[terapia da fala] Idade dos porquês

Eu sou pequenino mas já sonho em grande. Eu sou pequenino mas vejo para além dos meninos como eu. Eu pergunto-me se, aí em cima, o vosso céu é infinito como o meu.

Eu gosto de comer gelados. Eu interpreto cada sabor, eu sinto os cheiros, eu abraço as texturas, eu derreto-me em cada arrepio glacial. Eu pergunto-me se, aí em cima, a vossa fome de viver é como a minha.

Eu ando descalço. Eu gosto de sentir o mundo, pele com pele. E eu não vejo cores, eu sinto pessoas. Eu pergunto-me se, aí em cima, a vossa crença no sentir é como a minha.

Eu gosto de dormir. Porque a dormir eu sonho e finalmente descanso dessa roda-viva que é sonhar acordado. Eu pergunto-me se, aí em cima, a vossa ânsia de voar é como a minha.

Eu queria ser grande. Eu queria ser maior do que os meus sonhos e chegar, um dia, aí a cima. Mas hoje, no alto dos meus biquinhos-de-pés, eu preferi continuar a ser criança. Gosto do que se vive aqui em baixo, gosto de comer gelados e de sonhar descalço. É isso. No fundo só preciso disso.

MBL

 

Artigo exclusivo para o bloga8. Para continuarem a ler todas as reflexões da Mariana Brito Lança, convido-o a seguir o Ponto de Rebuçado.

Seja o primeiro a comentar

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.