[amamentação] Vou-te contar um segredo, mamã: o teu leite não acaba #1

6 SINAIS QUE AS PESSOAS INTERPRETAM, ERRADAMENTE, COMO FALTA DE LEITE.

 

A par das dúvidas sobre a qualidade do leite materno, subsistem as dúvidas sobre a quantidade.

“Tenho leite suficiente?”

“Estou a ficar sem leite?”

“Não consigo extrair leite, estará a secar?”

“O que posso comer para produzir mais leite?”

“O bebé está sempre na mama e tenho a mama mole. Acho que estou a ficar sem leite.”

“Fiquei doente ou vivi uma situação stressante e… fiquei sem leite.”

“Nunca tive leite.”

São algumas das frases ou questões mais comuns sobre este assunto. Se há coisa que nenhuma mãe aguenta é a ideia de que o seu bebé pode ter FOME!

Alguns dos sinais que as mães (e pessoas que as rodeiam) interpretam, erradamente, como sintoma de “pouco leite” ou ausência dele:

  • Vamos começar pelo início: na Maternidade.

O bebé nasceu e agora algum profissional de saúde vai “avaliar” se a mãe tem leite, apalpando as mamas ou tentando extrair manualmente… Para além do absurdo de se fazer isso, pois é claro que a mãe não tem leite, ter um desconhecido a mexer-lhe na mama logo após o parto, sem ter sido solicitado, é algo que mulher alguma precisa.

NENHUMA mãe tem leite nesta altura. Não é suposto ter. Tem colostro, que já começou a ser produzido durante a gravidez, e que é totalmente suficiente para as necessidades do bebé nos primeiros dias – e não só é suficiente, como é ESSENCIAL que o bebé tenha PLENO ACESSO a ele.

Encher o estômago de um bebé recém-nascido com 20/30ml de leite artificial (mesmo que seja a copo; pior ainda se for a biberão) só porque “a mãe não tem leite” (ou a variante “tem pouco colostro”) é privar o recém-nascido do precioso colostro, que vale mais do que qualquer vacina que já se tenha inventado.

É um assalto ao bebé e à mãe. É pôr em causa a confiança da mãe na sua capacidade de nutrir o bebé que acabou de nascer – agora e no futuro.  É pôr a amamentação na forca!

Este é um exemplo de péssimas práticas. Infelizmente, esta forma de boicotar a amamentação desde o início – quando ainda nem começou – tem sido bastante frequente e a realidade de muitas mães que me contactam. Geralmente, é sintoma de que o bebé nasceu num hospital privado qualquer…

  • O choro do bebé.

Durante a mamada, depois da mamada ou entre mamadas. Basicamente, em qualquer momento que o bebé chore e não tenha passado um intervalo de tempo que seja considerado “razoável” (normalmente, 3 horas).

Se o bebé, sistematicamente, chora durante ou depois das mamadas, convém perceber o que se passa junto de uma conselheira de aleitamento materno – ANTES de oferecer qualquer suplemento ou biberão com leite materno extraído.

Às vezes, as mães pedem ajuda depois dos problemas estarem muito instalados e já se terem encontrado soluções para eles que afastam a amamentação cada vez mais. Reverter dificuldades desde o momento em que elas surgem é muito mais fácil do que passados alguns dias ou semanas.

  • Mamadas frequentes.

Esta questão apenas se torna num problema porque a nossa sociedade “comprou” a ideia de que os bebés se alimentam a cada 3 horas e que durante a noite podem passar sem mamar a partir de certa idade.

Tendo em conta o tamanho do estômago do bebé e o tempo que este demora a digerir o leite materno, em conjugação com a duração dos ciclos de sono, é expectável que os nossos bebés queiram mamar a cada hora! (Ver mais sobre este estudo do Dr Nils Bergman).

É esperado que os bebés tenham intervalos IRREGULARES entre mamadas. Normalmente, os bebés entre as 3 e as 10/12 semanas, apresentam este padrão: de manhã fazem intervalos maiores e estão mais sonolentos e à medida que o dia avança vão pedindo para mamar com mais frequência. Ao fim do dia ficam agitados, podem chorar mais – costuma-se dizer que têm cólicas ou stress do fim do dia – e pode parecer que não fazem mais nada a não ser pedir mama.  A mãe sentirá, certamente, a mama mole, pois o bebé está a mamar com tanta frequência que todo o leite produzido é imediatamente retirado pelo bebé. Continuamente… O bebé mama e continua a ser produzido. O bebé mama de novo e mais leite está a ser produzido.

Se tentar tirar leite nesta altura é altamente provável que não consiga. Se oferecer um biberão de leite materno extraído ou fórmula ao bebé, num destes episódios, é bem possível que ele o aceite mesmo não precisando dele. O melhor é respirar fundo, tranquilizar-se, deitar-se com o bebé, pedir a alguém que trate de tudo o resto e lhe traga comida, e relaxar enquanto o seu bebé for mamando.

  • Extração de leite pouco proveitosa.

Há tantos fatores a influenciar a quantidade de leite que uma mulher consegue tirar num dado momento… Desde a qualidade da bomba às características específicas da mama daquela mulher, passando por fatores relacionados com o estado emocional em que a mãe se encontra. O stress é inimigo da hormona que ajuda o leite a sair da mama, a ocitocina, por exemplo. (Já falei sobre este assunto, aqui).

  • O bebé tomou um biberão depois da mama – e calou-se, ainda por cima.

Se tem um bebé com boa progressão do peso, saudável, a amamentação tem corrido bem… e que num momento de agitação aceita um biberão com o seu leite ou leite artificial – e não só o toma todo como até cai para o lado a dormir – posso assegurar-lhe, COM TODA A CERTEZA, que o problema não é falta de leite e que ele não o tomou por fome.

Há bebés (e especialmente bebés de poucas semanas) que aceitam sempre um biberão por mais cheios que estejam – assim como há adultos que aceitam sempre um café ou sobremesa por muito que tenham comido ao jantar.  Estes bebés precisam MUITO DE TOQUE, contacto pele-a-pele com a mãe e/ou com o pai.

Às vezes o bebé mamou há pouco tempo, adormeceu e acorda pouco depois (normalmente quando se deita no berço), e chora. As mães ficam muito preocupadas e angustiadas porque acham que o bebé tem fome. A solução é simples: mama. Se o bebé não aceita mamar, procuram-se, então, outras estratégias para o acalmar.

Nenhum bebé saudável, que mama sem dificuldade, passa fome com uma mama sempre disponível.

  • Mama mole. Leite não pinga.

Embora possa parecer contra-intuitivo, uma mama mole porque o bebé está a mamar com frequência (por exemplo a cada hora, hora e meia) não está a produzir menos leite. Pelo contrário! Está a produzir mais leite do que a mama da mãe que fica mais horas sem amamentar e que, por isso, começa a acumular leite entre mamadas e a sentir-se mais cheia.

Quanto mais frequentemente o leite for retirado da mama, não a deixando ficar “cheia”, mais leite é produzido. Quanto menos frequentemente o leite for retirado, e por isso a mama ficar “cheia”, menos leite é produzido. Isto acontece porque existe um mecanismo de controlo da produção de leite no próprio leite materno e não apenas no sistema endócrino da mãe.

Por fim, todas as mulheres vão deixar de sentir a mama grande. Lamento ser eu a dar-vos esta notícia, mas aquela mama que ganharam na gravidez e/ou no pós-parto imediato não vai durar mais do que 2 ou 3 meses após o parto. O momento em que isto acontece varia de mulher para mulher. Pode ser logo após o parto, pode ser apenas meses depois, mas normalmente é algures pelas 6-8 semanas. A esta diminuição no volume da mama junta-se outra alteração que pode levar à quebra de confiança da mãe na sua capacidade de produzir leite e de outros que a rodeiam: a mama deixa de pingar.

