planeie uma viagem além fronteiras, quem faça praia e também quem se aventure com uma tenda e crianças, num verdadeiro acto de coragem.

E o que é o campismo exactamente? Como o podemos definir? Hoje em dia as modalidades são muitas, existindo parques de campismo que se assemelham a uma verdadeira Disneyland até parques completamente inóspitos e selvagens em que a verdadeira diversão está no envolvimento com a natureza.

No entanto, tudo começa com uma tenda. Grande, pequena, com dois ou três quartos, sistema de arejamento e protecção contra o sol e a chuva, há as de todos os feitios e tamanhos. Ainda não inventaram uma que me lavasse a loiça e me tratasse da roupa da criançada, mas lá chegaremos um dia.

Mas no artigo de hoje não quero falar sobre modalidades de campismo nem de variedades diferentes de tendas. Até porque para isso já há informação sobeja por essa net fora e eu também não sou propriamente expert na matéria.

No ano passado decidimos fazer umas férias fazendo o percurso de carro pelo sul de Espanha e de França até Itália, terra natal do meu sujeito passivo A. Connosco vinha uma tenda daquelas tamanho xxl, um carro cuja bagageira mais parecia um screenshot de um jogo do tetris, 3 miúdos cujo vocabulário de viagem se reduzia à típica frase “Já chegámos?” e 2 adultos com a leve sensação de terem interrompido o continuum espaço-tempo com a decisão tresloucada de embarcarem em tamanha aventura.

E no final essa aventura transformou-se na viagem mais espectacular que alguma vez fizemos com a miudagem. Queres saber como sobrevivemos? Deixo-te algumas dicas essenciais para que tudo corra às mil maravilhas e a viagem acabe como deve ser: com um sorriso nos lábios e uma cervejinha na mão.

Preparados? Vamos a isso!

Listas, Listas e mais Listas

“O quê? Uma Professional Organizer a aconselhar-me a fazer uma lista? Nunca tal vi!”

Que piadinha! Sim, estou a aconselhar-te, mais uma vez a fazeres uma lista. Porquê?

Porque o nosso cérebro ainda não está programado para manter todas as pequenas e minúsculas informações que nos passam pela cabeça ao minuto e ao segundo, sobretudo quando estamos em casa com crianças e a preparar uma viagem que inclui actividades como campismo. Não senhora.

Faz uma lista. Inclui nessa lista o que tens que fazer, quando, quem tem que fazer e com o quê. Faz uma lista de coisas a trazer, separando-as por categorias. E faz também outra coisa, essencial: coloca as listas bem visíveis junto ao sítio onde vais planear, fazer malas, preparar comidas a levar, etc. Assim crias aquilo que se chama um Obeya Space, um conceito muito conhecido pela indústria japonesa. É um espaço em que se usa o visual management para se poder ter a noção do que está a ser feito, por quem e quando e poder fazer o ponto da situação.

Portanto listas e visual management. Anota que eu não duro sempre. Não é Rocket Science mas pode fazer a diferença entre uma viagem que corre bem e em que não há surpresas e uma viagem em que saímos de casa e um dos miúdos ficou para trás. Lembras-te do “Sozinho em Casa” (RIP John Heard)? Pois, nós também!

Nem falo aqui de fazer um plano de viagem bem consistente (até com paragens planeadas para fazer xixi) e de alugar o espaço de campismo com antecedência. De tão evidente que é nem a menciono.

Traz só o essencial

Todos nós gostamos do aconchego das nossas casinhas, mas parece-me que o propósito do campismo é exactamente a de testar a nossa capacidade de sobreviver com pouco. É um excelente exercício para a mente e um óptimo treino em jeito de “Dieta da Tralha”. Daqui que a palavra ordem é mesmo essa: essencial.

Traz só o que precisas mesmo. Eu não vou aqui tentar adivinhar o que precisas ou não, isso depende de cada um. Posso dizer-te o que eu costumo deixar em casa:

  • maquilhagem
  • secador de cabelo
  • todos os livros que tenho em casa menos um;
  • todas as roupas que tenho em casa menos 5-10 mudas (dependendo do tempo de viagem);
  • jóias em demasia (levo um conjunto para situações formais e um para situações informais);
  • mobília (já há mobília típica de campismo mas depende do espaço que se tem no carro);
  • tudo o que é dispositivo electrónico que nos consuma energia paciência e atenção (com a excepção do telemóvel que é uma necessidade);
  • acessórios para cozinhar para refeições que demorem mais de uma hora a fazer ou expertise de um cozinheiro de um restaurante com 5 estrelas Michelin.

