[psicologia] Parte II: Instruções eficazes para pais e filhos eficientes

O texto da semana passada, abriu as portas ao complexo mundo das orientações dos pais e a suporta (des)obediência dos filhos. Com ele, procurou-se reflectir sobre responsabilidade partilhada que os adultos têm, na obediência das crianças. Sejam “ordens”, “instruções”, “pedidos” ou “orientações” aquilo que fazem aí em casa, o que interessa mesmo é a forma como as damos!

O texto que hoje propomos, é completo e sugere estratégias simples para se conseguir maior cooperação na hora de “comandar” os nossos tropinhas, de forma positiva, os protagonistas mais pequenos – as crianças.

Apertem os cintos, venham daí!

A forma como comunicamos com as nossas crianças, influi em muito nas respostas e reacções que recebemos delas. Comportamento gera comportamento, e o adulto é o modelo a seguir. Lembrem-se, mais importante do que dizer, é dar o exemplo, fazendo. E porque não começar pela forma como transmitem as instruções?

Instruções com tempo

Alguns pais dão instruções, sem dar oportunidade das crianças cooperarem e obedecerem. Exemplos:

  • um pai diz “arruma as tuas roupas” e começa logo, ele mesmo, a arrumar as roupas do filho;
  • uma mãe diz “sai já do sofá” e tira imediatamente a criança do sítio;
  • queres o azul ou o verde? Ah, se calhar o verde é mais bonito, não achas?” e responde pela criança.

Quando se trata de situações de segurança, estas podem exigir o cumprimento imediato de uma instruções, ou a intervenção pronta do educador. Excepções à parte, na maioria das vezes deve dar-se algum tempo à criança de tomar iniciativa para obedecer.

Por vezes, repetimos uma instruções sem dar tempo à criança de a executar. Após se verbalizar uma instrução (ou ordem, se for o caso), a bibliografia base deste texto, sugere que se deve aguardar, pelo menos, cinco segundos, dando tempo de acção à criança para iniciar a tarefa que lhe foi pedida. Assim, evita-se repetir (desnecessariamente) o pedido ou interromper a criança no momento em que se prepara para fazer o que lhe foi pedido.

  • Sugestão: fazerem uma pausa depois de darem uma instruções e contarem, mentalmente e em silêncio, pausadamente até cinco. Se, depois deste período, a criança não tiver dado sinais de iniciativa, então pode considerar-se uma desobediência.

Dependendo da situação, pode repetir-se a instrução, dando duas opções, nas quais se identifica quais as consequências do cumprimento ou incumprimento da intrução – já que as consequências também podem ser positivas e funcionar como um estímulo adicional ao cumprimento do que foi pedido.

Instruções com consequências

É mais comum os pais darem atenção aos seus filhos quando estes não fazem o que lhes é pedido, do que quando se portam bem. Ora, se não se recompensar positivamente as situações em que as crianças realizam as actividades devidas (por vezes por sua iniciativa), ou, pelo contrário, se as crianças não são responsabilizadas pelo incumprimento de uma instrução, então muito provavelmente as orientações dos pais serão mais comummente ignoradas.

Vamos a um exemplo: pedir a uma criança de 10 anos para fazer a sua cama (um simples puxar o edredão até à cabeceira).

  • Exemplo um – A criança faz a sua cama de forma autónoma e sem que lhe seja pedido. Um exemplo de recompensa é, simplesmente, disponibilizar-lhe atenção e reconhecimento verbal, como “Boa! Fizeste a cama sem eu te pedir! Que fantástica iniciativa a tua, estou orgulhosa(o)!”
  • Exemplo dois – A criança recusa-se a fazer a sua cama, mesmo depois de lhe ter sido instruído. Um exemplo de responsabilização da criança pelo incumprimento, seria associar uma consequência lógica ao incumprimento. Por exemplo, “Certo, então só vais poder convidar o teu melhor amigo a vir cá a casa quando tiveres a cama feita.

Quando se dá uma instrução ou se pede para fazer algo, é importante dar a conhecer à criança qual a consequência do seu cumprimento (positiva) e, se necessário (por exemplo, se a criança der indícios de não cumprir) qual a consequência do incumprimento (negativa). A seguir, encontram mais exemplos.

Instruções com estratégica

Não é incomum os pais verbalizarem instruções que soam a ameaças – “Tu vais ver o que te vai acontecer se continuas…“; “Já te avisei, não aviso mais, depois não te queixes.“; “Olha que te vais arrepender!“; “tu queres ver que vou ter de me chatear contigo?” – que muitas vezes surgem em desespero de causa na tentativa de avisar a criança que a paciência se está a esgotar e precisam que elas cumpram a instrução que lhe foi pedida.