Não bastava ficar mais pequena, também deixa de sair leite só porque sim! É que isto de produzir leite dá muito trabalho, esgota muita energia, leva muitos recursos ao organismo da mãe… Não se pode andar a produzir leite em excesso para o resto da vida da criança. O nosso organismo tende sempre para um equilíbrio, e a produção de leite não é exceção.

Uma coisa é certa: se até aqui a amamentação correu bem, o bebé está com um aumento de peso saudável, não tem qualquer dificuldade de sucção, não toma suplementos de leite materno ou leite artificial, etc., então o leite NÃO DESAPARECEU! Não vai ficar sem leite. Não está a secar. Não tem de começar a dar suplemento. A partir daqui é só continuar a amamentar sempre que o bebé pedir – que provavelmente até estará bem mais rápido e terminará as mamadas em pouco tempo.

  • Alterações no padrão de sono do bebé.

Quando temos um bebé amamentado que habitualmente dorme 5 ou 6 horas seguidas (por exemplo) e, de um dia para o outro – sim, é mesmo assim, de um dia para o outro – começa a dormir menos, a culpa é quase sempre da mama. A mãe está a ficar sem leite ou o leite dela já não é bom. (Sobre a qualidade do leite materno, “o leite fraco”, ler mais aqui).

Lá por muitos pseudo-especialistas andarem por aí a pregar (é quase uma religião, porque de ciência não tem nada) que os bebés devem dormir a noite toda a partir de X idade (a referência da idade varia de pseudo-especialista para pseudo-especialista), isso não o torna verdadeiro. Os padrões de sono do bebé humano são muito variáveis ao longo do primeiro ano de vida. É mesmo normal que de um dia para o outro o bebé mude de padrão e que dali a umas semanas volte a mudar. E isso não tem nada a ver com o leite materno, até porque depois de introduzidos outros alimentos – infelizmente, com frequência introduzem-se outros alimentos por este motivo em bebés menores de 6 meses – os bebés continuam a despertar.

  • Progressão ponderal. A balança.

Deixei para último de propósito. A derradeira prova dos 9 de que a mãe tem leite ou não! – É assim que muitas mães o interpretam e algumas pessoas/profissionais que as rodeiam. A balança não pesa só o bebé, também pesa a mãe, a sua confiança, a sua capacidade.

A balança não faz diagnósticos na amamentação, na saúde do bebé, na da mãe ou na sua capacidade de produzir leite. O peso é somente um INDICADOR, não é um diagnóstico. Se existe, de facto, um problema com o peso do bebé, é para investigar o que se passa. É preciso concluir rapidamente se a origem está na insuficiente ingestão de leite ou se poderá haver algum problema de saúde associado.

O outro problema com a balança: a discrepância de valores de referência. Não parece existir um consenso sobre o que é esperado; mas existe. Todos deveriam usar as referências da Organização Mundial de Saúde. A partir de 2014, em Portugal, todos os livros de saúde infantil apresentam as tabelas de percentil da OMS, mas alguns profissionais continuam a dizer que aumentos de peso de 20g diários não são suficientes, por exemplo. (Para consultar o que são aumentos médios saudáveis, aqui. Consultar as tabelas da OMS, aqui).

Quando, de facto, o peso ou outros indicadores nos mostram que o bebé não está a mamar o suficiente, é essencial procurar ajuda de alguém com formação em amamentação para entender porquê. A incapacidade de produzir leite suficiente (hipogalactia materna) não é o motivo mais frequente. O mais comum é o bebé não conseguir retirar leite suficiente por algum motivo específico – descobrir qual, é o trabalho da CAM. Intervir precocemente é importante para que a amamentação se possa manter.

(Sobre a perda de peso no recém-nascido, traduzi este artigo do Dr Bobby Ghaheri).

Na 2ª parte deste artigo vou escrever sobre alguns fatores MAIS COMUNS que podem levar a que a mãe tenha uma produção de leite insuficiente para as necessidades do bebé. Já está disponível aqui.

EDITADO: Estão a surgir vários pedidos de ajuda nos comentários a este post. Para saberes qual a conselheira de aleitamento materno (CAM) mais próxima de ti, envia-me um e-mail para filipabscam@gmail.com, referindo qual a tua zona de residência e eu irei responder com um contacto de uma colega. Se viveres no distrito do Porto, podes contactar-me para agendar consulta de amamentação.

Artigo por Filipa dos Santos

Conselheira em Aleitamento Materno | Assessora de Lactação | Doula de Parto e Pós-parto | Consultora de Babywearing | Fundadora da Rede Amamenta

Este artigo tem 67 comentários
  1. Natacha diz:

    Tenho um bb c quase 5 meses. Desde os 10 dias q faço aleitamento misto, por me ser dito q o bb não ganhava peso.
    Ainda consigo passar só para a mama e papinha (sim, ele já come sopinha)?
    Se sim, como posso fazer?
    Obrigada

    • Filipa dos Santos diz:

      Olá Natacha 🙂 Sim! É possível. Está disposta a tentar tudo o que estiver ao seu alcance? É essa a questão mais importante, para refletir.
      Se a resposta for sim, contacte uma conselheira de amamentação da sua zona para que possam encontrar-se. Se não souber qual a CAM perto de si, envie e-mail para filipabscam@gmail.com e eu terei todo o gosto em encaminhá-la para uma colega da sua zona. Se viver no Porto ou perto, podemos agendar.
      Filipa

      • leitora e enfermeira desiludida diz:

        Nao li o artigo todo, infelizmente… Sou profissional de saúde da área da neonatologia e portanto este é um assunto que me é muito importante na minha prática e sobre o qual procuro ler para me actualizar frequentemente.
        Comecei a ler o artigo com interesse e entusiasmo mas tudo isso caiu por tera quando vi a forma como falam dos profissionais de saúde, atacando-os, considerando-os incompetentes e burros, no mínimo… Há bons e maus profissionais em todo o lado, assim como há bons e maus escritores e bons e maus blogs… Acho que foram ofensivos perante uma classe que põe sempre o interesse do utente/cliente acima de tudo e que não merece tal desrespeito. Se acham que este assunto deve ser trabalhado para que as práticas mudem, façam-no de forma positiva… o reforço negativo está mais que provado ser pouco eficaz…

        • Filipa dos Santos diz:

          Olá! É pena que não tenha lido o artigo todo 🙂 Assim podia comentar com maior propriedade.
          É ótimo haver profissionais que procuram atualizar-se constantemente. Felizmente não é a única, se não estaríamos ainda pior.
          Em relação ao artigo. Sim, há uma crítica aos profissionais de saúde que não praticam medicina baseada em evidência, que usam de MÁ PRÁTICA, que são incompetentes. Aquilo que foi descrito acontece – com demasiada frequência.
          Infelizmente, a senhora não tem razão quando diz que “o interesse do utente/cliente está sempre acima de tudo”. Provavelmente é isso que pratica, mas muitos colegas seus não. Foi bastante claro qual o tipo de profissional que estava a ser considerado. Não vale a pena assumir interesses corporativos.
          Resto de bom dia.

