[enfermagem] Falemos de “aranhas” e andarilhos!

É consensual no mundo da pediatria que os andarilhos/auxiliares de marcha/aranhas não trazem qualquer vantagem para os bebés.

São, pelo contrário, causadores de muitos acidentes, dificultam uma correcta aquisição da marcha, e ainda má postura do ponto de vista ortopédico.

O facto de serem um artigo com bastante sucesso entre muitas familias, não lhes acrescenta credibilidade.

Na verdade, a criança é colocada na posição “de pé” demasiado precocemente, quando o seu corpo ainda não está preparado para isso, o que faz com que se saltem etapas importantes, sobretudo do ponto de vista de reforço muscular, e essencialmente da coluna.

Cada bebé tem o seu ritmo de desenvolvimento, e cada bebé se prepara à sua maneira para a etapa seguinte, começando por rolar, ou seja, virar-se sobre si mesmo, sentar, gatinhar (esta não é uma etapa chave, há bebés que nunca chegam a gatinhar), colocar-se de pé, andar com apoio e andar sem apoio.

A cada uma destas etapas, o bebé vai fortalecendo certos conjuntos musculares que o preparam para a etapa seguinte. Ao colocar o bebé numa “aranha” estamos a saltar etapas importantes e isso poderá ter consequências a longo prazo para a criança.

A Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) diz que “os andarilhos são, isoladamente, o artigo de puericultura que mais acidentes graves provoca, tendo em conta o curto período de tempo em que são utilizados. Em Portugal são estimados 650 casos por ano suficientemente graves para obrigar a criança a recorrer a um serviço de urgência hospitalar”.

São também unânimes as recomendações no sentido da não utilização destes artigos, e a SPP refere que essa recomendação está explicita no boletim de saúde do bebé.

No Canadá, a fabricação, venda, publicidade ou importação é ilegal. Referem igualmente, que comete uma infração também quem oferece esse tipo de acessórios.

Os melhores lugares para o bebé se desenvolver são o colo e o chão! Neste caso, coloque-se de gatas, à altura do bebé e faça uma volta pela casa de forma a detectar e modificar coisas que possam representar um perigo real ou potencial para a criança.

Disfrute do seu bebé, em toda a segurança!

 

Artigo por Cátia Godinho

Enfermeira Pediátrica | Consultora de babywearing | mãe

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