[psicologia] O poder dos sentidos

 

Já alguém viu o filme DragonFly – O poder dos Sentidos, do actor Kevin Costner? Por esta altura do Natal, recordo-me sempre desse filme. E explico-vos porquê…

Quando perdemos um ente querido, a saudade acompanha-nos ao longo do ano. Mas para quem costuma ter reuniões familiares periódicas, como o caso do Natal, o sentimento de perda agudiza e sente-se ainda mais a falta daquela pessoa.

Há quem diga que os maiores entusiastas do Natal, são as crianças, em particular pelo célebre momento de troca e partilha de presentes. Mas na minha família, havia uma pessoa adulta que era ainda mais entusiasmado por esse momento. O meu Tio Vasco.

O meu Tio Vasco adorava jogar tetris e colunas. Dizer que adorava, é pouco! Lembro-me da altura em que existiam pequenos jogos a pilhas, que transportávamos para qualquer lado. Eu e o meu tio tínhamos dois aparelhos de tetris iguais. Se houvesse algum nível que eu não conseguia passar, o meu tio conseguia. Canja.

O meu tio Vasco era jornalista desportivo e o futebol fê-lo viajar por todo o mundo. O meu tio trazia-me sempre postais dos países que visitava. Ainda os conservo.

O meu tio partiu muito cedo, com 45 anos. Cancro. Foi no ano de 2007.

No ano de 2012, nasceu aquele que viria a ser sobrinho do meu Tio Vasco, se ele ainda fosse vivo. Um pormenor: este sobrinho nasceu na mesma data (dia e mês) em que o meu Tio Vasco tinha nascido. Nunca se conheceram.

No Natal de 2015, o sobrinho do meu Tio Vasco tinha 3 anos e já tinha adquirido a competência da fala (tendo em conta a sua idade).

Na madrugada de Natal, quando já todos os presentes tinham sido distribuídos, este menino de 3 anos, disse, de forma audível, uma simples palavra: “VASCO?”.

A família inteira ficou em silêncio, pensativa. O menino retomou as suas brincadeiras sem mais.

No filme DragonFly – O poder dos Sentidos, do actor Kevin Costner, ele desempenha o papel de um Médico Cirurgião, que acabara de perder a sua mulher grávida, também ela Médica, em missão humanitária.

Ao longo de todo o filme, existem manifestações várias, sinais que qualquer pessoa mais lógica e concreta (como o próprio Médico-Cirurgião) atribuiria a delírios, alucinações e manifestação, ou a uma fase de negação da perda. Até que o actor decide pôr de parte toda a sua visão lógica, cingida a factos, e guiar-se pela fé e pelo poder dos sentidos.

Qualquer que seja a explicação lógica para aquilo que vos contei – tal como no filme do Kevin Costner “O poder dos sentidos” – gosto de acreditar que nem tudo se cinge a factos.

Como profissional, cinjo-me à ciência. Mas como pessoa, quero acreditar no poder da fé, na esperança de que nem tudo termina aqui e agora, e muito me conforta o sorriso no rosto quando me lembro de quem tanto gosto.

Sejam felizes.

Votos de BOAS FESTAS!

Joana Madureira

tio-e-prima

PS: Dedico este texto à minha Mariana Henriques, que perdeu o pai ainda na sua infância.

Artigo por Joana Madureira

Mulher e Mãe de duas crianças. Psicóloga, Formadora, Consultora de Recursos Humanos e Blogger Mentora da marca registada SCHOLA - Educar para a Felicidade.

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