[trabalho e família] As férias escolares: sonho ou pesadelo?

Esta semana foi conhecida a proposta do Governo para o calendário escolar do próximo ano letivo. Quando vi a notícia pensei, imediatamente, em todos os Pais e Mães que têm que descobrir o que fazer com os Filhos durante esses longos períodos.

Eu lembro-me de, quando era miúda, as férias serem tempos felizes. Fazia o que me apetecia, brincava o dia todo, aproveitava cada dia. Mas os tempos eram, definitivamente, outros. A minha Mãe estava em casa. E imagino que muitas das Mães dos meus vizinhos também, porque me lembro de brincar com eles durante as férias.

Mas, hoje em dia, são cada vez menos as Famílias que não precisam de se preocupar com este assunto.

Façamos as contas.

Cada trabalhador tem 22 dias úteis de férias. As férias escolares duram cerca de 76 dias úteis (isto sem contar com as greves que todos os anos fazem parar as escolas!). Ora, mesmo nos casos em que ambos os Pais estão presentes no dia a dia das crianças, e imaginando que a Família nunca passaria férias junta (que, para bem da Família, não é, de todo, aconselhável), daria no máximo, 44 dias úteis.

Ora, imaginando que, por um lado, mesmo que a moda do Primeiro Ministro babysitter pegasse, o Palácio de S. Bento não é grande o suficiente para lá deixarmos todas as nossas crianças e, por outro lado, as Famílias procuram passar férias juntas, isso significa que são muitos dias para ocupar as crianças e jovens de férias, com os Pais fora o dia todo.

Não podendo deixá-las sozinhas todo o dia, nem levá-las para o trabalho, é preciso encontrar o que fazer às crianças durante estes períodos. O mais normal é os Pais optarem por ATL’s, cursos de Verão e afins, que nem sempre proporcionam tempos de verdadeiro lazer, acabando por estender o formato de aulas que os alunos já têm o ano todo e do qual, precisam, de facto, de uma pausa. Além disso, são sempre um peso acrescido no orçamento familiar (normalmente diretamente proporcional à qualidade das experiências que fornecem!).

E também não é praticável que os Pais tenham direito aos mesmos de férias que os Filhos. Grande parte das empresas pararia em Julho e Agosto…

Por isso, é urgente encontrar-se soluções! Para os dias de férias. Para os bebés e crianças desde os 4 ou 5 meses, até aos 4 anos. É fundamental criar condições para que a vida familiar e profissional não esteja em rota de colisão.

Esse é, na minha opinião, o único caminho para que os incentivos à natalidade sejam, de facto, reais, palpáveis e que produzam algum tipo de efeito!

Contem-me lá, como resolvem vocês a questão das férias dos vossos Filhos?

Artigo por Carina Pereira

Mãe de dois rapazes, Gestora e Blogger Defensora dos direitos das crianças e pais para uma parentalidade positiva e consciente Mentora de Petição Pública para Alargamento da Licença de Parentalidade

Este artigo tem 2 comentários
  1. Bom dia Carina,
    Gostei do seu artigo e da sua reflexão.
    Considero fundamental a atividade de alguns ATL e Centros de Estudos que criam um espaço de aprendizagem e lazer muito importante para as nossas crianças. Por via do acréscimo ao nosso orçamento familiar deveriam estas atividades serem isentos de IVA. Apresento o link para conhecimento e caso concorde assine e divulgue. A propósito de centros que recomendo o Pé Direito e a Inês Neves, em Oeiras, tem excelentes programas e um ótimo acompanhamento e um espaço que vale a pena conhecer.

    http://peticaopublica.com/mobile/pview.aspx?pi=PT85445

    • Carina Pereira diz:

      Bom dia João,
      Muito obrigada pelo seu feedback.
      Irei ver com cuidado a petição que me envia. Considero fundamental que existam condições para as famílias conseguirem conciliar a vida familiar e profissional (gostava que essas condições incluíssem ter mais tempo para a Família, mas o assunto que refere é, também, muito importante).

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