      • Carina Ferreira diz:

        Boa tarde!
        Eu gostei do artigo e concordo que a amamentar é o melhor que podemos fazer 🙂
        Mas depois de ler o comentário da “leitora e enfermeira desiludida”, bem como a resposta a esse comentário tenho de elogiar os profissionais de saúde que me acompanharam. Tenho duas meninas, uma de 4 anos (que mamou até aos 21 meses) e outra de 8 meses, a qual ainda amamento. Ambas nasceram na Maternidade Daniel de Matos, onde sempre me trataram com respeito, dignidade e me deram toda ajuda e conselhos para que a amamentação corresse bem :). Após isso nunca me foi foi desincentivado a amamentação, apesar de uma das vezes o peso da bebé não estar conforme o que seria “suposto”.
        Por isso só tenho a agradecer a estes bons profissionais que me acompanharam 🙂 🙂 🙂
        Mas também sei, que infelizmente há casos inversos, mas penso que felizmente têm vindo a diminuir…
        Boa continuação

        • Filipa dos Santos diz:

          Olá Carina. Muito obrigada por deixar aqui a sua experiência! Que bom ter tido um acompanhamento de excelência. Temos de nos unir, como mulheres e mães, e reivindicar isso para TODAS 🙂
          Felicidades!

    • Anónimo diz:

      Olá tenho uma princesa de 5meses e pesa 8700 só com leite materno mas nos primeiros 15dias foram dolorosos porque gretaram me os bicos mas tinha vontade de lhe dar e sacrifiquei me um bocado “muito 😀” pois não há alimento melhor que este e a cumplicidade que se tem….já do outro filho também dei só peito até aos 6meses e prolongou se até aos 4 anos muita gente criticava me por ele ser grande mas cada mulher é que sabe o que deve fazer…. Amo dar peito 😍

  2. Anónimo diz:

    Se nenhum mamífero é suplementado porque é que o hão de ser os nossos filhos? Ora ora minha gente… acreditem na natureza em primeiro lugar.
    Amamento o meu filho há muuuito tempo e ele sempre cresceu (percentil 75) aumentou de peso (percentil 75) e ficou “mais inteligente” 😛 (perímetro encefálico 90). Raramente esteve doente e quando esteve passou-lhe num ápice! Estive foi ali tipo bomba de gasolina que ele não queria outra coisa, mas sei que fiz e lhe dei o que melhor podia, por isso só pode estar certo! Um dia ele há-de deixar de mamar, ou seja, quando ele quiser! 🙂 /,,/

    • Filipa dos Santos diz:

      Obrigada pelo seu comentário! Parabéns 🙂

    • Anónimo diz:

      Parabens, todas as mães deveriam pensar assim. Eu pensei e asssim fiz, mesmo na maternidade me terem dado a bebe suplementos com 2 dias apos o nascimento que eu nao deixei. Preferiar amamentar de hora a hora.

  3. Luísa Fernandes diz:

    Tenho um bebé de mês e meio.
    Engordou mt bem nas primeiras 2 semanas, mas tem vindo a diminuir drasticamente… A última pesagem apenas 30gr em 7 dias. Hoje falei com a enfermeira do centro de saúde, que me aconselhou a tomar o Promil a ver se melhorava alguma coisa, pois em 4 dias aumentou mais 20gr. Ele mama bem, faz intervalos curtos, faz entre 8 a 12 mamadas…ja não sei que fazer. A Enf. diz que tenho feito tudo bem… Mas que se continuar sem engordar, vai ter de tomar suplemento 🙁

  4. Sofia diz:

    Filipa , como posso saber a CAM na minha zona residência? (Almada) O meu príncipe tem 3 meses. Sempre amamentei, com aumento de peso cerca 30gramas/dia, mas no último mês a partir das 17h ele ficava “rabugento” e o peito parecia que nunca era suficiente. Mama de hora a hora e fica sempre a chorar. Tive de introduzir o suplemento, ainda que ele continue a resistir muito a aceitar o biberão.

  5. Maria M diz:

    Filha com 6anos,so largou a mama qd estava gravida do irmao com quase 3!Ele, por sua vez ja largou no ano novo o “vicio” (como lhe chamam)! Leite?… Sim, ainda sai algum…! Da 1a tirei leite pq “partilhei” com uma amiga pq lhe foi dito que com o stress nao tinha leite…

  6. Raquel Costa diz:

    Boa noite Filipa! Estou encantada com este artigo uma vez que tenho uma princesa de 3 meses e tal como a outra leitora aos 2 dias de nascida, tivemos que dar-lhe suplemento por ser sôfrega e não parar de chorar e que por fome. Hoje optei (algo contrariada e frustrada admito) por dar-lhe mix de mama e suplemento. O que mais desejava era dar-lhe só mama… Mas a nossa filha fica inconsolável! Não há colinho nem embalo que a cale… Acredite já tentamos tudo! Só o biberão ou a mama “silenciadora” a cala. Cheguei ao ponto de desespero de estar a tomar levedura de cerveja diz que porque ajuda na produção de leite. A sorte é que ela gosta de comer pega bem a mama de qualquer jeito ou mesmo o biberão. A questão dela é comer! Também tenho que admitir que estou a passar por um blues, ando muito cansada e quando a pequena embirra, estresso… Sei que não ajuda e tento por tudo ser zen…. Quero amamentar a 100% mas já não sei o que mais fazer… Preciso ajuda… Mesmo. Continuo a achar que não estou a produzir o suficiente…
    Obrigada pela leitura! Um abraço
    Raquel Costa

    • Filipa dos Santos diz:

      Olá Raquel, obrigada pelas suas palavras. Compreendo como se sente. Envie-me um e-mail para filipabscam@gmail.com, referindo qual a sua zona de residência para que lhe possa dar um contacto de uma conselheira de amamentação perto de si. Um beijinho.

  7. Maria Guimarães diz:

    Parabens pelo artigo! O promil ajuda realmente?

    • Filipa dos Santos diz:

      Olá Maria, obrigada. O promil parece ajudar algumas mulheres e outras não. Eu costumo recomendar às mães que o querem usar que experimentem comprar cardo mariano (é a erva com que fazem o promil) e façam o chá. Fica muito mais barato.

  8. Sofia diz:

    Sugeri a leitura do post a todas as amigas grávidas. Parabéns!
    Tenho uma bebé de 3 meses que tem tido um aumento de peso muito inconstante: uma semana engorda 250g e na seguinte 35g. Chorei, questionei-me e questionei o pediatra..mas nunca desisti. E neste processo, sem qualquer dúvida, as vozes dos profissionais de saúde que nos acompanham são fundamentais. Na primeira semana em que o aumento não correspondeu ao esperado tive um enfermeiro do centro de saúde a dizer que o meu leite não era bom (ao qual pedi desculpa pela correção e sugeri que se informasse decentemente porque não há leite melhor para o bebé do que o da mãe, sempre a fórmula mais indicada; pode é não ser suficiente..) e um pediatra a dizer que não era o fim do mundo, que ia correr alguns riscos mas, se estava disposta a lutar pela amamentação, ia ajudar a bebé (adormecia muito na mama). Por indicação do pediatra passei a tirar leite que dei sempre em forma de suplemento após a bebé estar na mama. Umas semanas resultava imenso, outra nem por isso. Mas o pediatra sossegou sempre a minha ansiedade: a bebé está bem, desenvolvida, tranquila…vamos continuar.
    Hoje parece estar a recuperar o tempo que está para trás, exclusivamente na mama. E eu agradeci ao pediatra a confiança que me fez ter, fosse qualquer outro e o LA tinha sido a primeira solução (como vejo em muitos casos).
    Portanto, este texto veio mesmo abraçar-me o espírito – muito obrigada! De leitura obrigatória para todas as mães a amamentar ou à espera de rebento.
    Felicidades!

  9. Andreia Rebelo diz:

    Bom dia.

