|sou menos mãe por causa disso?|

Tenho a certeza que a palavra mãe vem da palavra amor; ou a palavra amor vem da palavra mãe, tanto faz. Mas quando dizem que não há amor maior, é mesmo verdade. Não há amor que supere o amor de uma mãe por um filho.

A minha avó materna tem uma expressão muito engraçada: “parir é dor e criar é amor”. Pois não podia estar mais de acordo. Não é por colocar uma criança ao mundo que se é mãe. Quem cuida é que é mãe. Quem veste, quem dá alimento, quem suporta as quedas, quem ama e dá amor é que é mãe. Por isso eu digo que tenho três mães. As três me deram e dão suporte, carinho e conselhos durante toda a vida (e eram/são as três igualmente chatas!).

Por vezes (ou maior parte das vezes) somos todos cruéis uns com os outros e quando nos tornamos mães (logo desde o positivo) não sei se pelas hormonas, ou talvez pela eterna tentativa de sermos perfeitos começamos a arranjar “desculpas” para os nossos fracassos e medos ou até repreender o outro de forma agressiva, muitas vezes até nos grupos de apoio online. Leia-se que escrevi “grupos de apoio” e não “grupos de (des)apoio”.

Eu adorava ter tido um parto dito “natural” sem epidural e sem dores mas o meu destino assim não o permitiu: tive duas cesarianas e uma delas bem complicada. Se me perguntarem se me sinto menos mãe por não ter tido um parto vaginal? Não.

Outro dos grandes tabus da maternidade moderna é a amamentação. Se nas épocas de 70/80/90 era usual ver o bebé com biberão hoje em dia (e ainda bem!) a amamentação tende a ser normalizada. Muitas mulheres não se sentem confortáveis a amamentar, seja pelo cansaço que implica a livre demanda, seja porque estão fartas de ser perseguidas pelos outros em amamentar, ou simplesmente porque não. Eu, pessoalmente, acho que a sociedade ainda pressiona muito as mães para serem perfeitas. Neste tema então inúmeras pessoas pergunta “tens leite?” “não achas que está magrinho?” ou então “o leite da mãe é o melhor!”. Toda a gente sabe que sim. Não há espécie no planeta que duvide disso. Somos mamíferos e o melhor alimento para uma cria de mamíferos nos primeiros meses de vida é o leite da mãe. Mas somos humanos, a evolução concedeu-nos a lógica e o livre arbítrio logo, se a mãe não quiser amamentar quem é que a pode pressionar? Ninguém! Não digam, por favor, que não tiveram leite ou que não chegava para o bebé. Não têm de se justificar. Não são menos mães por não amamentar.

Muitas vezes vejo no Facebook: “Carreguei-te 9 meses e sais com a cara do teu pai”. Isto tira-me do sério, juro-vos! A fúria das parecenças. Primeiro porque segundo as sogras (incluindo a minha!) os netos nunca saem às noras, então se forem rapazes, esqueçam! Depois, porque há mulheres que acham natural a questão de “serem parecidos com o pai para provar paternidade”! Ó pessoal, mas aqui alguém anda a apurar se o puto é parecido com o suporto-pai-mas-que-pode-não-ser-o-pai-biológico da criança? Ou há confiança ou não. Simples. Ou até se for necessário a ciência já ajuda. Chama-se ADN. Bem, mas voltando ao cerne da questão – os filhos (para os outros!!) nunca são parecidos com as mães: ou têm as orelhas dos avós, ou os dedos do pai da tia, ou até o cabelo encaracolado da tia-avó da mãe. Mas quando abre a goela para reclamar ou quando faz asneirada da grossa sai à mãe. Pois é pessoal eu sinto-me muito bem com isso, aliás, até gosto que ponham o meu sentido de humor à prova. Os miúdos não têm de sair parecidos com ninguém. Têm de ser eles próprios. De preferência saudáveis. Serem parecidos com o pai ou com o Rei de Espanha é irrelevante para o sucesso da criança enquanto ser humano!

Há mais alguma coisa na lista que acrescentariam?!

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Créditos: Tinytoes Photography

Artigo por Bea

Mulher, mãe de dois rapazes, apaixonada por flamingos e completamente chocoholic. Adora ler, dançar, comer e experimentar coisas novas.

Este artigo tem 0 comentários
  1. Isabel diz:

    Só queria deixar o meu testemunho relativamente à amamentação. Às vezes não basta querer. Eu queria mesmo muito amamentar em exclusivo e tentei de tudo. Li muito, falei com mães experientes e especialistas, pus em pratica todas as recomendações e acreditei mesmo que ia conseguir. Mas ao contrário do que dizem os entendidos que todas as mães têm a capacidade de produzir o leite necessário ao seu bebe, eu não tive. A minha bebe deixou de por peso. O leite não era mesmo suficiente. Tudo o que li infelizmente não foi verdade para mim.

    • Bea diz:

      Claro que sim Isabel. Mas o facto de não amamentar não a torna menos mãe! Aliás, se fez tudo o que estava ao seu alcance, torna-a melhor mãe. O que eu critico neste post são os julgamentos.

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