Punir para educar. Será?

 Este post podia bem ser mais um [há coisas que me tiram do sério] da nossa Bea ou poderia ser um tema da nossa querida psicóloga Joana (e será certamente alargado este assunto). Mas, é somente um aliviar de uma carga pesada, porque isto tira-me MESMO do serio!!!

Estamos perante uma sociedade, embora já se verifiquem mudanças, que acredita que é necessário punir as crianças para que lhe seja dada educação. Uma sociedade em que mascarar as razoes e os porquês das crianças, esconde-las todas num armário fechado, é mais importante que tentar entende-las. Não consigo lidar com quem defende a ilusão da punição, como educação. Defendo que é necessário sim EDUCAR para não (ter de) punir.

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O Migas a fazer um olhar completamente ‘manipulador’ para a sua mãe.

E quando falamos de punição sob as crianças, falamos de uma autoridade autoritária por parte dos pais, avós ou cuidadores. E quando é que ela é exercida?

  • quando não dão a devida importância aquilo que a criança pensa ou sente
  • quando não permitem que ela expresse as suas emoções (”engole o choro” por exemplo)
  • quando ridicularizam a criança e o estado em que ela se encontra quando ela esta triste, zangada ou a chorar
  • quando a criança comete algum erro é gozada
  • quando não se ouve aquilo que a criança tem a dizer
  • quando se sentem incomodados pela criança não estar do ‘jeito pretendido’ (‘filho agora não fales, não te mexas, não respires, ok?’)
  • quando defendem que a criança tem que superar, a todo o custo, todas as suas dificuldades
  • quando defendem que não vale a pena a criança falar de coisas tristes ou coisas menos boas
  • quando não sabem como agir quando a criança esta frustrada (Certo dia num restaurante vi um bebe (2 anos +-) ao colo de uma senhora, a chorar em desespero. A criança em vez de ter sido retirada daquele ambiente para que se pudesse acalmar na presença do seu cuidador, num ambiente calmo e envolto de carinho, NÃO. Foram-lhe dados 2 estalos na cara e ‘agora cala-te se fazes favor’)
  • quando dizem que a criança exerce chantagem ou manipulação (esta é muito comum dos avós para os pais – ‘qualquer dia manda em ti’, ‘se não lhe dás porrada qualquer dia é ele que te bate’, entre tantas outras barbaridades que eu já ouvi)
  • quando as emoções da criança são julgadas e criticadas
  • quando aquilo que importa é o poder, a obediência e o bom comportamento
  • quando são rígidos, ameaçam, repreendem, gritam, castigam e batem por qualquer motivo

Se somos todos pais perfeitos? Claramente que não. Eu tenho alturas, quando o cansaço extremo se apodera de mim, grito e as vezes ameaço. As vezes grito para eles não gritarem (o cumulo bem sei). Mas podemos ser melhores.

O bom da parentalidade consciente e positiva que é exercida e sempre privilegiada por parte de muitos de nós, é que podemos ser melhores. Melhores pessoas, melhores pais, melhores cuidadores, e com isso ganhar. Ganhar a confiança dos nossos filhos, ganhar o afecto e principalmente ganhar a alegria de vê-los crescer envoltos de uma educação baseada no respeito por eles próprios, na confiança que lhe transmitimos e nos valores dos quais somos exemplo e que fomos transmitindo aquando de cada birra, de cada fase menos boa e de cada lágrima.

Mónica.

 

Este artigo tem 0 comentários
  1. Susana Nunes diz:

    Concordo inteiramente convosco. A punição não deve ser solução pra tudo. Sou como a Monica kkk grito para os fazer parar de gritar mas todos os dias tento ser melhor mãe e melhor mulher. Elas são duas meninas com idades muito próximas e isso gera muitos conflitos. Tentamos sempre com base na conversa e na compreensão resolver os conflitos, corrigir comportamentos baseando nos sempre no respeito que tomos umas pelas outras.

    • Monica diz:

      Obrigada pelas palavras Susana. Acho que o respeito mutuo é o segredo para a harmonia de qualquer relação, seja ela amorosa, entre pai e filho ou entre amigos.

      Obrigada por nos ler Susana. Um beijinho

  2. Monica santos diz:

    Quem não queria um pai assim para os meus filhos era eu. Sem dúvida uma metodologia inteligente.

  3. Alice Gomes Homer diz:

    Obrigada. Pois desta forma também nos ajuda a sermos melhores avós. Longe de sermos perfeitas ainda vamos a tempo de fazer melhorias
    Tenho gosto em vos ler.

  4. Anónimo diz:

    Obrigada pela inspiração Monica. Mudando nos a nós, mudamos o mundo.
    Posso fazer um pedido? Podem desenvolver mais estes assuntos? Teria muito gosto em vos ler e em partilhar estes bocadinhos tão vossos.

    Grata pelas suas palavras Monica.
    Um beijinho as duas

    • Monica diz:

      Obrigada! Teremos todo o gosto em desenvolver este assunto.
      Fique atenta ao nosso blog ou à nossa página de Facebook.

      Grata pelas suas simpáticas palavras.

  5. Monica diz:

    Pai, nos também não temos problemas com o seu método de educar. Apenas, essa não é a nossa forma de ver a educação e a melhor forma de lidar com os filhos que são tão nossos. 😉 felicidades.

  6. Sandra diz:

    Não sou nem tanto ao mar nem tanto à terra.
    Há situações em que acho que uma palmada não faz mal a ninguém, mas claro, fazendo disso uma excepção e não a regra.

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