    Devo dizer que este artigo me deixa algo intrigada. Como é que nunca deixamos de ter leite?
    Tenho mamilos “ultra” invertidos, não houve, até à data, estimulação que resultasse, tendo que recorrer aos mamilos de silicone.
    Ainda assim sempre pegou bem e mamava bem, umas vezes 5min e aterrava completamente, outras vezes 1h (ou mais) e ficava satisfeita.
    dava de mamar de um lado e escorria leite do outro, era maravilhoso imaginar o quanto poderia vir a dar de mamar ao longo dos meses à minha bebé.
    neste momento ela tem dois meses e está apenas a LA. De um dia para o outro o meu leite secou, sem mastites, nódulos, caroços, o que lhe quiserem chamar…
    É o meu maior desgoto, e desde aí confesso que descobri um lado obscuro da maternidade, tenho ciúmes das mamas que amamentam, ao mesmo tempo que fico verdadeiramente feliz por todas que o conseguem.
    Não considero que tenha tido falta de acompanhamento por parte dos profissionais de saúde, tanto médicos como enfermeiras foram super atenciosos, pacientes. Ajudaram-me o mais que puderam e tentaram 1001 estimulações desde o ambiente envolvente à alimentação, massagens, etc.
    Lamento, mas o leite acaba 🙁

    • Filipa dos Santos diz:

      Olá Andreia, não conheço a vossa história por isso não posso opinar. Sim, o leite acaba quando não há estímulo adequado. É, aliás, o tema da 2ª parte deste artigo – situações que levam a produção insuficiente de leite.
      Se quiser falar mais sobre o assunto, estou disponível por e-mail filipabscam@gmail.com
      Um beijinho.

  10. Na minha opinião acho que amamentar em exclusivo é ótimo, que será o melhor para o bebé e até mesmo para a mãe! ! Mas cada caso é um caso!!! Se muitas vezes as mães ficam angustiadas, frustradas, sem saber o que fazer porque o filho nao pega bem no peito, ou porque estao constantemente na mama e o psicologico começa a bater mal, nao tem de se recriminar ou ser recriminadas por deixar de amamentar!! Uma mae calma, sem stress secalhar é bem melhor do que uma maminha… Há bebés que sempre mamaram e estao constantemente doentes, outros que sempre beberam leite de substituição e sao muito saudáveis!!! Por isso acho que cada situação é uma situação! !! Um beijinho a todas as mamãs! !

    • Filipa dos Santos diz:

      🙂 Obrigada pela sua opinião, Angela. Uma mãe nessa situação pode pedir apoio. Quase todas as mães com experiências positivas na amamentação e que chegam aos 6 meses ou muito além disso, passaram por situações como as que descreve.
      Um beijinho.

  11. Vera diz:

    Sou e sempre serei contra extremismos.
    E isto agora virou moda, a que as mulheres são todas umas parvas por acharem que não têm leite suficiente, Ha sim mulheres com leite insuficiente, eu sou uma delas! Já tentei tudo, já tive cá em casa uma enfermeira do SOS amamentação e nada resulta, o meu corpo não produz o leite suficiente que ela precisa. Faz aleitamento misto. Tive 3 mastites o que me reduziu drasticamente a produção de leite. Cada caso é um caso, não vejam é dizer que quem quer tem, quem é preguiçoso e não se esforça, dá LA.
    Não é assim! Desde sempre que as mães passam por problemas de falta de leite, daí as famosas “amas de leite” e do leite de cabra, que era dado aos bebés quando as mães não tinham leite suficiente, e não me venham dizer que nesses tempos as pessoas não faziam tudo por tudo para amamentar….até porque não havia leite artificial.
    Nunca, em momento algum, em qualquer tipo de circunstância, se deve colocar tudo no mesmo saco. O importante é que a mãe se sinta bem e não ande a stressar cada vez que tem de alimentar um filho

    • Filipa dos Santos diz:

      Olá Vera, obrigada por comentar. Lamento saber que não teve a experiência que desejava na amamentação. Também lamento que pense que, em algum momento, houve alguma crítica dirigida às mães. Não houve.
      Aliás, no fim do artigo escrevi que a incapacidade de produzir leite suficiente existe, mas não é o motivo mais frequente. O mais comum é aquilo a que chamamos hipogalactia secundária, que surge depois, tendo várias causas possíveis – normalmente, alguma dificuldade no processo da amamentação. É isso que vou falar na 2ª parte deste artigo.
      Não posso, de todo, opinar qual terá sido o motivo no seu caso, pois não a conheço. Se quiser perceber o que aconteceu, pode enviar-me e-mail para falarmos um pouco mais: filipabscam@gmail.com
      Felicidades!

  12. Catarina E. diz:

    Eu estou a amamentar o meu segundo filho há quase 7 meses, em que os 6 primeiros foram de amamentação exclusiva, tal como na mais velha!
    As primeiras duas semanas foram muito difíceis em termos emocionais, com a filha mais velha, com 4 anos, a querer a mãe mais do que nunca e mais do que tudo.. E a mãe a stressar.. E o bebé, quando devia estar a recuperar o peso do nascimento, continuava a baixar.. Na urgência do HSFXavier, foi avaliado por icterícia e houve um pediatra que sugeriu suplemento, mas felizmente, houve análises que demoraram a chegar e o turno dele acabou! A pediatra seguinte sugeriu esperar mais uns dias e aumentar a frequência das mamadas (2h/2h) a ver se ele aumentava o peso, antes de outra solução! Assim, respirei fundo, acreditei que conseguiria, uma vez que já tinha acontecido antes e ao fim de uma semana já tinha aumentado 500g!!!!! Até aos 3meses mamava de 2h/2h, e às vezes passado 1h30 durante o dia, 3h/3h à noite. Agora tem 8,500kg come muito bem a sopa, a fruta e a papa e continua a tomar o pequeno almoco, o lanche e a ceia na mama! 🙂
    Não digo que foi fácil, mas se o leite materno é o melhor para o bebé, o esforço é muito importante! Tenho orgulho em ter conseguido e percebo a dificuldade de muitas mães, mas o meu conselho é: nunca desistam e tentem não stressar! 😉
    Boa sorte a todas!

  13. Bea diz:

    Olá Filipa.

    No meu primeiro filho, tudo era novo e eu achava que era quase impossível amamenta-lo. A minha mãe não o tinha feito, a minha sogra não o fez.
    O que é certo é que fui feliz. O meu pequeno sempre pegou bem. Eu também fui persistente e a minha primeira experiência no primeiro filho valeu-me de muito. Se tivesse tido uma má experiência não sei se teria tentado a amamentação no segundo (que me custou no inicio horrores)

    A todas: as que conseguem amamentar com sucesso, as que não conseguem mas têm consciencia que o LM é o melhor alimento para o bebé o meu conselho é para não desistirem. Com resiliência tudo se consegue.

    • Filipa dos Santos diz:

      Olá Beatriz 🙂 Ainda tens de me contar essa tua história com mais pormenores – ou fazeres um post sobre isso.
      Obrigada pelo testemunho. Aliás, é por causa deste testemunho que estamos aqui a ler este artigo e a comentá-lo. Grata pelo convite de escrever para esta casinha do Bloga8.
      Um beijinho.

