|mulher: o dia, o woman summit e a estupidez das coisas|

No dia internacional da mulher, desde que sou adulta, costumo tirar o dia para mim e visto vermelho. Não o faço para cuidar do meu exterior mas sim para cuidar do meu interior – porque me sinto particularmente triste neste dia; triste porque acho que a nossa sociedade (e não estou a falar apenas de Portugal, mas sim de todo o mundo ocidental) faz pouco para combater as desigualdades, seja das mulheres, das crianças ou até da raça.

Este dia que deveria ser lembrado pelas imensas desigualdades salariais, pelos desequilíbrios parentais, pelos desacertos na realização de tarefas domésticas, pelos preconceitos sexistas ou pela violência de género e é lembrado pela prenda ou pela flor que se recebe nesse dia. Em vez de se comemorar com jantares ocos com stiptease devia ser feito, como em França, uma marcha ou uma vigília por todas as mortes decorrentes da violência, das vítimas do casamento forçado, das violações e sexo não consentido e pela memória de todas as mulheres trans que sofreram nas mãos de bárbaros.

Nesse dia, agradeço, sempre ter nascido mulher. De ter o poder da liberdade. De ter conseguido sentir a germinação da vida, de ser suporte e alimento por dois anos dos meus filhos. Agradeço por ter conhecido um homem que respeita o meu ser individual e que divide as tarefas domésticas e a parentalidade comigo. Agradeço ter tido a força para ultrapassar as descriminações e a violência sobre mim infringidas. Agradeço de ter conhecido pessoas que me ajudam diariamente a construir o meu percurso de vida, tornando-o mais enriquecedor e feliz.

Mas não nos podemos esquecer que “na porta ao lado” alguém é vítima. Não nos podemos calar. Não podemos deixar de ser todos feministas. Homens e Mulheres. Porque o feminismo é de todos. É para a igualdade, para corrermos todos da mesma linha e sobretudo para chegarmos juntos à meta.

Hoje o nosso presidente da República condecora as ex-primeiras damas. Não obstante do trabalho feito por ambas, só se lembram das mulheres neste dia. Marcelo Rebelo de Sousa apenas tem uma mulher no Conselho de Estado. Em vinte pessoas apenas uma é mulher. Estamos em 2017, em Portugal.

Outro dos eventos que ocorreu em Portugal, no passado dia 7 e 8, foi o Woman Summit, no Porto. Não tive oportunidade de participar, por isso, não sei como foram os debates. Sei que a média dos trezentos euros (SIM, 300€!!) pela participação não é possível a participação a quem mais faz sentido estes debates. A causa das mulheres não pode ser apenas dirigida a elites nem a pessoas que possam pagar esse absurdo de preço! A causa das mulheres não pode ser nem deve ser dirigida a alguns, mas sim, deve ser a TODOS.

Por isso, à organização apenas dizer que continue a apostar no Porto. É no Porto que se começam as revoluções. Mas apostem em algo massivo. Eu comprometo-me a dar a cara e a impulsionar o evento até que a voz me doa. Comprometo-me a reunir as mulheres. Aquelas que dão o corpo às balas se for necessário pelo bem comum. Aquelas que se for necessário, enfrentam batalhões de guerra com as palavras. E obrigada, porque sei que o grande impulsionador do woman summit foi um homem.

Artigo por Bea

Mulher, mãe de dois rapazes, apaixonada por flamingos e completamente chocoholic. Adora ler, dançar, comer e experimentar coisas novas.

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