[psicologia] Perceber o cérebro de uma criança

A maioria dos adultos, fala com as crianças sem se aperceber da enorme influência que têm na resposta dos mais pequenos. Pois bem, se o vosso lema é ver para acreditar, então este texto começa pela primeira etapa nesse processo: ajudar-vos a perceber o que faz as crianças reagirem a certas situações de determinada forma.

“O que se passa na cabeça do seu filho?”

Este é o título de um dos capítulos da obra “Crianças Felizes” da autora Magda Gomes Dias, Directora da Escola da Parentalidade e Educação Positivas. Ele dá o mote ao maior dos desafios dos pais e educadores em geral: perceber o cérebro das suas crianças.

De uma forma simples, este capítulo utiliza uma metáfora para ajudar a perceber o porquê das crianças reagirem de determinada forma. E tudo isto através da ilustração de uma cafeteira! Nela, as ’emoções geridas’, constituem o “andar de cima” e as ’emoções primitivas’ constituem o “andar de baixo” (adaptado de Dias, 2015).

Metáfora da cafeteira

Esta metáfora da cafeteira, permite ‘trocar por miúdos’ os fenómenos que ocorrem no cérebro de uma criança, tantas vezes amplificados pelo seu chamado ‘feitio’. Tão simplesmente porque, tal como a água quando entra em ebulição e produz café, as emoções básicas/primitivas que habitam o “andar de baixo“, turbinam e ‘vêem ao de cima’.

Sem ajuda do adulto na gestão dessas emoções, a criança não tem maturidade suficiente para as integrar e exprimir, senão da forma mais selvagem e primitiva que conhece: o choro e afins. Aliás, a criança, quando nasce, age por impulsos e pulsões, e progressivamente vai adquirindo maturidade para a gestão emocional, ao longo dos primeiros 23 anos de vida, aproximadamente.

Eis o cérebro humano

A metáfora da cafeteira equipara o “andar de cima” e o “andar de baixo” a duas áreas constituintes do cérebro humano. São elas:

  • área pré-frontal – localizada na área do Lobo Frontal e identificado na imagem como o Big Boss – que é o responsável pela integração de reacções sociais e cuja área é activada quando se estabelece empatia. Esta área liga-se directamente ao sistema límbico;
  • O sistema límbico – constituída pela amígdala, hipocampo e tálamo; localizado na zona do Lobo Temporal (centro interior), é a área do cérebro que responde por impulso. O sistema límbico responde em prol das necessidades humanas mais básicas e de sobrevivência. Aqui residem as emoções e as memórias sensoriais.

De acordo com a autora, quando aquelas duas partes do cérebro se interligam, o ser humano torna-se capaz de “realizar tarefas complexas como parar para pensar antes de decidirmos, considerar os sentimentos dos outros (empatia) e fazer julgamentos éticos e morais.”

Para que se compreenda que a maturidade exige o seu tempo, aqui fica uma ressalva:

(…)”é importante saber que o ‘andar de cima’ do cérebro apenas fica ‘fechado’ por volta dos 23 anos pelo que são necessárias experiências boas o suficiente para o estimular assim como a paciência e serenidade para [que] possamos saber que cada coisa tem o seu momento. Por esse motivo, não podemos esperar que um adolescente tenha um controlo tão refinado e elaborado como tem um adulto. Na verdade, muitos adultos ainda não fizeram esse caminho.” (Dias, 2016).

Torna-se, assim, importante parar para rever os conhecimentos e crenças que se tem sobre o desenvolvimento do cérebro humano e, em particular, das capacidades das crianças. Só assim podemos compreender o que esperar de uma criança e pôr à prova o nosso cérebro adulto.

Usar antes de uma emergência

Apresentada a ilustração que propõe simplificar a compreensão do cérebro de uma criança (assim como o cérebro de um adulto!), torna-se claro o que fazer perante uma birra. Urge a necessidade dos adultos, aprenderem a falar para “o andar de cima” das crianças (também aplicável ao público em geral), num “tom calmo, firme e ritmado“, sem haver pressa de se corrigir um acto no mesmo momento.

Ou seja, a primeira actuação deve passar por entender os sentimentos da criança e fazê-la sentir-se compreendida, deixando a lição a aprender para depois, quando o ambiente emocional se encontrar mais estável e receptivo. E existem frases simples que transmitem fé à criança de que pode fazer melhor. Ao invés, ‘comprar uma guerra’ com o “andar de baixo“, pode gerar quebras de confiança e mágoas emocionais que podem condicionar todo um relacionamento entre pais e filhos.

E vocês, o que acham desta metáfora? Agora sim, estão em condições de entrar na fase do ver para crer. Apliquem e contem-nos como foi!

Até breve,

 

Joana Madureira


BIBLIOGRAFIA

Dias, M. G. (2015). Crianças Felizes – o guia para aperfeiçoar a autoridade dos pais e a auto-estima dos filhos. Lisboa: A Esfera dos Livros.

Dias, M. G. (2016). Pós-Graduação – Manual do Formando. MD&GK, Lda.

 

Artigo por Joana Madureira

Mulher e Mãe de duas crianças. Psicóloga, Formadora, Consultora de Recursos Humanos e Blogger Mentora da marca registada SCHOLA - Educar para a Felicidade.

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