[amamentação] Confia no super-poder da amamentação

Ou… O Segredo da Positividade para Desbloquear Dificuldades na Amamentação

Tip #1 (3)*CAM – Conselheira de Aleitamento Materno

Tenho vindo a constatar que para uma mulher conseguir amamentar pelo tempo que deseja, mais do que perceber quais são os benefícios e como tudo funciona, ela precisa de estar rodeada de CONFIANÇA – confiar em si mesma e no seu bebé, confiar no seu corpo e instinto e sentir a confiança daqueles que a rodeiam na sua capacidade.

Por que conheces tantas histórias de insucesso na amamentação, entre mulheres que o queriam tanto?

Primeiro é importante ter em consideração que quem mama é o bebé. Falamos muito da amamentação na perspetiva da mãe, mas, na realidade, a mãe só precisa de estar totalmente disponível para o fazer sempre que o bebé quiser. E aqui pode residir, desde logo, uma dificuldade. Estar totalmente disponível, para algumas mulheres, é incapacitante e desperta um sentimento de “prisão” por terem um bebé que depende inteiramente delas para quase tudo. Pode ser esmagador.

Mas quem mama é o bebé, por isso grande parte do que acontece no processo da amamentação depende dele. Um recém-nascido de termo e saudável nasce com todos os instintos e reflexos necessários para mamar, mas há um processo de aprendizagem também. Esse processo pode ser condicionado por vários fatores e, por isso, alguns bebés o fazem tão bem desde o primeiro dia e outros podem precisar de muito mais tempo e ajuda.

Se lhes for dado tempo suficiente (em alguns casos, algumas semanas), com a ajuda adequada logo que possível, e o acompanhamento efetivo para que as estratégias usadas sejam “amigas da amamentação”, eles conseguem chegar lá! É só preciso confiar e ser paciente. O tempo do bebé acaba por chegar.

As dificuldades que estes bebés tenham em mamar podem ser um verdadeiro desafio para todos, em especial para eles mesmos e as mães. É essencial perceber qual o motivo por trás das dificuldades do bebé e da mãe para poder ajudá-los. É isso que uma conselheira de amamentação ou uma consultora fazem. Observar para encontrar a fonte do problema. E dar apoio prático e emocional.

Para muitas mulheres a amamentação é um desafio porque não controlam aquilo que o seu corpo faz nem o que o bebé faz e/ou é capaz de fazer. É um processo que exige delas confiança em si mesmas e no bebé. Confiança na capacidade. E essa confiança está fraturada na própria sociedade, é cultural.

A mensagem que recebemos é a de que o corpo da mulher não é suficiente. Precisamos de ajuda externa para manter uma gravidez, para fazer um bebé nascer e para o alimentar porque o leite materno “pode” não ser suficiente. São mensagens negativas. De incapacidade.

“Talvez o teu leite não seja bom.” “O teu leite não chega.” “O bebé precisa de suplemento porque com o teu leite não aumenta de peso.” “Experimenta dar-lhe um bocadinho de suplemento porque pode ser fome.” Estas mensagens, que podem vir de profissionais, familiares, amigos e das próprias mães, podem ser absolutamente avassaladoras para uma mulher que quer amamentar o seu bebé. Muitas vezes são o suficiente para quebrar a pouca confiança que resta, quando ditas num momento sensível.

É muito importante desconstruir crenças limitadoras. Não só nas mães, mas na sociedade em geral e nos profissionais que trabalham com bebés e mães.
A gravidez é um excelente período para trabalhar todas estas crenças ligadas ao parto, à amamentação e à maternidade, não só porque 9 meses dão-nos tempo suficiente para tal, mas também porque as mudanças que estão a ocorrer no cérebro da mulher facilitam esta desconstrução. Ser mãe muda tudo, costuma dizer-se. Mas muda TUDO mesmo. Não é só o corpo e a vida que mudam; o cérebro muda! A mente muda!

A neurociência tem descoberto que o cocktail massivo de hormonas a que uma mulher está exposta durante a gravidez prepara o cérebro para a maternidade, ajudando-a a lidar melhor com o stress e a sintonizar-se com as necessidades do bebé.
Os cientistas também descobriram que as mães que amamentam são mais sensíveis ao choro dos seus bebés, o que pode ter a ver com níveis mais elevados de ocitocina (a hormona do amor), que se eleva sempre que o bebé mama.

Tenho tido oportunidade de trabalhar com casais em sessões de esclarecimento pré-natais e acompanhamento no pós-parto, e é maravilhoso ver como isso se reflete nos níveis de confiança depois do bebé nascer, bem como na maior noção de capacidade de amamentar e ultrapassar possíveis dificuldades que surjam.

O PODER DO PENSAMENTO POSITIVO

A Beatriz (do Blog a 8) é mãe de dois meninos e contou-me como se sentiu insegura após o nascimento do primeiro filho e como as pessoas à sua volta também questionavam a sua capacidade como mãe. Teve muitas gretas, um mamilo pouco saliente que dificultava a pega do bebé, e na maternidade ofereceram-lhe mamilos de silicone. Apesar de tudo isto, ela amamentou o primeiro filho até aos dois anos. Como é que isso foi possível?

Segundo uma revisão sistemática de 2010, os fatores que influenciam a decisão de amamentar são: 1) intenção de amamentar, 2) consciência da capacidade de amamentar (auto-eficácia) e 3) apoio social. (Factors that positively influence breastfeeding duration to 6 months: a literature review, 2010)

Irei focar-me no ponto 2. Foi Albert Bandura, psicólogo canadense e presidente da Associação Americana de Psicologia (APA), quem desenvolveu a teoria da auto-eficácia.