  14. Anónimo diz:

    Olá. Adorei o artigo. Sou uma mãe de 28 anos, com uma filha de 11 meses. A minha bebé nasceu com baixo peso às 37 semanas. Sempre quis dar mama e ainda dou. Comecei a amamentar logo após o parto, mas como ela era muito pequenina e se cansava a mamar, tal como não tinha muita força para a sucção, não estava a aumentar de peso, pelo contrário, estava a perder. No hospital, tive um bom aconselhamento e, quase até ela fazer 2,5 meses, eu tirava o meu leite e guardava no frigorífico. Deixava-a mamar cerca de 30 a 40 min, que era o que ela aguentava e depois, consoante o que eu via que ela mamava, aquecia cerca de 20 a 30 ml do meu leite (mais para o fim, cerca de 40 a 50) e complementava com o biberão. É certo que as primeiras vezes ela baralhava um pouco quando passava do biberão para a mama, na mamada seguinte, mas lá se orientava com a continuação. Pode ter sido errado o que fiz, mas comigo deu resultado. A minha pequena ganhou peso somente com o meu leite e, actualmente, com 11 meses, ainda mama de manhã e à noite, sempre e, quando estou em casa, por vezes pede-me ao lanche, depois de almoço (para dormir 🙂 melhor, lol). Eu dou, sempre que ela quer. É o melhor remédio quando está doente. Já aconteceu apanhar “as doenças das creches” e não lhe conseguir dar mais nada senão mama. O que me surpreende é as pessoas abordarem-me e ficarem muito admiradas por eu ainda dar mama. Parece uma coisa surreal!!! Parece que o normal agora é o aleitamento artificial, como já me disseram após eu perguntar a uma colega com um bebé de 3 meses: “Ainda dás mama?” – resposta: “Não, dou o leite normal!” (então devo pensar que o meu leite é anormal 😉 ). Fiquem bem e boas mamadas para os nossos bebés 😮

    • Filipa dos Santos diz:

      Obrigada por deixar aqui o seu testemunho! Que bom ter conseguido ultrapassar essas dificuldades iniciais. Com uma experiência tão feliz para si e a sua bebé, certamente tudo aquilo que fez foi o melhor para a vossa situação em particular.
      Felicidades!

  15. Dora dos Santos diz:

    Ola Filipa!
    Gostei muito do blog e fiz questao de o divulgar nas minhas redes para outras maes. 😊
    Sou mae de 2a viagem, o meu filho tem agora 3 meses. A minha primeira experiencia foi com os meus maravilhosos gemeos. Amamentei de exclusivo ate aos 6 meses e continuei ate aos 2 anos, altura em que ELES descobriram (antes de mim) que eu estava gravida e me disseram com um lindo sorriso ‘Mamã, nao quero mas mamaté!’ 😍
    Fiquei surpresa porque eles tinham uma relação de amor com a maminha, que continuava a produzir leite (apesar de gravida).
    A minha experiencia com os gemeos:
    No inicio foi muito doloroso, a pega doia muito e cheguei a sangrar dos mamilos fissurados. Chorei muito, mas não desisti!
    Apesar de eles terem nascido as 35 semanas, um deles tinha dificuldade em pegar, sugar e adormecia rapidamente. No hospital deram suplemento para ajudar e porque eu estava de rastos. Em casa foi exclusivo e nao desisti!
    A minha mãe dizia-me para me mentalizar que nao amamentava mais do que 2 meses porque foi isso que lhe aconteceu. Fiquei triste mas nao desisti!
    Todos diziam para deixar de os amamentar depois dos 6 meses porque estava a perder muito peso. Cheguei aos 49kg quando o meu peso habitual antes de engravidar era 65kg. Tive tendinites, problemas nos pulsos, na coluna e nos ombros. Nao tomei medicaçao porque estava a amamentar, durante as noites pouco dormia porque nao tinha posição e as dores aumentavam. Nao desisti!
    A privação do sono era muita! Pensei muitas vezes em ‘comprar tabaco bem longe’, mas nunca fui 😂
    Chorei, chorei e chorei! Pensei que nunca mais ia acabar!
    Amei, sorri e fui feliz! … nao queria que acabasse! Tudo é uma fase e se eles quisessem hoje ainda estaria a amamenta-los!
    Tive um intervalo: a minha gravidez (de apenas 1 bebé, ufa!)
    Se fossem gemeos voltaria a fazer tudo de novo?! Nao sei!!!
    Se me arrependo? Nunca!! Eles nao mamam hoje por opção deles, preferem ver o mano a mamar 😍
    O mano, como vai ser? Não sei! Um dia de cada vez. O meu marido ja perguntou quando é que ele dorme a noite inteira. ‘Quando ele quiser’ foi a minha resposta. Durante a noite acorda 1 vez para mamar! Nao nos podemos queixar 😊

    É preciso acreditar em nós, seguir o que achamos ser o melhor para todos, seguir o nosso ❤ e ser feliz!
    Tudo é uma fase, tudo vai passar!
    Bjos

  16. Patrícia diz:

    Dei de mamar exclusivamente até aos 3 meses altura em foi verificado que a minha bebé estava a aumentar muito pouco de peso (cerca de 40gr em 7 dias, em pelo menos duas semanas consecutivas); a partir dai comecei a dar também LA mas continuei a dar de mamar… hoje em dia com 4meses e meio já começou com as papas e vai iniciar a fruta e está a engordar… não engorda muito porque não come muito mas lá vai fazendo a sua curvinha de crescimento normal apesar de ter um percentil baixo. Confesso que pertenço ao grupo das mamas que gostariam de alimentar os seus bebs exclusivamente ate aos seis meses e continuar pelo menos até um ano ou dois… será possivel aumentar a minha produção de leite? Nota: a minha bebe dorme a noite inteira desde muito cedo… será por isso que a produção de leite diminui por passar muitas horas sem mamar durante a noite?

    • Filipa dos Santos diz:

      Olá Patrícia, que bom continuar a amamentar o seu bebé!
      Para ter uma resposta a essas questões, é necessário conhecer bem toda a vossa história, etc., pelo que aconselho-a a contactar uma conselheira de amamentação da sua zona. Pode enviar-me e-mail para filipabscam@gmail.com para que eu lhe envie um contacto.

  17. Anónimo diz:

    Desculpe mas n concordo consigo. É preciso ter cuidado com os fundamentalismos da mama pq Os bebés passam fome sim! Nem 8 nem 80!

    • Filipa dos Santos diz:

      Absolutamente. Os extremos, seja lá para que lado for, não calham bem 🙂
      Há muitas situações possíveis para que um bebé não esteja a conseguir ingerir leite suficiente, é verdade. Esse é o tema da 2ª parte deste artigo. Fique atenta pois há-de sair em breve.

  18. Fatima Crispim diz:

    Olá tenho um bebé de 2 meses que desde a 1° semana de vida toma LA.
    O Tomás nasceu com o freio da lingua preso e durante 3 dias de internamento chorava dia e noite quase sem parar, nesses 3 dias as enfermeiras diziam que a pega era boa e que ele tinha cólicas.
    Durante o internamento não soube o que era dormir, dorida da cesariana e muito inchada pois nem conseguia me deitar na cama.
    Ainda assim dei mama sempre que ele chorou , sangrei, chorei, mordi fraldas e ainda assim nao desisti.Ao segundo dia como os mamilos sangravam dissera me para colocar bicos de silicone pois o bebé tinha a lingua presa, nasceu com o frei curto e nada foi feito quanto a isso. Ao terceiro dia o meu bebé baixou mais do que devia e era proibido continuar a baixar o peso.
    Perante o desespero do meu bebé tive de aceitar que ele tinha fome e eu própria pedi La.
    Durante algum tempo mamou e bebeu La e gostava da mama e spesar de retirar apenas 20 ml diariamente continuei a por ele á mama, hoje ele recusa a mama e bebe o pouco leite que retiro no biberão, já fez o corte do freio mas já foi tarde pois a amamentação por esse motivo ou não foi comprometida. Começei hoje a tomar Promil na esperança que consiga produzir mais leite, ja sofri muito por não amamentar o meu bebé pois passei por toda a fase difiçil das dores para amamentar e o meu filho bebe La.
    Cada caso é um caso, nem sempre é porque a mãe não quer ter trabalho ou passar pela fase difiçil da amamentação. Meu bebé é uma criança saudavél e está a crescer muito bem apesar de beber La.