Estas frases vagas e não especificam em concreto o que se pretende da criança. Ademais, tendem a despoletar nas crianças comportamentos negativos de desafio (para tentarem, de facto, saber o que lhes acontece se continuam a desobedecer), em vez de obediência. E se a obediência surgir, certamente não será por respeito ou compreensão, mas sim, medo. Será isto que os pais querem que os filhos sintam deles?!

Quando existe a possibilidade da criança optar – se quer cumprir ou não quer cumprir, assumindo as respectivas consequências (positiva ou negativa) – a bibliografia sugere uma sugestão: dar instruções que informem as crianças, com antecedência, das consequências exactas das suas acções.

Uma estratégia óptima: aplicar o conceito “quando fizeres…, então podes…”.

Esta estratégia visa identificar, primeiro, o comportamento desejado e só depois proporcionar uma consequência positiva, desejada pela criança. Exemplos:

  • Depois de pores a mesa, podes ver televisão até à hora de servir o jantar“;
  • Depois de lavares os dentes podemos ler a tua história“;
  • Depois de fazeres a tua cama, podes chamar o teu melhor amigo para brincar cá em casa“;
  • Depois de fazeres os trabalhos de casa, podes ir brincar para o jardim“.

Estas “instruções estratégicas” dão a possibilidade da criança obedecer (ou não), estando devidamente informada do que vai acontecer a seguir, sendo opção sua a consequência (e não decisão unilateral do pai ou da mãe como se de um castigo se tratasse).

Mas atenção, as instruções, mais uma vez, devem ser realmente importantes. Nunca se deve usar esta estratégia como “chantagem” para coisas sem importância, pois a estratégia acaba por perder a força e os pais acabam por perder a sua credibilidade.

Exemplo a evitar: “quando puseres a mesa é que podes jantar“… será que os pais estariam mesmo dispostos a não deixar a criança jantar se não pusesse a mesa?

Por sua vez, a consequência deve surgir com uma ligação directa com a situação / objecto, ser relacionada com a ordem de ocorrência das coisas e ser uma consequência sensata!

Instruções com alternativa

Quando o pedido surge na sequência de uma regra estipulada em casa, a instrução dada pelos pais pode ter contornos de proibição – por exemplo, a criança não pode ver televisão depois do jantar, porque a seguir vai para a cama e tem dificuldades em adormecer.

Em situações como no exemplo acima, os pais informam o filho de que é proibido, juntando uma breve explicação do porquê (ajuda a criança a raciocinar sobre a lógica da situação), mas se não lhe for dada uma alternativa, a criança pode reagir de forma intempestiva – afinal, ela não tem maturidade para vislumbrar outra opção senão a de querer ver televisão!

É aconselhável incluir sempre sugestões alternativas, especialmente porque ajudam a criança a desfocar a sua plena atenção para a vontade de ver televisão, e desta forma procuram-lhe despertar interesse ou curiosidade por algo igualmente aprazível. Por exemplo: “Podemos jogar monopólio júnior juntos! Que te parece?“.

“Este tipo de abordagem permite a redução das lutas de poder, porque, em vez de se confrontarem sobre o que a criança não pode fazer, centra-se a atenção numa actividade positiva.” (Webster-Stratton, 2016)

Instruções sobre protesto

Comum às instruções dadas pelos pais, são os protestos que se seguem por parte das crianças.

Para que a situação ocorra por opção da criança, será necessário que a instrução dada seja a estratégica “quando fizeres… então podes…” – porque assim a criança faz uma opção consciente do que se seguirá.

Nestas situações, é de extrema importância que o adulto não entre em argumentos e contra-argumentos, mantendo a sua calma, tom de voz sereno, auto-controlo e, acima de tudo, a sua firmeza, congruência e coerência ao implementar as consequências.

Ao invés, se o educador entrar num emaranhado de explicações e diálogos, poderá resultar na percepção (por parte da criança) de que pode negociar ou alterar a legitimidade da instrução dada; que ganha tempo e que o pedido inicial pode ficar esquecido. A isto se acresce poderem ambos, pais e filhos, aborrecerem-se.

À medida que a criança observa que os educadores não cedem aos protestos e cumprem o que determinam como consequência, a tendência para colaborar vai aumentando.

Instruções curtas

Pode-se pensar que longas explicações ajudam as crianças a compreenderem melhor o que lhes é pedido.

Cada caso é um caso, como é óbvio. Mas a bibliografia mostra que pode bem ocorrer o oposto, pois abre oportunidade à criança de fazer muitas perguntas ou a contra-argumentar o argumento dos pais. E neste processo, ganham tempo e não cumprem o que lhes está a ser pedido.

  • Exemplo de instrução curta que inclui uma breve explicação: “Obrigada, estás a fazer um óptimo trabalho com os legos. Agora, eu preciso mesmo da sala arrumada, porque vamos receber os avós para jantar. Arruma os legos, por favor.” E isto envolve a Comunicação Não-Violenta!

