|há coisas que me tiram mesmo do sério| #6 – a culpa é sempre da mulher/mãe

Este texto foi escrito a duas. Eu e a Mónica somos mulheres e somos mães. E temos um fator comum: lidamos com a culpa diariamente. Uns dias melhores e mais determinados, outros menos bons e desgastantes.

Este fator comum é extensivo a todo o género feminino e, achamos nós, deve estar relacionado com genética. Conhecemos todos os dias mulheres que se culpabilizam por atos grotescos de homens sem escrúpulos ou até mesmo pela banalidade de estar uns quilinhos a mais no ponteiro da balança.

A sociedade de outrora e a de hoje exige demasiado das mulheres que são mães, empregadas, trabalhadoras, amantes, enfermeiras, professoras e por vezes se esquecem de ser elas próprias de tão empenhadas que estão nas suas tantas ocupações diárias.

As mães, essas mulheres que vivem com culpa desde o dia da conceção, já saem culpadas da maternidade. Culpadas por não ter dado o primeiro banho ao filho, por não o amamentar à primeira ou por ter que o deixar sozinho numa incubadora.

Elas lidam com a culpa todos os dias.  É uma jornada que não admite erros. A culpa é sempre delas.

Se o marido não ajuda em casa e com os filhos, a culpa nunca é da sogra que não o educou nesse sentido, a culpa é delas que os acostumaram mal. Se os filhos passam mais horas na escola que em casa a culpa é da mãe porque não tem tempo para eles, trabalha demais. Se não trabalha com o intuito de dar apoio aos filhos e a família, é culpada por ser malandra e não querer fazer nada. Se os filhos têm atitudes menos corretas, a mãe não os soube educar.

A mãe não pode ter tempo para ela, caso contrario é uma tremenda de uma egoísta.

Não é à toa que as companhias aéreas, aquando de uma emergência, indicam para os pais colocarem as mascaras de oxigénio primeiro e só depois colocarem nas crianças. Na vida de uma mãe, também deve ser assim. Primeiro estamos nós e só depois os nossos filhos. E isto não é egoísmo. É cuidar de nós para cuidarmos deles.

Não há perdão para as mães. Não há espaço para errar. É como se tivessem obrigação de terem sido formatadas à nascença no sentido de uma maternidade perfeita. E o que é isso?!

É a função mais ingrata do mundo. Um caminho sem volta com uma eterna culpa a carregar. Nós mães, damos um filho ao mundo e ai de nós se não os soubermos preparar para isso.

As vezes damos por nós a tentar pôr nas nossas cabeças que a maternidade é toda ela maravilhosa, recompensadora. MAS NÃO É. Chega depois a razão para nos colocar de pés assentes na terra, dizendo para parar de nos responsabilizarmos por tudo, de sentir culpadas por tudo.

Porque mesmo com a nossa inata expectativa omnipotente, de sermos capazes de tudo, não vamos conseguir. E sabem porque não vamos? Porque não somos perfeitas, somos humanas. Aquilo que temos a fazer é TUDO. Tudo, dentro dos nossos limites e possibilidades. E isso sim, é o ideal para nós e para os nossos filhos. Nada mais. E isso, já é bastante.

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Artigo por Bea

Mulher, mãe de dois rapazes, apaixonada por flamingos e completamente chocoholic. Adora ler, dançar, comer e experimentar coisas novas.

Este artigo tem 0 comentários
  1. Anónimo diz:

    Assustadoramente real e actual. Daqui a 10 anos gostava que este post fosse obsoleto e que não se admitisse sequer pensar que “o homem ajuda a mulher”, porque “ajudar” continua a responsabilizar a mulher. São um par de dois inteiros e responsáveis, que partilham responsabilidade!

    Assim deveria de ser.

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