    • Filipa dos Santos diz:

      Olá Fátima,
      Obrigada por deixar o seu testemunho.
      Lamento que o seu bebé não tenha tido um diagnóstico de freio curto e tratamento mais cedo. O freio da língua curto é, precisamente, um dos motivos para que um bebé não consiga mamar de forma eficaz – não consegue retirar leite suficiente, tal como a Fátima conta, e a mãe, geralmente, sente bastante dor, como também descreve…
      Fico mesmo triste que esta situação passe ao lado tantas vezes e seja ignorada como uma causa altamente condicionante de uma experiência positiva na amamentação para a mãe e o bebé.
      Eu não acredito que haja situações de frustração com a amamentação em que o motivo seja a mãe não querer ter trabalho. Nesse caso, não há qualquer frustração. É uma decisão e pronto. Aquilo com que não nos importamos não nos transtorna. Pelo contrário, a maioria das mulheres quer amamentar e sente-se frustrada e desiludida quando não consegue.
      Em relação à amamentação, uma vez que refere estar a tomar promil, aconselho-a a contactar uma conselheira da sua zona para que possa ter apoio presencial no sentido de perceber o que há a fazer no seu caso e decidir, conscientemente e de forma informada, se pretende tentar ou encerrar este capítulo 🙂
      Se quiser um contacto, envie-me e-mail filipabscam@gmail.com
      Felicidades!

  19. Andreia Rosa diz:

    Boa noite! Desde já, parabéns pelo texto.
    No entanto, perante a minha experiência tenho que discordar quando diz que, há profissionais de saúde que “apalpam” as mamas para tentar extrair leite. Penso que os profissionais de saúde estão dotados de conhecimento suficiente para saberem que o “primeiro” leite produzido é colostro, essencial e necessário aos bebés nos primeiros dias de vida.
    É claro que nenhuma mulher gosta de ver invadida a sua privadidade, mas este será “um mal necessário” para se ter um acompanhamento permanente por parte destes profissionais, ainda na maternidade. E sim, penso mesmo que eles trabalham no interesse superior do utente.
    Cada um com a sua opinião, e respeitando a de cada um que aqui se exprimiu, penso que aqui são escritas palavras muito fundamentalistas.
    A amamentação varia de mulher para mulher e há que respeitar a vontade de cada uma, o corpo de cada uma e adaptar técnicas a cada uma sem que a mulher se sinta obrigada a amamentar só porque tem uma CAM que insiste nisso com as suas técnicas e ideias de que “não há leite fraco”, “o leite não acaba”, etc… Sem esquecer que os bebés desde que nascem, também têm vontades próprias 😉

    • Filipa dos Santos diz:

      Olá Andreia, obrigada pelo seu comentário.
      Infelizmente, há muitos profissionais de saúde que apalpam a mama da mãe logo após o bebé nascer e tentam extrair leite para verificar se existe leite (ou colostro) para o bebé mamar. Lamento, mas existe. Diariamente contacto com mães que me contam isto. Não tenho motivo nenhum para crer que as mães estejam a mentir.
      Esta prática não é correta, não é necessária para fazer um bom acompanhamento, pelo contrário, e é obsoleta. Lamento isso também.
      O facto de existirem profissionais com este tipo de atuação e o facto de neste artigo ter decidido dar-lhes destaque – para os fins a que se propõe o texto – não significa, de forma algiuma, que não existam bons profissionais, com excelentes práticas, atualizadíssimos, e que o apoio prestado na amamentação é ótimo. Existem. Felizmente.
      Quanto ao extremismo/fundamentalismo, estamos de acordo. A amamentação é única e depende essencialmente do bebé. Sou a primeira a defender que é impossível dar respostas generalistas a uma mãe com uma questão qualquer, por isso mesmo, como pode ver pelas respostas a outros comentários, questões concretas que aqui foram colocadas por várias mães, encaminhei para o meu e-mail para que possam ter apoio personalizado. O objetivo aqui é apenas informar, de forma generalista.
      Leite fraco não existe. Isto é ciência, não é paranóia nem extremismo. Em relação à quantidade de leite produzida e alguns dos fatores que a podem influenciar, convido-a a ficar atenta pois há-de sair a 2ª parte deste artigo, que é precisamente sobre isso. É de tal forma complexo, que não há mistura, daí ser escrito em duas partes. 😉

  20. Sílvia diz:

    Tenho 2 filhos, uma menina que hoje tem 7 anos e um menino de 23 meses. À primeira dei de mamar até aos 30 meses, o 2º ainda mama e estou grávida de quase 7 meses. Da minha filha tive de ultrapassar todas as dificuldades inerentes a uma cesariana desnecessária e muito traumatizante quer física quer emocionalmente, mas ela, a muito custo pessoal nos primeiros meses, foi sempre crescendo e hoje ainda não sabe o que são as tão famosas “ites” que habitam as creches e antibióticos ainda nunca os conheceu. O meu filho nasceu de forma humanizada e respeitosa, mas com pouco mais de 2kg. Foi um desafio maior, pois ora aumentava ora não. Mas suplemento nem vê-lo. Hoje ainda mama. Fizemos o que foi necessário para ver se não havia nenhuma outra complicação em termos de saúde e felizmente também é um menino muito saudável. Ao longo dos muitos meses de “maminha de fora” ouvi mil e muitos comentários que ao invés de incentivarem tentavam convencer-me a tirar-lhes a mama. Infelizmente não posso dizer que os profissionais de saúde me tenham apoiado muito, mas também sei de casos com experiências muito positivas junto de enfermeiras e médicos de família. Como em tudo há bons e maus profissionais. A minha filha aos 30 meses numa noite boa acordava só 5 ou 6 vezes para vir à maminha, o mano faz o mesmo. Por isso sei bem o que significa privação de sono.
    Sabem o que valeu7vale? Primeiro rodear-me de mulheres que acreditavam em mim e em si próprias no que respeita à nossa capacidade de alimentar os nossos filhos, em segundo lugar ter um marido que nas horas de desespero me lembrava sempre que a minha maminha era o melhor para eles e que valorizou sempre a minha entrega e dedicação e por ultimo fechar os ouvidos às bocas desinformadas e abrir os olhos às evidências científicas. Não há leite fraco, nem pouco leite. Há sim, infelizmente, muitas mães desapoiadas, cansadas, sobrecarregadas de tarefas domésticas. Amamentar no início é muitas vezes difícil. Continuar a amamentar depois de voltar ao trabalho pode ser exigente e pode requerer planeamento e organização antecipadas, mas faz-se, é possível. Os meus filhos mamaram ambos em exclusivo até aos 7 meses e eu voltei ao trabalho aos 5 meses. Continuar a amamentar tanto tempo, é dar continuidade a um ato natural, mas culturalmente ainda muito pouco incentivado… Amamentar é natural, mas pode ser muito desafiante. Primeiro é preciso querer e querer muito, porque exige de nós física, emocional e culturalmente. Por isso mães, acreditem em vós, no vosso corpo, peçam ajuda às CAM que consigam encontrar, e a outras mulheres que vos possam ajudar, rodeiem-se de quem vos apoie e não vos deite abaixo!
    Quando amamentamos damos o melhor de nós 😀 não desistam nem de vós nem deles.