Lake Granada ismeant for relaxation. Couples and families come to bond, cozyup by the fireplace,and enjoy the beautiful scenery. (1)

Quanto maior a consciência de auto-eficácia na amamentação (“Eu sou capaz de amamentar o meu bebé”), maior a capacidade de aplicar o esforço necessário para o fazer, especialmente se surgem alguns desafios. Quanto menor a consciência de capacidade (“Eu acho que o meu leite não chega”, etc.), menor a capacidade para aplicar o esforço necessário e obter sucesso.
As pessoas com elevada auto-eficácia acreditam que conseguem lidar com as dificuldades da vida e vencer obstáculos. Pessoas com baixo nível de auto-eficácia sentem-se incapazes de lidar com os problemas, não confiam na sua capacidade, desistem facilmente, vêem as dificuldades como ameaças (“Tenho medo que o meu bebé passe fome se eu insistir na amamentação”, por exemplo.)

Num estudo feito no Japão, em 2008, chegou-se à conclusão que promover a auto-eficácia na amamentação no pós-parto imediato pode reduzir a percepção materna de insuficiente produção de leite e a descontinuação prematura da amamentação ou introdução de suplementos. (The relationship between breastfeeding self-efficacy and perceived insufficient milk among Japanese mothers, 2008)

Como aumentar a consciência de capacidade (auto-eficácia) na amamentação?

Lake Granada ismeant for relaxation. Couples and families come to bond, cozyup by the fireplace,and enjoy the beautiful scenery. (2)Lake Granada ismeant for relaxation. Couples and families come to bond, cozyup by the fireplace,and enjoy the beautiful scenery. (3)

A Beatriz descreve-se como uma pessoa “muito teimosa e persistente”. Quando chegou a casa depois da alta da maternidade, decidiu que “já estava farta” dos mamilos artificiais e começou a pôr o bebé à mama sem eles. Quando o pediatra disse que talvez precisasse de suplemento, ela afirmou: “filho meu não toma suplemento, eu hei-de conseguir”, “eu sei que tenho leite suficiente”. Contou-me que encarou a amamentação como um verdadeiro desafio mental, essencial para se conseguir sentir “mãe”, já que o parto não tinha corrido como queria.

Por que afirmar e visualizar uma ação que desejas aumenta a tua capacidade para a concretizar?

Norman Doidge, um psiquiatra canadense, psicoanalista e autor do best-seller internacional O Cérebro Que Se Transforma, descreve algumas das mais recentes descobertas da neurociência. Doidge diz que podemos mudar a anatomia do nosso cérebro simplesmente usando a imaginação. Cada pensamento altera o estado físico das sinapses. A um nível microscópico, as afirmações e visualizações mudam o nosso cérebro.

Ele explica que, do ponto de vista neurocientífico, imaginar uma ação e concretizá-la na prática não é assim tão diferente como parece. Quando imaginamos algo e o realizamos, são ativadas no cérebro as mesmas regiões. Isto explica por que é a visualização e as afirmações positivas podem melhorar o desempenho.

Se uma mãe visualizar e afirmar diariamente que consegue amamentar o seu bebé por todo o tempo que desejar, que consegue produzir todo o leite necessário, etc. isso aumenta a sua capacidade de o fazer (desempenho) e a sua consciência de capacidade.

As afirmações constroem-se no presente, na positiva e na primeira pessoa, e significam a realidade que queremos para nós, para a nossa vida, mesmo que ainda não seja totalmente verdade. Afirmar algo, diariamente, muda a tua perspetiva, as tuas crenças e isso influencia tudo o que te rodeia. Para veres exemplos de afirmações positivas para a amamentação, clica aqui

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Para terminar, proponho um exercício: constrói a TUA afirmação positiva.

1- Escreve uma preocupação/dúvida que tenhas em relação à amamentação atualmente.

Exemplo: Eu tenho medo de não conseguir retirar o suplemento e amamentar em exclusivo.

2- Escreve a realidade que gostarias de substituir por essa preocupação/dúvida.

Eu gostaria que o meu bebé fosse amamentado em exclusivo e crescesse de forma saudável.

3- Escreve uma afirmação na primeira pessoa, na positiva e no presente que expresse essa realidade.

A cada dia torna-se mais fácil alimentar o meu bebé só com o meu leite.

4- Escreve vários post-its com a TUA afirmação e coloca-a em locais estratégicos do teu dia, para a ires repetindo.

A Cristina foi uma mãe que acompanhei e a quem sugeri este mesmo exercício e que recentemente me deu o seu feedback acerca dele:

afirmaçoes positivas

Este artigo é um resumo da minha apresentação no I Congresso Internacional da Mente e Lei da Atração. Se tiveres questões e/ou quiseres aprofundar este tema, por favor contacta-me através de filipasantos@amamenta.net.

Filipa dos Santos | www.amamenta.net | www.amamentaporto.com

Artigo por Filipa dos Santos

Conselheira em Aleitamento Materno | Assessora de Lactação | Doula de Parto e Pós-parto | Consultora de Babywearing | Fundadora da Rede Amamenta

Este Artigo tem 1 comentário
  1. […] abalada durante a estadia hospitalar. (14)  Escrevi mais sobre este assunto para o Blog a 8: “Confia no Super-Poder da Amamentação”. Ao introduzir suplemento, especialmente sem que haja certos cuidados, a frequência das mamadas […]

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