[#àconversacom] Luís Carvalho

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Hoje iniciamos a nossa nova rubrica mensal. E começamos com um dos melhores. O Luís é dos meus estilistas/criadores preferidos e com apenas 29 anos, as suas peças já desfilam nos grandes palcos da moda portuguesa há um par de anos. Inspirando-se na Natureza, o que faz é bonito. E hoje vou-vos mostrar um pouco da experiência do Luís. Ora vejam.

Como começaste a carreira de estilista?

Comecei a minha carreira na marca portuguesa Salsa e fui designer nessa marca durante três anos. Sempre tive o sonho de lançar marca própria e assim o fiz passado este tempo.

Quando sentiste aquele “bichinho” pelo mundo da moda?

Desde pequeno que fui rodeado por este mundo uma vez que a minha mãe teve uma confeção de t-shirts. Aí, na fábrica da minha mãe, tive contacto com tecidos, técnicas e ganhei o gosto pela costura e pelo modo de fabrico das peças. Quando realizei os exames psicotécnicos ainda na escola, foi claro a minha preferência pelas artes nomeadamente pela arquitetura ou o design de moda. Optei por ingressar no curso profissional de designer de moda na escola CENATEX em Guimarães e posteriormente segui o ensino universitário na Universidade em Castelo Branco. Estagiei com diversos estilistas que me deram bases para o meu trabalho.

Foi fácil chegares onde estás?

Não. Neste mundo há muita concorrência. É necessário teres umas bases muito sólidas e algum investimento quer em comunicação, em formação e monetário, claro! Para além disso, dou aulas na escola profissional que frequentei porque acho importante passar a minha experiência e isso satisfaz-me muito.

Qual a figura pública que te dá mais gosto de vestir?

Inês Castel-Branco. Para além de ser minha amiga, adoro a personalidade dela. Inclusivé já desfilou para a minha marca.

Como reagiste ao facto do vestido da Inês, criado por ti, fosse considerado por muitos o vestido da Gala dos Globos de Ouro 2016?

Foi super gratificante. No ano anterior a Inês já tinha sido considerada uma das mais bem vestidas e este ano tinha de me superar a mim próprio. Não foi fácil, mas o resultado final compensou.

Como reages a alguém que chegasse ao teu atelier com uma fotografia e te dissesse “faça-me um igual”?

Recusava na hora. Não faço cópias. Podem, claro, trazer inspirações ou algo do género, mas a minha marca, a minha etiqueta não pode estar associada a cópias ou réplicas. Quero ser único.

Em que te inspiras?

Quase sempre é na Natureza. A minha primeira coleção teve um grande impacto pelas costuras serem feitas na parte exterior das peças, a minha segunda coleção foi inspirada nas pedras. A nova coleção, deste ano, é inspirada nos anos 70.

Sei que o teu atelier está na cidade de Vizela, porque decidiste estabelecer-te fora das grandes metrópoles? E isso influencia o teu trabalho?

Esta é a pergunta que mais me fazem. O facto de estar fora do Porto ou Lisboa traz-me inúmeras vantagens começando pela matéria-prima. Nesta zona é onde está implantada a grande parte da industria têxtil em Portugal, assim, posso escolher o meu produto indo às fábricas e caso necessite de algo especial posso pedir in loco. Depois, porque o valor dos espaços/ateliers é consideravelmente mais baixo e tem um público-alvo bastante interessante e por último, nasci em Vizela e tenho cá a minha família.

Alguma vez usaste modelos plus size?

Não.

Quais as tuas modelos preferidas?

Fabiana Capra, Milena Cardoso e Maria Clara

Como lidas com a concorrência?

Tento sempre dar o meu melhor em todas as peças que faço. Claro que gosto de ser considerado o melhor. Mas claro que a competição é numa base saudável.

Qual o teu fator diferenciador?

Eu dedico-me muito aos detalhes e tenho de me identificar com cada peça que faço.

Quanto tempo demora uma coleção a ficar completa?

Quatro a cinco meses. Preciso de inspiração, depois passo para o desenho e por fim para a conceção das peças. É um trabalho moroso mas vale a pena.

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Valor médio para uma peça à venda no atelier?

Depende da complexidade. Sinto que há pessoas que não entram no meu atelier por pensarem que é muito caro, mas não é assim. Tenho peças de 100 euros como tenho outras com 750/800 euros. É uma questão de entrar e ver.

Qual objetivo futuro?

A longo prazo – a internacionalização. Mas para já quero estabilizar-me bem no mercado português e crescer.

Qual a cidade de sonho para trabalhar para ti?

Paris.

Qual o teu estilista de referência?

Raf Simons, sem dúvida.

Tens alguma figura pública nacional que gostarias de vestir? E internacional?

Acho interessante a Maria João Bastos, aqui em Portugal e a Jennifer Lawrence no campo internacional. Gosto muito da personalidade dela.

Se fosses convidado por uma grande marca do mundo da Moda para seres Diretor Criativo exclusivo aceitavas e deixavas a tua marca de parte?

Sim aceitaria. Claro que não deixava morrer a minha marca. Punha apenas em “stand-by”. O facto de representar uma grande marca de moda também iria prestigiar o meu nome e assim, mais tarde prestigiaria a minha própria marca.

Obrigada Luís!

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Agradecimentos: Atelier Luís Carvalho, Equipa RH Models

Artigo por Bea

Mulher, mãe de dois rapazes, apaixonada por flamingos e completamente chocoholic. Adora ler, dançar, comer e experimentar coisas novas.

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