[testemunho] Limpar a casa que há em nós!

Recebemos um e-mail da Maria na nossa caixa de correio. Pediu para ser tratada assim, em anonimato. Tem uma escrita pura e pediu para publicarmos um texto que tem muito significado. Assim, sabia que um dia, podia cá vir recordá-lo. Assim o fazemos. A todas as Marias, que precisam de limpar as casas interiores, fica um testemunho para refletir.IMG_20131027_173131.jpg

Encerra ciclos.

Fecha a porta.

Muda o disco.

Sacode a poeira.

Limpa a casa.

Faz tudo isto, não por orgulho ou por incapacidade, mas porque simplesmente a tua vida de ontem não se encaixa mais na tua vida de hoje e de amanhã. Deixa de ser quem eras e por favor, por ti, transforma-te naquilo que queres ser. Dá premissa à vida para que ela te transforme, dá premissa à vida para que ela te dê o espaço da descoberta, do teu Eu e da tua procura. Procura em ti a esperança. Deixa ir o mau e deixa chegar o bem. O bom da vida. O recomeço. Recomeça. Coloca os teus pontos finais sem dar espaço às reticências.

Na vida precisamos saber quando uma etapa chega ao seu fim. Se uma etapa dura tempo a mais, se insistirmos em permanecer nela mais que o tempo devido perdemos a alegria de viver o melhor de nós, perdemos o norte e o sentido daquilo que ainda esta por vir, daquilo que temos por viver. Perante acontecimentos que nos deixam presos ao passado, a capacidade de aceitá-los e de termos compaixão por nós mesmos são dois passos extremamente decisivos para ultrapassar um sofrimento, um medo ou uma angústia. Não estou a falar da aceitação passiva, da aceitação displicente, em que tudo acontece e nada se faz. Não é isso. Refiro-me à aceitação da realidade tal qual ela aconteceu, em que não há retorno possível, em que não é possível apagar o que sucedeu. Perante este tipo de cenário, aceitar é o melhor remédio. Permite-nos encarar a realidade de frente, sermos compassivos connosco mesmos e a partir daí cultivar a esperança num futuro melhor. Ficar contra tudo, contra todos e até contra ti mesmo, certamente não irá beneficiar-te em nada. Cria rancor, ressentimento, indignação, desesperança, ódio, entre outros sentimentos negativos. Num estado de negatividade, mesmo aquilo que ainda temos de bom na vida fica afetado, deixamos de olhar para o que ainda faz sentido na nossa vida. Aceita, tem compaixão e segue em frente.

Portanto, encerra os teus ciclos.

Fecha as tuas portas.

Muda o disco que ouves hoje.

Sacode a poeira das tuas costas.

Limpa a casa que há em ti.

Seja o primeiro a comentar

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.