É mais ou menos isto. Portanto, pouca coisa e só o que precisamos. Puxa pela cabeça e depois de reunires tudo à tua frente vai retirando aos poucos e faz as perguntas necessárias:

“Em que contexto te vou utilizar?”

“Demoro muito tempo a limpar-te?”

“Cabes no meu carro?”

“Podes ser substituído por outra coisa?”

Põe toda a gente a ajudar

Por aquilo que depreendo, neste mundo onde vivemos, ainda não existem seres humanos com uma força sobre-humana com capas esvoaçantes e visões laser. Que é como quem diz: ainda não há super-homens nem super-mulheres.

Por esse motivo reitero o que tenho dito em muitos artigos que escrevi por essa blogosfera fora: dá tarefas à criançada.

Existe uma miríade de coisas que eles já sabem fazer e que podem ir apreendendo, sem grande dificuldade. “Ah e tal não fica perfeito nem é assim que eu faço!” Pois mas é esse o objectivo? Ficar perfeito? Tira o “per”. Fica o “feito” (“Feito! Feito!” diria o Dr Doofenshmirtz). Chega e sobeja.

Nessa lista de tarefas que entretanto fizeste porque me deste ouvidos, coloca lá os nomes dos teus filhos e atribui-lhes tarefas, um quando e um como. Vais ver que com a atitude correcta, uma promessa de um lanchinho a seguir e em jeito de jogo tudo se faz.

Eu opto muitas vezes por usar rankings tipo general, tenente e soldado com walkie talkies à mistura. Os miúdos divertem-se e nós ficamos mais aliviados, não é? Com jeitinho sobra-nos tempo para aquela mini que está à nossa espera no frigorífico.

Planeia refeições simples de fazer e de transportar

Já referi há bocado de modo sobejamente subtil que não adianta trazer acessórios de cozinha complicados para o campismo. Isto partindo o princípio de que vais cozinhar e que não vais acabar na pizzeria mais perto.

Mas cozinhar é tão giro. E económico. Por isso, lembra-te de trazer comidas que:

  • aguentem o calor;
  • sejam fáceis de transportar;
  • sejam compactas (não ocupem muito espaço);
  • sejam duráveis;
  • sejam fáceis de cozinhar.

Nesta categoria incluem-se os enlatados, as peças de fruta secas (como as maçãs, por exemplo), massas e arroz, molhos pré-cozinhados de uma só utilização e snacks tipo barritas de cereais. Desta categoria exclui-se tudo aquilo que precisa de frio, tudo o que depois de aberto se deteriora rapidamente e o que ocupa muito espaço e se pode partir pelo caminho. Faz uma lista do que vais levar e do que é preciso comprar durante a viagem, seja no supermercado local, seja em passagem.

Também aqui não vos vou dizer que tipo de comidas devem fazer ou não dado que isso depende sempre de família para família. No nosso caso, optámos pelas massas italianas porque são simples e rápidas de fazer e também porque é hábito de cá de casa dado que somos todos meio-italianos (pelo lado do meu marido e pelo meu lado, dependendo dos dias).

Usa o pensamento divergente

Há por aí muitos artigos com truques e dicas geniais para trazer para o campismo, seja porque efectivamente dão muito jeito e são muito bem pensadas e outras para mostrar ao vizinho da tenda ao lado a nossa genialidade.

O melhor conselho que vos posso dar a esse respeito é o de usar ao máximo o pensamento divergente. Aquele que faz com que usemos uma caneta ou lápis para rebobinar cassetes quando a fita está toda cá fora (talvez devesse usar aqui o pretérito imperfeito). Ou que nos leva a utilizar a nossa t-shirt para limpar o nariz cheio de ranho do nosso filho, pequeno produtor industrial de muco e outros fluidos interessantes, quando não temos mesmo mais nada.

Esse mesmo.

A esse respeito temos muitas e boas opções:

  • Uma caixa de tic-tac para guardar especiarias;
  • Uma embalagem de detergente como lanterna;
  • Palhinhas para guardar medicação líquida;
  • Caixas de ovos para guardar carvão.

Ficaste à espera de mais? Não te preocupes, para a semana temos mais 5 dicas!

Boas aventuras!

Artigo por Rita Accarpio

Mãe de 3, esposa, portuguesa, italiana, apanhadora de cogumelos, organizada, organizadora, empreendedora, linguista, fanática de chocolate, viciada em pastelaria, ultra-nerd. Não, não é o voto de casamento da Guerra dos Tronos. Sou eu. Venham saber onde acaba esta apresentação: www.organiguru.com.

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