[psicologia] Autismo

É, por vezes comum, ouvir-se falar de crianças autistas, no entanto, é extremamente complexo conseguir lidar com este transtorno na prática… Principalmente para os pais de algumas crianças que se vêm confrontados com esta questão diariamente.

No entanto, este escrito pode servir para esclarecer algumas coisas e para diminuir um pouco, alguns dos receios sentidos .

 

O Autismo é conhecido como uma alteração “cerebral”/ “comportamental” que afeta a capacidade de comunicação da criança, de estabelecer relacionamentos interpessoais e de apresentar respostas adequadas ao ambiente que a rodeia. Contudo, nem todos os casos de crianças com autismo são similares, algumas crianças e, apesar de autistas, apresentam inteligência e fala intactas, outras apresentam retardo mental, mutismo ou ainda, significantes atrasos no desenvolvimento da linguagem… Nunca nos podemos esquecer de que, cada caso é um caso! E é necessário olhado de maneira única e singular.

É comum em crianças que apresentam esta perturbação, parecerem demasiado fechadas e distantes, quase como se vivessem num “mundo à parte”, quase como se estivessem alienadas de tudo e de todos…Mas esta é uma característica comum deste transtorno, é há que saber lidar com ela e contorná-la da melhor forma possível! A criança com autismo centra-se muito em si mesma, como se mais nada existisse…Para além deste aspeto, também existem aquelas crianças que parecem estar presas a comportamentos restritos e padrões rígidos de comportamento, como se apresentassem “rituais sagrados”, o que por vezes causa alguma indignação e constrangimento para quem observa. Mas, muito IMPORTANTE, é preciso não demonstrar essa indignação, é preciso não se reforçar a ideia de que se tratam de crianças “diferentes” das outras…E desenvolver todo um trabalho, em casa, na escola, junto de profissionais habilitados, para promover a Igualdade e a Inclusão destas crianças, na sociedade, no grupo de pares, e, por vezes, no próprio seio familiar.

São crianças iguais a todas as outras, com particularidades que as tornam especiais à sua maneira, com qualidades peculiares que devem ser reforçadas incessantemente.

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É comum, que a maioria destas crianças não fale, e quando o fazem é comum que se verifique a ecolalia (repetição de sons ou palavras). Apresentam uma linguagem própria, e uma forma singular de transmitir o que pretendem. Há que saber comunicar com estas crianças, de as fazer sentir compreendidas e escutadas, ainda que não nos digam muita coisa…É, igualmente, característica a grande dificuldade que demonstram ao nível da expressão das emoções, parecendo que são indiferentes a tudo e todos, não expressando sentimentos, como se vivessem “fechadas sobre si próprias”.

Apesar da morosidade dos tratamentos e da grande dificuldade em ver resultados, muito do trabalho com estas crianças, quer em casa, quer na escola, passa por uma estimulação constante e por um apoio da parte daqueles que a rodeiam, no sentido de fazer com que a criança interaja com o ambiente, se interesse por aquilo que a circunda, despertar a sua curiosidade, fazê-la interagir com os outros, principalmente, com as outras crianças, sabendo estar nas brincadeiras, adaptando-se às circunstâncias…

De modo a despertar o seu interesse por outras coisas, e até mesmo, de forma a conseguir alargar as suas experiências sociais e o seu leque de relações, os pais, podem e devem, inscrever a criança em atividades que a estimulem, como os escuteiros, grupo de música ou teatro, existindo a vantagem destas atividades poderem ser supervisionadas e estruturadas de acordo com as capacidades da criança.

 

Para além da estimulação constante a que devem ser sujeitas, de forma a despertar a sua curiosidade e interesse pelo mundo que as rodeia, também existem algumas regras de proteção para estas crianças que devem ser consideradas pelos pais e que necessitam de ser cumpridas:

 

  1. Estas crianças não gostam que a sua rotina seja interrompida, estando quase como que “mecanizadas”, não reagindo bem à mudança. Por isso, devem ser previamente preparadas se alguma mudança no seu dia-a-dia ou na sua vida tiver de ocorrer;
  2. As regras com estas crianças devem ser aplicadas com muito cuidado e com alguma flexibilidade;
  3. Os professores devem tirar o máximo partido das áreas que realmente interessam à criança, e fazer um esforço acrescido para que os métodos de ensino sejam concretos e objetivos;
  4. O reforço positivo constante é extremamente importante para estas crianças, devendo ser recompensadas com alguma coisa do seu interesse, quando realizam alguma tarefa de forma satisfatória;
  5. Deve ser evitado, ao máximo, o confronto, uma vez que, estas crianças não entendem regras rígidas de autoridade ou a irritabilidade demonstrada pelos outros;
  6. A estimulação destas crianças deve ser a palavra de ordem. É extremamente importante que estas sejam estimuladas para que tenham amigos, e estimular, os próprios amigos a incentivar a participação das crianças com esta perturbação no grupo e nas brincadeiras.
Este Artigo tem 1 comentário
  1. […] que outras e algumas têm maior dificuldade devido a perturbações associadas (por exemplo, Autismo, Disturbio de Hiperactividade e Défice de Atenção, Alterações do Processamento Sensorial, […]

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