[psicologia] Permitam-me a reflexão: educação e aprendizagem

 

img_0024O texto que hoje vos escrevo, é uma reflexão (e um desabafo), sobre a educação e a aprendizagem. Não quero que o entendam como uma verdade única, é apenas um ponto de vista, que entendi poder ser partilhada com os leitores, dando-lhes uma diferente perspectiva.

Confesso que me encontro numa fase de pensamento disruptivo com o actual modelo educativo. As nossas crianças têm pouco tempo, espaço e permissão para, simplesmente serem isso mesmo: CRIANÇAS.

O actual modelo educativo – o mais comum, “ensina” matérias previamente definidas. Raramente permite a “aprendizagem” livre e interactiva.

Pode entender-se o ensino como um processo instrutivo, previamente definido. Já a aprendizagem, pode ser entendida como um processo interactivo, aberto ao improviso e passível de ser iniciado pelo interesse dos alunos e na interacção entre si. Como tal, sujeita a maior liberdade, o que leva a maior criatividade através da descoberta!

Actualmente, as nossas crianças são ensinadas e quase pressionadas a assimilar muitas matérias (parte da componente curricular formal) em simultâneo, ao invés de lhes ser permitido usar o seu tempo (e a sua infância!) a explorar outros conceitos, espaços, ambientes e curiosidades.

É quase como se a escola fosse sinónimo de currículo para uma vida garantida, (com o objectivo final de atingir o tal “canudo” para um bom emprego).

Pessoalmente, se pudesse escolher, teria o “ideal de escola”, como aquela instituição que educa para a felicidade, para uma cultura de convivência respeitosa, para a criatividade e para vivenciar o que de melhor a vida tem. Porque uma vida, não é nada se não for verdadeiramente vivida.

Posto isto, considero que “a escola ideal” deveria propiciar a aprendizagem livre (descoberta) e interactiva, especialmente na infância e juventude. Porquê? A razão pode ser simples: o cérebro humano só atinge a sua maturidade a partir dos 23 anos (maturidade do córtex pré-frontal). No entanto, as crianças têm mais neurónios que os adultos, o que despoleta mais impulsos, mais criatividade, mais instabilidade e mais necessidade de se expandirem. Já tinham lido ou pensado sobre isto?

As crianças precisam de algumas regras (especialmente as sociais, para aprenderem a conviver em sociedade) e limites, para saberem o que pode acontecer a seguir e sentirem-se seguras (dá-lhes previsibilidade). No entanto, aquilo que os adultos chamam de “asneiras”, pode também ser visto como o quão saudável, criativo e explorador o cérebro dessas crianças pode ser!

Por isto, considero que o actual modelo educativo carece de mudanças urgentes. Os conteúdos programáticos e a sua carga horária, deveriam ser revistos. As competências básicas deveriam ser o de brincar e aprender a explorar o mundo de forma lúdica, experienciada e vivida na primeira pessoa. A escola ideal, dá tempo, espaço e condição para se ser feliz.

Tenho assistido a uma crescente procura, por parte de pais e profissionais da educação, de escolas e métodos de ensino alternativo. Quero acreditar que todos temos o sonho de criarmos filhos felizes. E todos nós podemos, individualmente, fazer algo para operacionalizar mudanças na actual educação (e no método de aprendizagem!), por mais pequenas que sejam.

Deixo-vos com um vídeo bastante interessante, que retrata em parte esta minha sugestão de perspectiva.

Não pretendo aniquilar a educação. Desejo transformá-la. Eu quero ser agente dessa transformação. Eu acredito ser possível educar para a felicidade. Enquanto profissional, todos os dias sinto essa esperança e essa urgência. E vocês?

Obrigada por “escutarem” este meu desabafo.

Até breve,

Joana Madureira


BIBLIOGRAFIA

Programa Humana.Social, aprendizagem interativa – https://redes.org.br/humana/ (antigo Inova.Edu).

Artigo por Joana Madureira

Mulher e Mãe de duas crianças. Psicóloga, Formadora, Consultora de Recursos Humanos e Blogger Mentora da marca registada SCHOLA - Educar para a Felicidade.

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