“Esforce-se por dar instruções claras, curtas e concisas. Manter os olhos nos olhos da criança também ajuda. Se tem alguma explicação a dar com a ordem, deve ser breve e oferecida antes de dar a ordem, ou depois da criança obedecer.” (idem)

Instruções claras

Regras vagas não definem claramente o que se pretende, e acabam por ficar sujeitas à livre interpretação da criança. Seguem alguns exemplos de ordens pouco claras:

  • Tem cuidado“;
  • Sê simpático“;
  • Porta-te bem“;
  • Pára com isso“;
  • Olha o que estás a fazer
  • (…)

Estes exemplos devem ser seguidas de algo mais específico, para transmitir à criança especificamente o que se pretende que ela faça. Ao mesmo tempo, estamos a enviar informações ao seu cérebro, que evoca a imagem referente ao que se está a dizer, para processar a informação fornecida.

  • Exemplo: uma criança sobre um escorrega. Seguida da instrução “Tem cuidado“, deve-se seguir, explicitando o comportamento que desejamos: “segura-te bem!“.

Outro exemplo de instruções pouco claras, são aquelas que contêm comentário descritivo (que se focam no que está a ocorrer de mal ou errado) ou que indiciam /incluem crítica.

  • Exemplo: “Estás a entornar o leite todo! Olha para o que estás a fazer!” Se a criança entornou o leite, é porque não sabe, de facto, o que poderia ter feito para o evitar. Este comentário, por muito habitual que surja aos pais, não adiciona nada de novo nem construtivo naquele momento de tensão para a criança.
  • Exemplo ao invés: uma instrução clara como “Segura o copo com as duas mãos, assim seguras melhor no copo“, pode fazer toda a diferença e transmite à criança que os pais têm confiança nas suas capacidades (o que influencia na autoconfiança da criança, também).

De volta aos exemplos, completando-os:

  • Tem cuidado” – “segura-te bem ao subires as escadas“; “Olha em frente quando andas“;
  • Sê simpático” – “Por favor, cumprimenta as pessoas quando te dizem bom dia“;
  • Porta-te bem” – “Mantém-te perto de nós“; “Respeita os teus irmãos“; “Cumpre o que a avó te disser que tens de fazer“; “Quando quiseres brinquedos emprestados, fala por favor“.
  • Pára com isso” – “Mantém os pés no chão, por favor.“; “Não te estou a perceber, preciso que falas normalmente comigo“; “Preciso que falas mais baixo para poder ouvir a tua irmã“;
  • Olha o que estás a fazer” – “Segura o copo com as duas mãos“; “Quando comes, olha para os teus talheres“.

Instruções na paz

Resistam à tentação de ralhar.

Sim, isso envolve um esforço tremendo… ninguém disse que ser pai e mãe era fácil! Mas os pais são os adultos da relação e devem pôr à prova as suas heróicas capacidades super-parentais!

Será fácil compreender que os pais tendem a encorajar uma reacção hostil ou de desobediência, quando dão instruções muito irritados e ao incluírem críticas ou comentários negativos. O sarcasmo inclui-se neste lote.

  • Exemplos de comentários que incluem crítica: “És sempre a mesma coisa!“; “Nunca fazes nada de jeito!“; “Pelo menos desta vez conseguiste, ao contrário do que te é habitual.“; “Finalmente, estava a ver que nunca mais conseguias!“.

Claro que este tipo de comentários, nada mais é do que uma forma dos pais darem vazão à sua frustração, por repetirem vezes sem conta as instruções e/ou verem os seus filhos a não cumprirem o que lhes pedem, por razões diversas. E este tipo de comentários trazem um sentimento expresso, que é transmitido à criança e que, por sua vez, é tão importante (o sentimento) como as palavras específicas utilizadas!

O que daqui pode ocorrer: “a criança que se apercebe dessa frustração pode optar por não obedecer, retaliando, dessa forma, a sua crítica.” (idem).

“Evite criticar os seus filhos quando lhes dá uma ordem [instrução]. As ordens negativas levam-nos a sentirem-se incompetentes, colocando-os na defensiva e menos dispostos a obedecer. A auto-estima das crianças deve ser considerada pelo menos tão importante quanto a obediência. As ordens devem ser expressas de forma positiva, educada e respeitosa.” (idem)

Instruções Positivas

Instruções positivas são as que se centram no comportamento correcto que queremos ver seguido pela criança. Um exemplo oposto a este tipo de instruções, são as que se centram e destacam o comportamento errado, com contornos de crítica. Exemplos:

  • Pára de gritar” Vs. “Fala normalmente para que eu te possa perceber“;
  • Não faças isso” Vs. “Pinta só no papel, por favor“;
  • Larga isso” Vs.  “Pousa isso, por favor“;
  • Cala-te” Vs. “Fala baixinho” ou “É a minha vez de falar, escuta-me por favor.”
  • Pára com isso” Vs. “Neste sítio é necessário que pouses o tambor.”

