[psicologia] Mamã, o que é “cor da pele”?

Já vos aconteceu ir comprar roupa, e ao procurar um tom neutro, alguém menciona “cor da pele”? Pois bem, ontem fui confrontada com a fantástica pergunta:

“Mamã, o que é cor da pele?”

As crianças têm este dom: de questionar o que nós, adultos, tantas vezes tomamos como óbvio e nem sequer reparamos que podemos ser tendenciosos, ao achar que “cor de pele”, tem uma cor específica.

Nesse preciso momento, eu pensei: “cor da pele… geralmente pensamos em tom bege, mas, de facto, pode ser preconceituoso e redutor pensar assim! Tenho de trabalhar já a forma como os meus filhos interpretam esta expressão!”

Nessa altura, combinei com o meu filho que iria pesquisar na internet (uma janela para o mundo!), crianças de todas as cores. Porque todos temos pele, toda a pele tem uma cor e todas as cores de pele diferem entre si.

Então, encontrei esta imagem de crianças de várias cores e descobri que uma empresa brasileira, a fabricante de lápis de cera Koralle, criou um estojo – o PintKor – com 12 variações de cor de pele, que vão de tons mais claros até o tom da cor da pele negra.

E foi desta forma tão simples, que exemplifiquei aos meus filhos que, a expressão “cor da pele” representa uma palete entre beges e castanhos, que difere de pessoa para pessoa, e que tem maior incidência consoante o país de origem, por causa da exposição ao sol e ao calor. Expliquei-lhes também que a genética se herda e por isso, hoje em dia se vê pessoas de todas as cores em todos os países: somos livres de circular pelo mundo!

O mesmo acontece com as cores que, inconscientemente, se estipula como sendo de “menina” e “menino”.

Em tempos, alguém disse ao meu filho que “o cor-de-rosa é cor de menina”.

Perguntei-lhe ao meu filho mais velho, se ele já alguma vez tinha visto o arco-íris e que o cor-de-rosa faz parte dele como todas as outras cores. E, se cor-de-rosa é cor de menina, então as meninas não podiam usar azul… Expliquei-lhe que cada um tem o seu gosto.

As meninas até podem gostar mais do cor-de-rosa (ou não), mas que ele (menino) tinha tanto direito a gostar do cor-de-rosa como de qualquer outra cor. Porque o cor-de-rosa é tão e somente isso: uma cor! E que ele tem um arco-íris inteiro à sua disposição e escolha, para colorir os seus desenhos e a sua vida!

O preconceito cresce assim e pode simplesmente ser fruto de falta de informação. É preciso desconstruir de ideias pré-concebidas e isso começa pelos adultos educadores.

Num mundo cada vez mais global, em que uma multidão representa um mosaico de cores e formas, devemos ensinar e informar os nossos filhos devidamente, tendo sempre o cuidado de os orientar para a diversidade da raça humana e a importância de convivermos em igualdade.

As crianças costumam brincar entre si sem preconceitos. Mas as crianças aprendem com o que vivem e os adultos são os seus modelos – por isso, modelam. Fica a reflexão.

Sejam um modelo de humanidade. E eduquem para a felicidade <3

Até breve,

Joana Madureira

Artigo por Joana Madureira

Mulher e Mãe de duas crianças. Psicóloga, Formadora, Consultora de Recursos Humanos e Blogger Mentora da marca registada SCHOLA - Educar para a Felicidade.

Este artigo tem 2 comentários
  1. Um dia (nada distante)… Uma menina africana, numa aula de pintura com tintas acrílicas, pergunta-te “Como se faz cor de pele?”. Sorris e perguntas-lhe: “Qual cor de pele?”. A menina retribui-te o sorriso… E tu (eu)? Simplesmente, agradeces a oportunidade! ❤

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