[amamentação] O meu bebé adormece sempre a mamar – e agora?

Um dos motivos mais comuns que leva as mães e pais a procurarem o nosso apoio na amamentação é terem um bebé (normalmente recém-nascido ou com poucas semanas) que adormece frequentemente durante uma mamada. Passados poucos minutos, começa a parar muitas vezes e faz pausas prolongadas.

 

As “técnicas” habitualmente recomendadas pouco ou nada resultam.

Por isso, este não é um artigo sobre como despir o seu bebé para ele “apanhar frio e acordar”, ou sobre como colocar compressas frias no corpo, mexer-lhe nas orelhas e nos pés ou mesmo apertar alguma parte do corpo “para provocar-lhe desconforto” – e, vamos chamar as coisas pelos nomes, magoar o bebé para que desperte. Os bebés são seres sencientes e merecem ser tratados com todo o respeito, delicadeza e cuidado! Quem lhe recomendar tal coisa, não percebe nada de apoio à amamentação.

 

O único problema associado ao facto de um bebé adormecer frequentemente numa mamada é demorar imenso tempo a sentir-se saciado, e poder, mesmo, adormecer sem ter ingerido todas as calorias necessárias para o seu crescimento e funcionamento do seu organismo.

 

Se tem um bebé que fecha os olhos e continua a fazer sucção e a engolir frequentemente, está tudo bem. Os bebés podem mamar de olhos fechados! Neste caso, não há que fazer nada nem precisa de se preocupar.

 

Se o seu bebé adormece e passa grande parte do tempo parado, alternando com algumas sucções superficiais e rápidas e muitas pausas prolongadas, então o melhor conselho é procurar apoio de um profissional com formação e experiência no apoio à amamentação para vos apoiar!

 

Os bebés tendem a adormecer (e fazer pausas prolongadas) à mama quando não conseguem retirar leite numa velocidade agradável. É isto que precisa de ser avaliado – por que é que o bebé não consegue extrair leite de uma forma contínua sem se cansar e adormecer rapidamente.

 

Os motivos podem ser vários. Desde imaturidade – e a imaturidade não existe só em bebés prematuros, pois os bebés podem ser imaturos mesmo após as 37 semanas, especialmente se o trabalho de parto não se iniciou de forma espontânea – até questões anatómicas. Um profissional com formação saberá identificar a fonte do problema e orientar sobre as melhores estratégias a adotar no vosso caso em concreto.

 

Reuni aqui algumas sugestões genéricas, que podem facilitar na maioria dos casos – embora não sejam suficientes, pois identificar a fonte da dificuldade é essencial.


Como pode começar, já, a ajudar o seu bebé?

 

  • Manter o máximo de contacto possível com ele, isto é, mantê-lo ao colo!

Ao seu colo, no colo do pai ou outra pessoa significativa. Quanto menos tempo ele passar no berço, melhor.

Biologicamente, os bebés só estão preparados para estar em braços. O organismo do recém-nascido não está fisiologicamente preparado para estar num berço ou noutra superfície.

Ficar no colo permite-lhe manter a temperatura corporal, manter os níveis de açúcar no sangue mais elevados e manter-se mais alerta e reativo. Também lhe permitirá, a si, perceber todos os sinais de que o seu bebé está a pedir para mamar. O choro é o sinal de alarme – é a sirene dos bombeiros a avisar de que há incêndio! Há muita comunicação prévia ao choro. Melhor se este contacto for pele-a-pele – o seu bebé pode ficar despido sobre o seu corpo ou de outro cuidador, e tapados, ambos, por uma manta. Transportar o bebé num pano/sling poderá ser muito útil.

 

  • Fazer contacto pele-a-pele durante as mamadas, pelo menos.

Um recém-nascido precisa de, pelo menos, uma hora e meia a duas horas de contacto pele-a-pele por dia. Isto irá ajudar o corpo do bebé a comunicar com o seu e o seu com o dele.

Até há pouco tempo, os vossos corpos estavam sempre em contacto e ligados por uma placenta e um cordão. A mama é como uma “placenta externa”. O seu peito é o cordão que vos mantém unidos. Em contacto um com o outro, o corpo da mãe e do bebé continuam a comunicar e o corpo da mãe responde às necessidades do corpo do bebé – tal como acontecia durante a gestação.

Os bebés mantidos em contacto pele-a-pele mamam mais vezes, mais eficientemente, mantêm-se mais reativos, são mais saudáveis, aumentam mais de peso e as mães produzem mais leite.

 

  • Procure posições para amamentar em que se sinta totalmente relaxada e confortável e em que o bebé fique em total contacto com o seu corpo.

Não existem posições certas e erradas. Tudo o que funciona para ambos é válido. Experimente recostar-se na cama ou no sofá e colocar o bebé sobre o seu peito – ele irá começar a procurar a mama quando sentir vontade.

Procure manter o bebé o mais encostadinho possível ao seu corpo. Os recém-nascidos vão à procura da mama com o queixo, por isso ajuda bastante posicionar o seu bebé um pouco mais abaixo em relação à mama, para que, ao levantar ligeiramente o pescoço, a encontre facilmente.

Quando o bebé agarra a mama olhando para cima, é fácil manter contacto visual com a mãe e é muito mais fácil respirar, sugar e engolir. Há bebés que adormecem muito a mamar simplesmente porque o queixo está demasiado encostado ao peito. Experimente encostar o seu queixo ao peito e vai entender porquê – é difícil respirar.

 

 

  • Fazer compressões e trocar de mama.

As compressões ajudam a aumentar o fluxo de leite e podem ser úteis se notar que o seu bebé faz muitas sucções superficiais e poucas profundas ou que, pouco depois de começar, deixa de engolir frequentemente. As compressões fazem-se mantendo uma pressão na mama enquanto o bebé suga, agarrando a mama em C, junto às costelas. Pode ir mudando a zona que pressiona.

Quando sentir que o seu bebé já não engole, mesmo fazendo compressões, e sentir que toda a mama está bem mais mole em relação ao início da mamada, pode troca-lo para a segunda mama. Mais fluxo irá desperta-lo mais. Se necessário, volte à primeira mama após este processo na segunda.

 

  • Experimente mudar de posição na mesma mamada.

As posições de rugby (foto 1) ou cavaleiro (foto 2) costumam ajudar bastante nestes casos e também ajudam o bebé a retirar leite de outras partes da mama com maior facilidade.

Existem muitas estratégias além destas – que só mediante avaliação presencial poderão ser aconselhadas. Quanto mais cedo procurar apoio, mais fácil será adotar as medidas adequadas a si e ao seu bebé em particular.

 

O seu bebé não é preguiçoso, só precisa de um pouco mais de ajuda e paciência!
Para ter apoio profissional na amamentação, poderá procurar a Amamenta mais próxima de si em www.amamenta.net/onde-estamos. Se não encontrar uma Amamenta no seu distrito, pode contactar através de www.amamenta.net/contacto

Artigo por Filipa dos Santos

Conselheira em Aleitamento Materno | Assessora de Lactação | Doula de Parto e Pós-parto | Consultora de Babywearing | Fundadora da Rede Amamenta

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