[enfermagem] Sim, sou Enfermeira!

Já fui enfermeira de centro de saúde e já fui enfermeira de hospital. De urgência e de maternidade. Até já fui enfermeira “tapa-buracos”.

No entanto em todos os sitios por onde passei havia coisas incontornáveis: a minha sede de aprender, a minha capacidade de absorver o que se passa à minha volta, a minha preocupação e o meu respeito pelos pacientes.

Já fui agredida e já fui presenteada. Já me elogiaram, já me ignoraram, já me agradeceram e já me faltaram ao respeito.

Já dei noticias maravilhosas, e ajudei a dar diagnósticos terríveis. Tive situações fáceis, outras muito difíceis de digerir. Vi famílias felizes, e vi crianças maltratadas. Vi morrer pessoas, e vi nascer (muitos!) bebés!

Todas estas situações me trouxeram crescimento e sabedoria. Aprendi a rir e a chorar, e aprendi que isso não faz de mim pior profissional, pelo contrário, aproxima-me das pessoas.

Aprendi que a verdadeira empatia tem um preço, que muitas vezes, colocar-se no lugar do outro pode doer! Mas o que recebemos de volta, tem um valor incalculável.

Aprendi que olhar o outro sem julgar (mesmo nas situações mais difíceis!), vale ouro, e só assim poderemos ter uma oportunidade de fazer a diferença…

Já fui muito feliz no trabalho, já fui pacífica, já fui rebelde e já me revoltei. E quando me revoltei, saí.

Já soube exactamente para onde queria ir, e já me senti completamente perdida.

E hoje, um ano depois, volto a encontrar o meu rumo. Volto a ter a certeza de o meu caminho é este, mesmo que a estrada, tão diferente da “habitual”, seja incerta.

Ser enfermeira também é isto: viver altos e baixos, querer lutar ao mesmo tempo que se quer desistir, e no entanto, continuar na certeza de que Ser Enfermeiro é fazer a diferença na vida de alguém a cada dia que passa!

Artigo por Cátia Godinho

Enfermeira Pediátrica | Consultora de babywearing | mãe

Este Artigo tem 1 comentário
  1. Ana Sara Daniel diz:

    Sou enfermeira e revejo-me muito. Também já saí da enfermagem e já voltei a entrar por gostar mesmo da abordagem integral da pessoa que esta profissão permite. Tive de procurar outros contextos e outras formas de trabalhar. A Cátia vê as coisas como Jean Watson preconiza: o ser-se de forma autêntica só promove um cuidar eficaz, apenas um encontro autêntico entre enfermeiro e pessoa permite um evento transformador… só sei estar nesta profissão de forma integral, de alma e coração. E com essa forma de estar levo no meu coração muitos sorrisos, muitos obrigados, muitas mudanças, mesmo quando o desfecho não foi o melhor. Toda a sorte, parece estar no caminho certo!

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