[psicologia] Conheces a teoria dos 21 dias?

 

Provavelmente já devem ter lido, em vários âmbitos, propostas de mudança de comportamento num prazo de 21 dias. Por exemplo, em hábitos de nutrição – a dieta dos 21 dias; ao nível energético e espiritual – como no Reiki e o período de reequilíbrio dos 7 chakras em 21 dias; ou até em Parentalidade e Educação – como o caso do último livro da Magda Gomes Dias “Berra-me baixo – 21 dias para deixares de gritar com o teu filho”.

Mas, sabem o porquê desses 21 dias? A ciência explica!

O sistema nervoso no papel principal

O Cirurgião e Psiquiatra norte-americano William Sadler, cujos livros se concentraram em temas de medicina, espiritualidade e autoajuda (foi co-autor do famoso livro Urantia, em 1955), explicou, de forma simples, que o sistema nervoso regista os nossos hábitos de forma directa (através de sinapses) e que a repetição dos hábitos (seja pensamentos ou acções), ajuda na definição mais clara e intensa daqueles no nosso cérebro, equiparando-se a sulcos cada vez mais profundos – numa metáfora idêntica, seriam os sulcos que fazemos quando caminhamos na areia, que se tornam cada vez mais profundos quando se intensifica a passagem pelo mesmo local. A repetição tende a auxiliar na aquisição.

Corroborando esta associação da repetição, o Neurofisiologista australiano John Eccles, foi pioneiro no estudo das sinapses ao nível do sistema nervoso periférico. Este autor realizou estudos que levaram a concluir que a actividade neuronal não era apenas física, mas também química (através de neurotransmissores), e que as células, responsáveis pela transmissão de informação ao cérebro, também respondiam a repetições de estímulos. Nas suas descobertas, verificou que, quando já existia uma informação registada, mas se iniciava uma transmissão de informação diferente, as células passavam a responder a novos estímulos repetitivos, levando, assim, a adquirir novo hábito. Eccles chegou mesmo a receber o Prémio Nobel em Fisiologia e Medicina, em 1963.

Basicamente, a nossa mente é “programável”!

A Psicologia da auto-imagem e a Psicocibernética

A acrescentar a estes autores, encontramos o médico cirurgião americano Maxwell Maltz, que se propôs escrever sobre Psicologia e auto-imagem e em 1960 publicou o livro “PsychoCybernetics – A new way to get more living out of life” e com ele terá despoletado aquela que seria a teoria dos 21 dias.

A resposta de Maltz sobre este livro no âmbito da Psicologia da auto-imagem (sendo ele médico cirurgião), recai no seguinte argumento:

“My answer is that any good plastic surgeon is and must be a psychologist, whether he would have it so or not.When you change a man’s face you almost invariably change his future. Change his physical image and nearly always you change the man—his personality, his behavior —and sometimes even his basic talents and abilities. (…) A plastic surgeon does not simply alter a man’s face. He alters the man’s inner self.” (Maltz, 1960)

À medida que Maltz explorava a área da Psicologia na Cibernética, encontrava fenómenos que confirmavam o facto da chave para a personalidade e para o comportamento, residir na auto-imagem do próprio paciente: no auto-conceito mental e espiritual ou conceito da própria figura (“‘picture’ of himself”).

“The ‘self-image’ is the key to human personality and human behavior. Change the self-image and you change the personality and the behavior.” (idem)

O poder da Psicologia Positiva

Para o alcance da mudança (ou da aquisição de novo hábito, se preferirem), Maltz evidenciou o poder do pensamento positivo – “Self-image psychology (…) throws new light on “the power of positive thinking” – explicando que o sistema nervoso constitui um mecanismo maravilhoso para o estabelecimento de objectivos, mas que nada funciona sem o responsável pelo manuseio devido desse mecanismo: NÓS!

“the brain and nervous system constitute a marvelous and complex ‘goal-striving mechanism’ a sort of built-in automatic guidance system which works for you as a ‘success mechanism’, or against you as a ‘failure mechanism’ depending on how ‘YOU’ the operator, operate it and the goals you set for it.”

 Assim surge a teoria dos 21 dias

Ao longo da sua vida profissional como cirurgião, Maltz descobriu que nem sempre um paciente mudava o seu auto-conceito (o autor chama-lhe a construção da “imagem física”) após a cirurgia. Haveria uma chave mais profunda para a mudança, envolvendo a vertente psicológica e o sistema nervoso, e que ela levava 21 dias a acontecer.

No seu livro PsychoCybernetics, Maltz identificou exemplos que ocorriam após 21 dias, fundamentando:

“It usually requires a minimum of about 21 days to effect any perceptible change in a mental image. Following plastic surgery it takes about 21 days for the average patient to get used to his new face. When an arm or leg is amputated the ‘phantom limb’ persists for about 21 days. People must live in a new house for about three weeks before it begins to ‘seem like home’. These, and may other commonly observed phenomena tend to show that it requires a minimum of about 21 days for an old mental image to dissolve and a new one to jell.” (idem)

E vocês, já experimentaram mudar algum hábito em 21 dias?

Até breve,

 

Joana Madureira


BIBLIOGRAFIA

Dias, M. (2016). Berra-me Baixo: 21 dias para deixares de gritar com o teu filho. Lisboa: Manuscrito Editora.

Maltz, M. (1960). “PsychoCybernetics – A new way to get more living out of life”. New York: Pocket Books.

http://fernandooliveira.com.br/blog/2012/01/uma-viagem-de-21-dias/

http://www.urantia.org/pt/o-livro-de-urantia/ler

 

 

Artigo por Joana Madureira

Mulher e Mãe de duas crianças. Psicóloga e Formadora Facilitadora em Parentalidade Consciente Mentora da marca registada SCHOLA - Educar para a Felicidade.

Este artigo tem 2 comentários
  1. Por aqui, já aceitei o desafio da Magda Gomes Dias -“Berra-me BAIXO” e até escrevi sobre ele aqui: http://feltronasmaos.blogspot.pt/2016/08/berra-me-baixo-ponto-final.html?m=0
    Mas foi (é) mesmo um desafio! 😉
    Beijitos!

    • É verdade, mudar um comportamento, é sempre trabalhoso: é um desafio! Agora já percebemos porquê e por essa razão devemos persistir na tarefa (de mudar) durante, pelo menos 21 dias! Nunca desistir! Em tempos, num trabalho de Ana Paula Silva (assistente social) e João Esteves (psicólogo), li isto: “comunicar é uma tarefa quase tão difícil como ser pai e mãe”. Educar (bem!) é um tarefa para super-heróis e heroínas como nós 🙂

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