A simples explicação da vantagem de usar instruções positivas, foi avançada por psicólogos do desporto, que chegaram à conclusão de que, se um treinador disser aos seus jogadores “não atires a bola rápido“, é justamente isso que os jogadores tendem fazer. E isso não se deve a teimosia ou teste à paciência, mas sim porque foi essa a imagem que as palavras do treinador transmitiram, levando os jogadores a visualizarem-na nas suas mentes.

O cérebro, para processar informação, visualiza exactamente o que lhe é transmitido, para depois realizar a necessária operação.

Exemplo: não pensem num elefante branco! Acabaram de visualizar um elefante branco, certo?

“Vale a pena (…) dar ordens positivas, realçando o comportamento que se deseja por parte da criança. (…) Sempre que o seu filho faz alguma coisa que não gosta, pense num comportamento alternativo desejável e depois formule a ordem, sublinhando esse comportamento positivo.” (idem)

Instruções coerentes

O mesmo será dizer que se deve fazer um esforço por manter uma instrução dada pelo outro progenitor, evitando ordens contraditórias. Na azáfama do quotidiano, é frequente cada elemento do casal ter as tarefas distribuídas entre si e nem sempre estarem ao lado um do outro quando as crianças lhes pedem algo. Também é comum as crianças solicitarem o mesmo a ambos os pais, no sentido de perscrutarem quem lhes favorece a autorização.

Se existir, com frequência, instruções contraditórias entre educadores, pode ocorrer um aumento da conflituosidade na família, ao mesmo tempo que, sem querer, se deslegitima a figura de coerência dos pais.

“É importante (…) que os adultos prestem atenção e dêem apoio às ordens dadas por cada um deles. Assegure-se também que as crianças acabam de cumprir uma ordem dada por uma pessoa, antes de as mandar fazer outra coisa.” (idem)

Instruções previsíveis

Imaginem que estavam a ver a vossa série favorita na televisão e a vossa criança irrompe pela sala a pedir a vossa ajuda para ir à casa de banho. Nesse momento, sentem-se eventualmente contrariados/divididos por terem de parar de ver o episódio que tanto prazer vos estava a dar.

Com as crianças é muito parecido e com maior intensidade, porque nem sempre compreendem a lógica de terem de parar algo que lhes é deveras prazeroso. Ademais, geralmente protestam por ainda serem imaturos na sua gestão da frustração e auto-controlo.

Para que as instruções ganhem colaboração, sempre que possível, deve-se dar um aviso prévio à criança, o mais específica possível. Isto ajuda as crianças a prepararem-se mentalmente para a transição, ao mesmo tempo que lhes transmite segurança e conhecimento sobre o que se vai seguir. Exemplos de instruções previsíveis:

  • Daqui a cinco minutos são horas de arrumares os brinquedos“;
  • Faltam 10 minutos para comer a sopa. Quando o despertador tocar, vem para a mesa comer“.
  • Quando esse episódio de desenhos animados terminar, está na hora de desligar a televisão.”

Nestas instruções, também se pode acolher pedidos ou preferências das crianças. por exemplo: “Mas mãe, faltam só duas páginas!” Se o tempo que falta de leitura, for conciliável com o tempo da execução da ordem, pode-se acolher, dizendo: “Está bem, então quando terminares essas duas páginas, vem para a mesa comer“.

“É mais provável que se consiga obter a colaboração dos seus filhos se for sensível aos seus desejos e lhes conceder algum tempo, do que se exigir obediência imediata.” (idem)

Instruções realistas

Por fim, mas não menos importante, são as instruções realistas, ou seja, as ordens que sejam apropriadas à idade e capacidade das crianças.

Uma instruções deve ter por base a convicção realista e adequada de que a criança é capaz de a executar com êxito. Caso contrário, pode resultar num sentimento de incapacidade e fracasso por parte da criança, gerando-lhe imensa frustração e vontade de desistir antes de voltar a tentar (incumprindo).

Ufa!

Parabéns pelo esforço! Leu o texto até aqui!

Espero que este texto vos traga imensa informação útil. Faço votos de uma semana super positiva e repleta de bons ensinamentos.

Até breve,

Joana Madureira

 


BIBLIOGRAFIA

Webster-Stratton, C. (2016). Os Anos Incríveis – guia de resolução de problemas para pais de crianças dos 2 aos 8 anos de idade. Braga: Psiquilíbrios Edições.

 

Artigo por Joana Madureira

Mulher e Mãe de duas crianças. Psicóloga e Formadora Facilitadora em Parentalidade Consciente Mentora da marca registada SCHOLA - Educar para a Felicidade.

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