[psicologia] Conheces a tua voz interior?

Chegados ao último mês de 2016, é muito habitual fazermos balanços sobre o ano que agora acaba: sobre as conquistas, sobre os riscos, sobre as perdas, sobre a nossa actuação nos vários papeis sociais, etc.

Durante este processo, apercebi-me da minha voz interior e da forma como eu me estava a avaliar. Alguma vez tomaram consciência da vossa voz interior?

boy

Durante este balanço que fazia ao meu ano, e ao me aperceber da forma como falava comigo mesma, lembrei-me da seguinte frase da Peggy O’Mara:

“The way we talk to our children becomes their inner voice”

Ou seja, traduzindo, “a forma como falamos com as nossas crianças, torna-se a sua voz interior“. Inevitavelmente, quer como profissional, quer como mãe, senti que a existência de uma voz interior acarreta algo mais complexo (subjacente) e o tema do amor próprio era algo que precisava de explorar.

Aquela frase da peggy O’Mara, levou-me a fazer duas análises. A primeira – a forma como eu comunico com os meus filhos; E a segunda (quantos de nós põe os filhos em primeiro lugar?) – tenho consciência da minha voz interior? O que caracteriza a minha voz interior? Mantém-se consistente ao longo do tempo? A minha voz interior é reflexo de quem e do quê?

Em diversos exercícios que fui fazendo, apercebi-me que a minha voz interior era, marcadamente, fruto da minha educação e das minhas vivências. Senti como se outro ego falasse comigo e reconheci algumas semelhanças com os meus educadores, mas também com discursos que fui ouvindo ao longo da minha vida.

Esta descoberta, tão simples, mas tão impactante na vida quotidiana, levou-me a pesquisar mais sobre amor próprio e auto-conhecimento, até que descobri a Psicóloga Diana Coimbra Gaspar e o seu curso de prática diária de “Amor Próprio“.

Numa Master Class privada da Diana, ela mencionava que, “num mundo que nos vende a ideia de que não somos importantes o suficiente, damos por nós a não saber como amar quem somos“. O elemento de mudança, é a descoberta da nossa voz interior, porque ela pode ser a nossa maior alavanca, ou o nosso ponto de (auto)boicote.

Este texto pretende proporcionar uma reflexão a todos os leitores, sejam homens ou mulheres. Deixo-vos 7 conceitos-chave (número de intensa simbologia!), adaptados do curso da Psicóloga Diana Gaspar:

  • Amor incondicional – conseguir perceber se gostamos de nós sem condições, metas ou limites; ou se estamos constantemente a desdenhar o que vemos em nós, o que somos, fruto das nossas crenças e vivências;
  • Voz interior – aquela “voz” na nossa cabeça que transmite uma determinada forma de percepcionar tudo à nossa volta, incluindo nós (mesmos);
  •  (Auto-)Confiança –  confiamos em nós, leva-nos a acreditar nas nossas capacidades e nas nossas qualidades e essas estão sempre alicerçadas no amor.
  • O meu corpo – que acaba por abordar o auto-conceito, juntamente com a capacidade de sintonia que temos com o  nosso corpo e os nossos ciclos;
  • Corpo de emoções – conseguir identificar o que sentimos, de entre toda a dimensão emocional que vive em cada um de nós;
  • Os outros – e a influência que têm na nossa forma de nos amarmos e na forma de nos relacionarmos;
  • Filosofia do auto-conhecimento – que permite aceder e compreender o amor que vive dentro de cada um de nós, tem um potencial incondicional.

Uma forma de explorarmos todos estes conceitos, é responder a algumas questões (adaptados dos exercícios de Diana Gaspar), e que vos deixo aqui, para vos ajudar a uma auto-análise. Para cada questão, basta registarem uma palavra, uma frase ou uma ideias simples:

  • Quando acordas de manhã e te levantas, o que sentes? O que é que te vem à cabeça?
  • Quando te olhas ao espelho, o que é que sentes/pensas?
  • Quando vês uma mulher bonita/homem bonito na rua, o que é que pensas / sentes?
  • Quando o teu chefe, ou alguém no teu trabalho te diz algo como crítica, o que pensas/sentes?
  • Quanto te dizem que estás bonita, o que é que sentes / pensas?
  • Quando sentes medo, o que é que te vem à cabeça?
  • Quando alguém te diz algo que não gostas, o que pensas/sentes automaticamente?
  • Quando te dizem que não és capaz, o que é que sentes, o que é que te vem à cabeça?

O que te virá à cabeça de forma imediata, será o reflexo da tua voz interior, o espelho daquilo que vives dentro de ti! Como tal, perante estas respostas, que serão o reflexo da tua voz interior, o que pretendes fazer? A tua voz, é uma voz que te permite estar bem contigo próprio(a), que potencia o melhor de ti? Ou é uma voz limitadora e condicionadora, que não te permite estares bem contigo?

No topo de todos estes conceitos-chave e de todas as tuas respostas, reside o poder das palavras (auto-critica ou auto-valorização = voz interior). Para implementares mudanças, é necessário sintonizares-te contigo e com o teu amor pessoal.

“Aquilo que sentes por ti está intimamente ligado ao que te disponibilizas a fazer.”

– Diana Gaspar

A sugestão é simples, mas exige uma reflexão e compromisso profundo connosco: mergulhar profundamente nas nossas emoções (identificando-as), transformar o nosso autodiálogo (o poder das palavras!), tornarmo-nos mais capazes de aceder ao nosso poder  e amor incondicional, através da nossa gestão emocional.

Se vocês também estão dispostos a fazerem esta auto-análise, deixo-vos com esta citação:

“És único(a) e especial. Não te esqueças que o teu bem-estar depende muito da tua autoaceitação. “

– Diana Gaspar

Até breve,

Joana Madureira


Barry, C. (2010). Palavras do Dalai Lama às Mulheres do Mundo – O futuro pertence às mulheres. Editora: Livros de Seda.

http://dharma5academy.eu/wp-content/uploads/2016/12/Workbook_AmorProprio.pdf

http://www.peggyomara.com/

Artigo por Joana Madureira

Mulher e Mãe de duas crianças. Psicóloga, Formadora, Consultora de Recursos Humanos e Blogger Mentora da marca registada SCHOLA - Educar para a Felicidade.

Este artigo tem 2 comentários
  1. […] cuja perda se dá em épocas ainda mais difíceis na vossa vida. Nunca esqueçam o poder da nossa Voz Interior, da nossa capacidade de Resiliência e da Felicidade dos momentos que passaram […]

  2. […] é véspera de Natal… Desejo-vos muito amor próprio e uma voz interior cheia de amor incondicional. Sejam a vossa melhor versão. Sejam […]

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.