[psicologia] Comunicação Não Violenta

Alguma vez pararam para (re)pensar na forma como comunicam com os outros? Já alguma vez fizeram uma questão que gerou má interpretação ou um comentário, ou uma reacção hostil do lado do receptor? E quando vos falam num tom reprobatório, como é que reagem?

Pois bem, hoje proponho-vos explorar um pouco sobre comunicação não violenta.Sim! Porque é possível que não se dê conta, mas muitas vezes o que dizemos (emissor), pode despoletar uma reacção defensiva do outro lado (receptor).

O autor do princípio da comunicação não violenta, Marshall Rosenberg, definiu-a como “tendo por base as ferramentas da comunicação que aumentam a nossa capacidade em sermos humanos, mesmo sob circunstâncias difíceis.” Ou seja, “mais racionais” e não tão “instintivos”.

Um dos primeiros reparos que se faz na maioria das comunicações, é a presença constante de avaliação. Por exemplo: “és sempre o mesmo desarrumado!”.

A nossa avaliação, parte de uma percepção e interpretação nossa, que pode não coincidir com a percepção e interpretação da pessoa a quem o estamos a dizer. Isto pode levar a mal-entendidos ou, até, a discussões, pelo facto do receptor se poder sentir ofendido, ameaçado ou provocado, tendendo a defender-se.

Uma forma corrente de se usar a avaliação na comunicação, é quando emitimos juízos de valor, ou tendemos a adjectivar pessoas ou situações, categorizando-as. Isto aumenta a probabilidade de se gerar uma comunicação agressiva.

A avaliação traz consigo julgamento e opinião. Daí, muitas vezes, ouvirmos alguém se defender, dizendo: é a tua opinião – que geralmente não é seguida de cooperação, porque a pessoa se sentiu hostilizada e tende a colocar-se do outro lado da opinião/razão.

Ao invés, a comunicação não violenta não usa a avaliação, mas antes um nivelamento respeitoso para com o interlocutor. Este é um processo que se compõe por quatro fases:

  • Observações: acções concretas do que vemos, sem avaliação, interpretação ou moral;
  • Sentimentos: O que sentimos em relação ao que observamos;
  • Necessidades: O que necessitamos e desejamos;
  • Pedidos: solicitar as acções concretas que pretendemos, em forma de pedido.

Retomando o exemplo do “és sempre o mesmo desarrumado!”, este desabafo rotula, sem esperança de mudar, o mais desarrumado dos filhos e ainda lhes dá matéria para dizer: “se já sabes que sou sempre o mesmo desarrumado, porque me chateias todos os dias?”.

Usando o mesmo exemplo e adaptando-o aos princípios da comunicação não violenta, o desabafo passaria a ser:

  • Observação: Vejo o teu quarto desarrumado;
  • Sentimento: sinto-me sempre desanimada e confusa;
  • Necessidade: porque nunca sei quais as roupas que precisam de lavar
  • Pedido: e preciso mesmo que dobres e separes a roupa limpa e coloques a roupa usada no cesto da roupa suja.

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A comunicação não violenta pressupõe que o tom em que comunicamos, acompanhe a forma clara, respeitosa e honesta com que se deve verbalizar. E, claro, activar a capacidade de empatia (córtex pré-frontal) ou invés do nosso sistema emocional mais primitivo (sistema límbico), que tantas vezes nos faz “saltar a tampa” – este é um exemplo pelo qual a literacia emocional é tão importante: ajuda-nos a conhecermos as nossas emoções, a expressá-las de forma clara e a ajudar os nossos filhos a alargar o seu léxico verbal e emocional também.

Obviamente, a comunicação não verbal é algo que se activa da noite para o dia, nem é garantia imediata de conseguirmos mudar o humor dos outros. Mas é uma ferramenta incrível para implementarmos em casa e modelarmos os nossos filhos a falarem connosco e, consequentemente, com quem lidam no seu dia-a-dia. E pode melhorar o nosso dia(a-dia). Experimentem. Ao longo do tempo, se as pessoas com privam connosco, podem sentir necessidade de vos retribuir a forma honesta com que falam e isso ajuda-as também a melhorar a sua comunicação. Não seria um bom contágio?

E agora reflictam comigo: quando alguém vos fala com emoção, de forma honesta e não agressiva, sem avaliação ou “retórica”, não vos tende a desarmar qualquer argumento mais hostil? Não vos activa a empatia (e se fosse convosco)?

Pensem nisso e tentem contagiar o vosso lar com esta sugestão. E, como sempre, procurem, sempre, educar para a felicidade.

PS: o exemplo é entre pais e filhos, mas esta sugestão tende a funcionar muito bem entre maridos e mulheres, porque vai além do simples “pedir com jeitinho”. Atrevam-se a experimentar!

Até breve!

Joana Madureira


BIBLIOGRAFIA

Rosenberg, M. B. (2015). Nonviolent Communication – A language of life (3rd Ed.). England: Puddledancer Press.

Dias, M. G. (2016). Pós-Graduação – Manual do Formando. Escola da Parentalidade e Educação Positivas.

Artigo por Joana Madureira

Mulher e Mãe de duas crianças. Psicóloga, Formadora, Consultora de Recursos Humanos e Blogger Mentora da marca registada SCHOLA - Educar para a Felicidade.

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