  21. […] Como prometido, aqui está a 2ª parte do artigo Vou-te contar um segredo, mamã: o teu leite não acaba: […]

  22. […]  Vamos deixar essa questão para um próximo post. Já está disponível aqui. […]

  23. Ana diz:

    Obrigada pelo esclarecimento…
    Tive a minha filha dia 25 de Março no dia a seguir fui aconselhada a dar suplemento pela enfermeira do hospital porque a bebé mamava meia hora em casa mama e ainda assim procurava o peito. Dava 30 ml mal comia dormia…
    Vim para casa e achei que conseguia fazer as coisas bem e assim que o leite desceu retirei o suplemento e fiz livre mamadas…. Ao fim de 4 dias não usei mais suplemento até hoje (tenho uma lata de leite aberta na despensa) e a bebé Só nesta semana aumentou 230grs…. Segunda faz 1 mês que ela nasceu e graças a deus está excelente de Saúde 🙂

  24. Anónimo diz:

    Olá. Amamento o meu filho ha 9 mêses e nao me arrependo nada 😉 claro que é escusado dizer que durante a noite já nao sou da mesma opinião 😂😂 ( estou a ser sarcástica). Este é o meu 3o filho e só deste é que tive maior informação neste campo. Julgava tudo aquilo que a filipa descreveu. ..até porque os proprios medicos qd regressei ao trabalho receitaram suplemento. Deste nao teriam sorte tambem, pois detesta biberoes e chupetas 😛. Acredito que com o trabalho de pessoas como a filipa e transmitir boas experiências com a amamentação e sua importância, começamos a mudar muitas mentalidades 😉

  25. Anónimo diz:

    Este é sem duvida um dos temas mais importantes para as futuras e recentes mamãs! O meu caso é também um exemplo do que a força de vontade e a resiliência compensa! Fui mãe há três meses e meio e os dois primeiros meses foram muito, mas mesmo muito complicados! Desde a subida do leite que comecei a ter dores horríveis num dos peitos, para além das dores nos mamilos que gretavam, sangravam, etc, mas que eu ja achava “normais”. tinha dores insuportáveis numa mama, era como se ela nunca esvaziasse, por mais que a bebe mamasse nela, assim que parava voltava a ficar tipo pedra. A bebe sempre pegou bem e eu sentia que ela adorava a mama. Entretanto, passou a aumentar muito pouco de peso, e aqui tenho de agradecer à pediatra, que antes de lhe introduzir o suplemento, me aconselhou a dar das duas mamas em cada mamada, ao invés de uma mama em cada mamada como me aconselharam no hospital e no curso pré-parto (mesmo estando constantemente a ouvir da mãe, tias e avós que no tempo delas se dava das duas, e que isso é que era bom e etc). A bebé passou a ganhar peso com esta alteração, mas as dores continuavam, tentei de tudo, sacos da agua quente antes da mamada, “pentear” a mama, massagens no banho com o chuveiro, retirar leite com a bomba, ligar as mamas com trombocid, cheguei até a por couves nas mamas, indicado por uma CAM, e nada! Nada me aliviava as dores que durante a noite eram um suplicio ainda maior! Na consulta de revisão pós parto, queixei-me à minha obstetra das dores e do peito encaroçado, que me disse sem sequer me tocar na mama: “é normal! Se quer amamentar tem de se aguentar! Quer mesmo continuar a amamentar?” Confesso que isto deu cabo de mim… A verdade é que eu queria continuar a amamentar, não estava preparada para cortar este laço quando sabia que o meu leite era o melhor para a bebe! Aguentei a pressão e disse à medica que sim, que ia fazer uma ultima tentativa! Passado uma semana a mama começou a ficar vermelha, as dores não aliviavam e voltei à minha obstetra… Desta vez ela já não podia dizer que era normal, olhou para a mama e disse-me que era uma mastite e que tinha de ser medicada! Passei a tomar antibiótico e anti-inflamatório durante 8 dias. As dores melhoraram mas a mama continuava dura, com aquele “caroço” que não desaparecia! Passados esses 8 dias a mama voltou a ficar vermelha e sem a medicação as dores voltaram a ser insuportáveis… Mas eu lá continuava a resistir e a amamentar a minha bebe que ia aumentando de peso! Ao consultar uma médica de família, voltou a prescrever-me antibiótico porque normalmente nestas situações 8dias era pouco! uma caixa de antibiótico e outra de anti-inflamatório depois e tudo voltou novamente! Eu estava prestes a desistir, a cada passo destes eu dizia: “é a ultima tentativa, se não funcionar eu desisto”, e a ultima tentativa repetiu-se várias e várias vezes! Fui também a uma consulta de amamentacão, passei a reduzir o intervalo entre as mamadas, dormir sem soutien, mas não havia melhoras… Eu chorava de dores, mas chorava ainda mais cada vez que pensava que ia desistir e deixar de amamentar! Depois de me ter mentalizado que já não aguentava mais fui a uma urgência à MAC, e foi finalmente a viragem neste percurso que se estava a revelar tão sofrido! Na urgência veio uma médica especialista em mamas (foi o que me disseram lá) que por apalpação me diagnosticou um galactocelo! Eu nunca tinha ouvido falar, não sabia o que era, só queria saber se me iam resolver o assunto! A médica drenou-me o peito a sangue frio, quando vi a agulha na minha direção, tremi, ao que a médica me disse: “esta dor perto do que tem sofrido não é nada!” E tinha razão! Naquelas seringas sairam leite, pus, sangue, mas sairam também as dores que me atormentavam há tanto tempo! Mas veio novamente a pergunta: “tem a certeza que quer continuar a amamentar?” O que a médica me disse foi que muito provavelmente o “nódulo” ia encher novamente e voltar ao mesmo! E eu tentei mais uma vez… Se voltasse a encher ia desistir, já estava mentalizada, mas graças a deus as coisas têm estado a correr bem… Agora sinto o prazer de amamentar, resisti às dores, resisti à pressào das pessoas à minha volta, e sinto-me muito muito feliz por ter conseguido! Agora espero continuar com o aleitamento exclusivo até aos 6meses e depois vem o próximo desafio: continuar a amamentar depois de voltar ao trabalho!

    • Filipa dos Santos diz:

      Estou sem palavras perante este testemunho! Que história incrível de superação. Uma mulher de força, determinação e coragem, sem dúvida. Grata por esta partilha.
      Fico muito feliz por saber que agora está, finalmente, a viver o seu sonho. “Agora sinto o prazer de amamentar, resisti às dores, resisti à pressão das pessoas à minha volta, e sinto-me muito muito feliz por ter conseguido!” <3
      Feliz por saber que encontraram o problema e que ficou resolvido, e que assim continue. Lamento que tenham demorado tanto. Os profissionais têm de parar de desvalorizar o que as mães sentem.
      Não sei se irá ver esta resposta, mas gostaria muito de ter a sua autorização para publicar o seu relato diretamente na página da Amamenta Porto (em http://www.facebook.com/amamenta.porto).
      Em relação ao desafio de continuar a amamentar depois do regresso ao trabalho, posso ajudá-la a sentir-se mais tranquila em relação a isso (contacte-me para filipabscam@gmail.com).
      Um grande beijinho.

