[psicologia] Dicas de vínculo para pais sem tempo

Quantos de nós já desejou ter mais tempo para estarmos com os filhos? Mas estarmos MESMO de corpo, coração, alma, cabeça, sem pensarmos em mais nada, apenas usufruirmos do milagre que criamos e da bênção que temos?

Não deixam saudades aquelas alturas, depois da escola e do nosso trabalho, em que chegamos a casa e ainda temos mil-e-uma coisas para tratar, e o que conseguimos ouvir é um constante “mamã, mãe, mami, oh mãenheeee”…

Quantas vezes lhes respondemos, sem olhar, “já vou” (e nunca mais vamos), “Agora não posso!”, “Pára de me chamar!” e o típico “Vais-me gastar o nome!!!”. Pois é. Estamos no mesmo espaço físico que eles, saturamo-nos de ter de dividir a atenção, mas, em rigor, não estamos MESMO com os nossos filhos… e só quando os filhos adormecem e nós terminamos as tarefas daquele dia infindável, é que pensamos: “céus, como está tão crescido(a)… e nem me lembro da ultima vez que o(a) peguei ao colo”. “Hoje nem tive tempo para ele(a)”…

Gerir uma família e um orçamento doméstico, são tarefas hercúleas. Mas nem sempre usufruímos da família durante esse processo. Então, aqui fica uma dica para pais sem tempo aumentarem o vínculo com os seus filhos – envolver os  filhos nas nossas tarefas, partilharmos com eles tempo e responsabilidades, eles vão se sentir tidos e importantes.

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Dicas para trabalhar o vínculo todos os dias

– Se trabalha em casa, estipule um horário que seja só seu e do(a) seu filho(a), todos os dias da semana, sempre à mesma hora, ou a uma hora que ambos determinarem diariamente. Não interessa se estiver “a ruir o mundo” (sentido figurado). Aquele momento é seu e do seu filho. Cumpra-o e honre-o.

– Se houver liberdade para escolherem o que vão fazer, deixe-o escolher, ou definam à vez cada um. Use a imaginação, a criatividade e materiais recicláveis, por exemplo!

– Se trabalhar fora de casa e só vir o(s) seu(s) filho(s) ao fim do dia, mostre genuinamente entusiamo quando o vê! Colocar-se ao mesmo nível dos olhos dele e abraça-lo com vontade, pode ser “reconectante”;

– Utilize o tempo do trajecto para casa (e de manhã de casa para a escola) para escutar muito o seu filho, ou, se ele não tiver com vontade, coloque as suas musicas preferidas e cantem juntos as letras! Alternativa, procurem fazer associação livre, sem certos nem errados, simplesmente digam o que vos vem à cabeça ou inventem novas palavras. Isto geralmente induz risadas pelo inusitado, mas também ajuda a criança a apelar e a estimular a sua vertente criativa;

– Quando estiver a fazer tarefas domésticas que exijam estar parada num sítio (passar a ferro, lavar, cozinhar, etc.), peça-lhe que venha fazer um desenho ao seu lado, próximo de si;

– Quando as tarefas domésticas o permitirem, envolva-o nela e peça a sua ajuda: por exemplo, para cozinhar, prepare tudo antes de o chamar (descascar, lavar e cortar são tarefas demoradas e as crianças ficam impacientes, pelo que deve fazer antes e sem a criança) e peça que o seu filho venha juntar os ingredientes consigo (esta é a parte mais divertida) e, das próximas vezes, pergunte se ele se lembra quais os ingredientes necessários, quais as quantidades e ordem de introdução; estender roupa: peça-lhe ajuda para procurar os pares das meias; fazerem a cama juntos, um de cada lado; Pedir para ajudar a pôr a mesa;

– Tomem banho juntos! Peça para ele lhe lavar as costas ou os pés, pode ficar surpreendida com uma bela massagem nos pés ou verificar que ele já quer ensaboar-se sozinho, imitando o seu exemplo;

Interesse-se realmente por aquilo que ele lhe mostra, lhe diz ou faz. Não responda simplesmente “que bem!”. Pergunte o que ele está a fazer, porquê, se gosta, quem lhe ensinou, etc. Observe! Faça comentários do que vê, mas sem adjectivar (“que bem que desenhaste o vestido” em vez de “que lindo vestido”, por exemplo), permita que ele se exprima e sinta que os pais realmente se interessam!

– Peça a opinião dele na escolha das vossas roupas para o dia seguinte! Envolva-o nessa rotina;

–  Leia uma história antes de dormir, ou faça-lhe uma massagem dos pés à cabeça antes dele adormecer e questione o que ele mais gostou de fazer nesse dia (e certifique-se que vão 20 minutos mais cedo para a cama para esse efeito);

– Procure sempre comunicar de forma gentil com o seu filho, especialmente se só está com ele ao final do dia. Comportamento gera comportamento, e não podemos exigir aos nossos filhos que falem connosco se não lhes falarmos dando o exemplo;

– Procure falar sempre olhos nos olhos, com um sorriso, ame-o e mostre-lhe que o ama com o seu olhar;

– Se tem mais do que um filho, pratique o “dia do filho único“, uma sugestão da autora Magda Gomes Dias (2015), em que é suposto periodicamente estipular um dia, ou meio dia, exclusivo para estarmos apenas com um dos nossos filhos. Pode ser ele a escolher o que quer (e convém que seja fora de casa, fora da bolha de conforto), ou ser previamente escolhido por ambos de entre um conjunto de opções. Com esta opção, o pai e/ou a mãe querem permitir-se a si e ao seu filho um momento só dele, sem os irmãos a interromper ou a dividir a atenção, proporcionando conversas, cumplicidades esquecidas, ou actividades divertidas que fortaleçam o vínculo. Cada filho é diferente, cada um merece o seu espaço.

– Quando o deitar, ou quando ele estiver a adormecer, diga que o ama! Nós sabemos que os amamos, mas nem sempre o transmitimos de forma explícita. E mais importante que os amarmos, é eles sentirem-se verdadeiramente amados.

Atrevam-se a experimentar. Até se tornar rotina, é necessário todo um processo. Mas o mais importante é partilharem momentos juntos e tornarem as lides domésticas menos penosas (para nós adultos), ao conseguirmos a compreensão, presença, ajuda e interesse do(s) nosso(s) filho(s) pelo que estamos a fazer e a sentir(em)-se importante(s) porque lhe(s) pedimos ajuda.

Ah, e sugiro que deixemos o perfeccionismo de lado. Para eles é uma tarefa meio-a-sério, mas nós devemos encarar quase como um faz-de-conta. O que conta não é ficar bem feito. É termos partilhado momentos juntos.

Até breve!

Joana Madureira

 


BIBLIOGRAFIA:

Dias, M. G. (2015). Crianças Felizes – O guia para aperfeiçoar a autoridade dos pais e a auto-estima dos filhos. Lisboa: A Esfera dos Livros.

Artigo por Joana Madureira

Mulher e Mãe de duas crianças. Psicóloga e Formadora Facilitadora em Parentalidade Consciente Mentora da marca registada SCHOLA - Educar para a Felicidade.

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