[pediatria] Picky Eaters – Seletividade Alimentar

Você fez tudo certinho, fez a introdução alimentar aos 6 meses corretamente, o bebé gradualmente aceitou as papas e, quando você achava que estava tudo certo, ele começa a recusar. Principalmente por volta do segundo ano de vida: não come “nada”, mama menos, parece que vive de vento.

O medo se acentua quando o bebê é “magro” (na visão dos pais). Os pais acham que o bebê é magro pois come pouco, quando na verdade, o bebê por perfil genético é magro e por isso come pouco.

A seletividade alimentar nessa fase é extremamente comum. A criança adorava arroz e feijão e agora não pode nem ver. São os chamados picky eaters: quase metade das crianças passam por essa fase, então muita calma nessa hora.

Todo esse comportamento de recusa e seletividade alimentar é comum dos 1-5 anos de idade principalmente, fase que há naturalmente um declínio da velocidade de crescimento, surgimento da dentição decídua e fatores emocionais. 

Um estudo britânico do American Journal os Clinical Nutrition do ano passado demonstrou que na população de estudo não houve variações na quantidade de macronutrientes entre as crianças com e sem seletividade alimentar. Os picky eaters no entanto podem ter um decréscimo no consumo de micronutrientes, principalmente vitaminas do complexo B e ferro.

Sempre avalie com seu pediatra e/ou nutricionista. Pode ser necessário descartar alguns problemas, principalmente se a falta de apetite está associada com apatia, infecções de repetição, palidez, perda significativa de peso (e não apenas uma retificação na curva de peso). Se a criança está bem, se desenvolvendo adequadamente, saiba que é uma fase passageira. Receitas milagrosas e farináceos industrializados na maioria das vezes não são necessários, salvo se prescritos por profissionais capacitados.

Algumas dicas que podem auxiliar:

– Não espere que a criança coma muito nessa fase, comendo pouco e variado já é um ganho;
– Varie os alimentos e formas de preparo. Quando investigamos o cardápio da criança que recusa, muitas vezes lhe é ofertada sempre as mesmas frutas e a mesma sopinha de legumes a noite. Tu comes TODO dia a mesma coisa? Varie!
– Nessa fase a criança começa a criar independência, estimule isso na refeição: nada de ficar fazendo aviãozinho: oferte a comida ou solicite que ela mesmo pegue (com mãos ou talheres, para crianças maiores).
– Limite o tempo da refeição. “Dr, ele fica 1 hora na mesa, não come nada, cospe e chora. O momento da refeição será penoso para ele! Limite o tempo da refeição, se não comer, oferte a comida no horário da próxima refeição.
– Crianças amamentadas em livre demanda: nessa fase precisamos regrar um pouco as mamadas, principalmente nos horários das refeições sólidas. Para as mães que utilizam biberão, talvez seja necessário controlar quantidade e frequência.
– Evite líquidos durante as refeições, isso aumenta a saciedade sem que a criança consuma os alimentos.
– Não adianta forçar! Isso só vai criar um sentimento negativo da criança frente à refeição, e se torna um ciclo vicioso de recusa.
– Sem “beliscões” entre as refeições.
– Sem substituições bobas: “Não comeu, toma aqui um iogurtinho”. A criança sabe que será só negar a refeição que virá algo prazeroso em seguida, passando a recusar sempre.
– Elogie e estimule! Ao invés de “Mas só comeu uma colherada!?”, prefira: “Ótimo, comeu UMA colher cheia, parabéns!”.
– E sempre: seja exemplo! Nessa fase eles aprendem mais com o exemplo do que com o discurso. 

As dicas não substituem uma avaliação profissional.

Quem aí já passou ou se encontra nessa fase???

American Journal of Clinical Nutrition:
http://ajcn.nutrition.org/content/104/6/1647.full.pdf+html
Artigo por Evandro Amorim

A saúde do seu filho está em boas mãos: as suas. Mas quando precisar de ajuda e orientação conte connosco! Medico Pediatra | Brasil | CRM/SC 17.363 RQE/SC 12.828

Este artigo tem 2 comentários
  1. Pedro Inada diz:

    Dr. Evandro, obrigado pelo artigo. A seletividade tb está presente em fases após 1-5 anos. Já vi casos de adultos. Meu sobrinho é seletivo e manifestou após os 3 anos quando teve uma alergia alimentar. Por conta disso é extremamente sensível ao paladar/textura/cheiro/cor. Apenas aos 9 anos que começou a melhorar por conta de uma brincadeira que começou com o pai, onde é desafiado em vídeos no YouTube para experimentar coisas novas. Uma das razões que acho q está funcionado é que o ambiente se dissocia da refeição, que para crianças seletivas é um horário traumático, e por dar uma roupagem de desafio/brincadeira, a guarda da criança fica baixa e ela é mais receptiva à ideia.

    Gostaria da sua opinião sobre essa abordagem. Muitas mães tem agradecido pelos vídeos também inspirarem seus filhos. https://www.youtube.com/channel/UCDRIqSr0tHLdfiMks90_6lA

    Obrigado

    • Evandro diz:

      Olá Pedro! Sim, podem haver outras fases de seletividade alimentar, do 1-5 anos é o pico! Crianças extremamente reticentes em provar novos alimentos podem ser trtatadas individualmente de forma ludica como no teu exemplo, acho válido sim! As vezes precisamos de acompanhamento com nutricionista e psicologo também, mas aí são exceções. Abraços!

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