  26. […] o corpo humano é fantástico e sabe exatamente o que faz, quando tudo funciona de forma saudável? Assegure à mãe que amamenta que o corpo dela sabe nutrir um bebé nascido tanto quanto o nutriu in…Assegure-lhe, também, que o organismo do seu bebé sabe quando tem fome e de quanto e quando […]

  27. Andreea Zachia diz:

    Filipa obrigada pelos artigos e pela partilha de testemunhos.venho acrescentar o meu:estou a amamentar o meu segundo filho em livre demanda,desde inicio.tem 4m e meio.Teve um primeiro a mamar lindamente,com excelente crescimento.A partir do 2 mes fez algumas recusas alimementares inexplicaveis,superamos a crise dos 3 meses,tivemos ajuda de excelentes CAM,mas o bebe tem fome.Não sempre,mas tem alturas em que a mama não chega,não sai leite (apos mais de 1h de succao),ele fica frustrado e cansado e eu tambem.mesmo assim,dei LA muito pontual e atraves do sistema de relactacao da medela.bebo imensos liquidos,tomo promil,capsulas de feno grego,levedura de cerveja e tenho muito apoio em casa para me poder dedicar ao bebe.fiz babywearing,co sleep e contacto pele com pele.tenho imensa vontade de amamentar o meu filho,mas noto que o aumento de peso é insuficiente(chegou a 10g por dia) e os sinais de fome são obvios.por recomendacao da pediatra introduzi a papa ha 5 dias e estou a tentar extrair leite na altura da papa,para continuar com o ritmo das mamadas dele.mama a cada 2-2h30,mesmo de noite as vezes ate a cada hora. Vou regressar ao trabalho dentro de 3 semanas e estou preocupada porque não tenho leite armazenado e acho que fiz mesmo tudo e noto que mesmo assim não chega. Alguma sugestao? Obrigada

    • Filipa dos Santos diz:

      Olá Andreea,
      Parabéns por tudo o que tem feito!
      Por favor contacte por email (filipasantos@amamenta.net) ou telefone (93 202 31 64).

  28. Tânia diz:

    É possível que com o stress de um dia para o outro a mama fique mole e com muito menos leite do que nos dias anteriores ( minha mama ficava muito cheia e tinha bastante leite) ?

    • Olá Tânia, não conhecendo bem a situação não posso opinar… À partida não, mas podem haver outras questões envolvidas que desconheço e que tenham contribuído para essa sensação.
      Qualquer das formas, mama mole não significa que não tenha produção de leite.
      Regra geral, o stress normal do dia-a-dia não interfere nada com a produção de leite.
      Se continuar com dúvidas, contacte http://porto.amamenta.net/contacto/

  29. Edileuza diz:

    Oi….. Filipa
    Eu não consegui amamentar no primeiro momento em que minha filha nasceu. Porq o leite ainda não tinha descido.
    Então minha filha tomou a fórmula.
    Depois desse momento fui aprender a mamaentar. Dói . Sim. Mais no meu caso foi pouco.
    Minha filha tem faz 3 meses essa semana.
    Ela mama bem. Mais nunca conseguiu secar uma mama. Tem sempre bastante. As vezes quando mama numa a outra vaza. Muito feliz por pode amamentar

  30. Jayne Café diz:

    Boa noite
    Estou com 23 semanas e ja tenho o colostro vasando muito todo dia aumenta a quantidade que vasa
    A minha pergunta é
    Quando a minha bebê nascer isso significa que eu terei bastante leite?
    Ou mesmo assim ele pode secar?

  31. Lucia diz:

    Boa tarde
    Apesar de este post já ser antigo,e face ao comentário de uma colega de profissão , decidi comentar.
    É lamentável mas acontece: ao primeiro deslize no peso de um bebé,  a primeira coisa que uma mãe ouve é “não aumentou o que devia de peso,este bebe tem de ser suplemenado”.Eu ouvi isto de uma colega num centro de saúde.Não Não,ninguém me perguntou:
    -como era a pega e posicionamento
    -as minhas dificuldades,expectativas e desejos
    -se tinha rede de suporte para esta nova realidade
    -se estava em livre demanda
    – se tinha dores,fissuras ou mastite, como eram os mamilos,ou outros milhentos problemas nas mamas
    – se havia chupetas,bicos de silicone a interferir
    – etc
    Fizeram logo o diagnóstico e deram a solução numa curta diferença de segundos: leite adapatado.
    Bem lamento mas NÃO HOUVE LEITE ADAPATADO.Porque eu não quis.Porque ao meu lado tenho alguém que me disse  ” nem pensar.Vamos conseguir”. E tive um excelente pediatra que me dizia “uma gota de leite seu vale ouro.Primeiro mama.E dê leite adaptado se ela pedir e ficar insatisfeita.Se não, ponha a bebé a mamar mais frequentemente.Mas evite aos máximo leite adapatado”.Abençoadas palavras.
    Mas tudo porque numa semana a minha bebe engordou 16g/dia. Bem,na semana seguinte engordou 62g/dia…e depois 18g/dia…depois 32g/dia.Mas 62g/dia não causou espanto,16g/dia já causou… como se o bebé fosse uma máquina programada para 20g/dia.
    Esquecemo-nos que existem duas pessoas em adaptação: uma mãe e um bebé. Um bebé que está num mundo novo,com muitas exigências.Tem de puxar para comer,cansa-se,adormece a mamar,tem dores,pode estar irritado,é  inexperiente,e ninguém está sempre igual todos os dias. E uma mãe,que quando decide amamentar é porque quer mesmo amamentar (sejamos sinceras: actualmente a mulher faz o que quer quando quer, sendo indiferente ao que pensam e dizem ).Mas as hormonas andam aos santos, está insegura,e pode não saber. Pior, aquele olhar de reprovação porque o aumento de peso não foi o esperado, quase culpando. Isso sim desmotiva, stressa uma mãe.A solução não é meter leite adaptado pela boca. É ensinar e apoiar a mãe nesta nova jornada. E a mim,ninguém me ajudou. Tive de ser eu a ser teimosa,bater o pé e procurar. Bem a minha pequenina mamava de 2h/2h. Estimulava a mama com a bomba(chegava a adormecer com ela e a ter os mamilos doridos).Promil e natalben lactacao.E 2,5 litros de água por dia.E consegui.
    Mas infelizmente não o devo a nenhuma colega.
    Insurgimo-nos contra doulas,conselheiras de amamentação, e na verdade são estas mulheres que ajudam muitas vezes mães desesperadas.Porque as enfermeiras estão mais preocupadas com metas, valores e leites adaptados (RESSALVA: HÁ EXCELENTES ENFERMEIRAS TAMBÉM).Mas é mais cómodo e fácil receitar leites. Sentar uma mãe uma semana,um mês,todos os dias e observar, ensina-la, dá trabalho.
    A minha pequenina com quase 3meses, está no percentil 97 em peso, altura e perímetro cefalico,usando as novas tabelas da Organização Mundial de Saúde (os boletins estão desactualizados,pois os valores foram corrigidos pela OMS mas ainda não foram adaptados aos nossos livronhos). E repito NÃO HOUVE FARINHA.
    Mas esta é a minha história.
    Metas? 6 meses de amamentação exclusiva. Amamentação em complemento até 1anos. Depois? O que vier é muito bem vindo e agradeciso.
    A todas as mães mais novas que encontro nos cantinhos de amamentação, e que puxam conversa com um “que bebé  tao linda e tão gordinha”, digo e repito ” não desistam até o vosso pediatra dizer que é preciso uma ajudinha. Mas insistam,e pode ser que a ajudinha deixe de ser necessária.”
    A minha menina ainda é muito pequenina, e profissionalmente tenho um posto de gestão, mas haverei de ter tempo para ajudar outras mães. A médio prazo é esse um objectivo meu.
    Não esqueço a minha  aflição daquele dia  “sou má mãe, nem leite tenho. Ela está magrinha por minha causa “. Depois lá me coloquei na ordem e apaguei esses pensamentos tontos.
    Mas nada apaga o sorriso da bebe ao ver as mamas, quando me vê,as festinhas que faz na mama ao mamar.
    Um Obrigada a todos os que ajudam as mães a amamentar, independentemente do género e profissão. Todos juntos acabaremos por evitar o desmame precoce de muito bebés.

    • Bea diz:

      Que lindo testemunho Lucia! Bem haja por não desistir. De sempre o melhor ao seu bebe. De consciência livre de julgamentos e opiniões. Um beijinho grande para si e para a “godinha” 🙂

  32. Dinha diz:

    Minha filha tem 8 anos, ainda mama…tento tirar mas não consigo, tenho dó dela, ainda tenho muito leite.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.