[pediatria] A febre

Febre talvez seja a queixa mais frequente em atendimento e consultório pediátricos. A febre, apesar de cercada de mitos e estigmas, é benéfica.

Consideramos febre a temperatura axilar acima de 37,8ºC associada ou não a outros sintomas como tremores, sudorese e extremidades frias.

Termómetros de mercúrio são mais fidedignos, porém, não mais comercializados pelo risco de contaminação. A melhor opção são os digitais (culturalmente usados na axila no Brasil; retal ou oral em diversos outros países). Termómetros digitais de testa ou ouvido são opções secundárias.

Febre não é emergência e nem doença, mas uma resposta saudável e esperada do sistema imunológico frente a um agente agressor (seja ele vírus ou bactérias). A elevação da temperatura corporal contribui para a libertação de diversas citocinas inflamatórias (sinalizações entre as células), importantes para a resolução do processo infeccioso. O organismo eleva a temperatura corporal, pois assim, esses agentes invasores não sobrevivem. Quando medicamos sem necessidade, apenas interferimos nesse processo de auto-cura do organismo e prolongamos o período de doença.

Então, quando medicar?

Diante de febre, mais do que se fixar em valores, observe seu filho. Medicina não é baseada em números apenas. Seu filho está ativo, brincando, tranquilo? Observe. Deixe que o processo de auto-cura da criança se estabeleça.

Ele está choroso, irritado, incomodado? Talvez seja necessário medicá-lo, uma vez que apesar do seu organismo estar respondendo a uma infecção, os sintomas o deixam extremamente incomodado.

Quando medicada, a criança pode demorar a ceder a temperatura. Além disso, nem sempre há uma normalização dos valores, apenas uma redução. O objetivo do medicamento não é “sumir” com a febre em si, mas diminuir o desconforto causado na criança.

O maior medo dos pais em relação à febre talvez sejam as crises convulsivas febris, no entanto, elas ocorrem em menos de 3% dos casos, não deixam sequelas e não estão sempre relacionadas com o valor da temperatura. No caso dessas crianças, devem ser acompanhadas por neuropediatra para decidir se há necessidade de investigação e medicações preventivas específicas.

E quando procurar o médico? Nas primeiras 24h de um quadro febril, na maioria das vezes o exame físico é normal e exames laboratoriais quando colectados não mostram alterações! Por isso que nós, pediatras, temos a “mania” de orientar reavaliar em 24 ou 48h. Ao iniciar febre, observe outros sinais e sintomas. Contacte seu pediatra para uma avaliação dentro de 48h do quadro idealmente, desde que sem sinais de alerta: prostração intensa, febre maior que 39ºC e mantida, não estar ingerindo líquidos ou vómitos frequentes. Lactentes menores de 3 meses devem ser avaliados antes, já que o processo infeccioso evolui mais rápido nessa fase.

Mais do que simplesmente medicar, aprenda a observar e saber quando intervir!

Artigo por Evandro Amorim

A saúde do seu filho está em boas mãos: as suas. Mas quando precisar de ajuda e orientação conte connosco! Medico Pediatra | Brasil | CRM/SC 17.363 RQE/SC 12.828

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