Dia Internacional de Tolerância Zero para a Mutilação Genital Feminina

Foi ontem, dia 6 de Fevereiro, que se assinalou o Dia Internacional de Tolerância ZERO (Z E R O !!) para a Mutilação Genital Feminina.

Uma prática baseada em mitos, entre os quais, o aumento da fertilidade da mulher, facilitar a higiene da mulher, diminuir a infidelidade da mulher e aumentar o prazer sexual do homem. Mas não são só as meninas Africanas que são submetidas a esta tortura. Sim! Em Portugal também existe mutilação, há muito.
Existe um ‘local sagrado’ que eu acompanho à muito tempo, um local que faz parte daquilo que eu sou – Eu Quero Parir em Paz, que fez um texto maravilhoso sobre este assunto. Deixo-vos com as palavras desta gente sábia, desta gente que sente a mulher, que sente o parto e que sente a vida.

”Hoje, dia 6 de Fevereiro Dia Internacional de Tolerância Zero para a Mutilação Genital Feminina, lembramos que a episiotomia é um ritual de mutilação genital aceite na nossa sociedade! Não são só as meninas africanas que são torturadas! As mulheres portuguesas também o são!

Episiotomia é o corte da vagina para o bebé nascer mais rapidamente. É feita muitas vezes por rotina, e a maioria das mulheres acha que é um procedimento útil. É o único acto cirúrgico possível de fazer no nosso corpo sem o nosso consentimento. Foi introduzida na obstetrícia SEM FUNDAMENTO cientifico ! Não existe um único estudo médico que conclua que é melhor cortar que rasgar!!

A verdade é que a vagina é um símbolo sexualmente poderoso e criativo na mulher logo é vista como ameaçadora pelos homens. Se estiver cortada perde o seu poder, e mais que isso, prova-se que é defeituosa e não consegue cumprir o propósito num parto – o nascer do bebé. Todo o corpo humano é retratado pela medicina como uma máquina defeituosa. A vagina é a rainha dos defeitos! Os defensores da episiotomia de rotina afirmam que protege a parturiente pois acreditam que o corpo feminino tem um defeito – uma vagina que não se adapta à passagem do bebé!
É uma verdadeira tentativa cultural de utilizar o nascimento para demonstrar a superioridade e controle do Masculino sobre o Feminino, da Tecnologia sobre a Natureza. Através da única intervenção cirúrgica possível de fazer no nosso corpo sem o nosso consentimento, a vagina é mutilada pelo médico, o praticante do ritual e representante da sociedade, para ser então reconstruída culturalmente – pelo médico.

Mas a grande verdade é que a episiotomia é útil para a obstetrícia. Ao transformar o nascimento num procedimento cirúrgico de rotina, legitima-se a obstetrícia enquanto acto médico, usando uma das formas mais elaboradas de manipulação do corpo – a cirurgia.”

 

A Natureza fez-me perfeita.

Mónica.

 

Este artigo tem 8 comentários
  1. Jennifer diz:

    Desculpa mas discordo, sou mãe tenho três filhos os dois primeiros foi feito o corte, o parto foi mais rápido e menos sofrido para mim, agora o meu terceiro que nasceu maior ñ foi feito o corte, por mais que eu pedi a medica ñ cortou, resultado o parto demorou meu bebê entrou em sofrimento e nasceu com falta de oxigenação no cérebro. Acredito que deva ser de acordo com a vontade da mãe.

  2. Mariana Neves diz:

    Tenho 27anos..fui mãe pela primeiro vez aos 25. Sempre quis um parto normal (com ou sem epidural-decisao que só na hora tomaria)…contudo, tive tudo menos um parto feliz. Todo o sofrimento claro que faz parte…porque se assim não fosse sinto que o entusiasmo e a beleza do momento não seria vivida da mesma forma. Recordo com mágoa os berros que dei com as dores, mas relembro as lágrimas de felicidade assim que recebi a minha filha nos braços.
    Julgo que em Portugal não falhamos no corte vaginal…apenas.. Falhamos em admitir ainda o uso de instrumentos (fórceps,ventosa) que auxiliem o parto normal….apenas para benefício da equipa médica.
    Demorei 3 meses para recuperar do parto.. Com pontos até à nádega…se é assustador???? É!!!! Principalmente quando queremos ir de encontro com o nosso bebé recém nascido e não nos conseguimos mexer. Foi uma experiência alucinante. Se quero voltar a ter filhos??? Sem dúvida!!!! Mas não me apanham mais em partos normais. Não posso deixar de citar a observação do médico no dia seguinte ao parto, aquando da avaliação pos-parto “_Olhe que para um parto por fórceps até que não está nada mau!!!!!!”……
    (Silêncio)

  3. Marcelo diz:

    “A Natureza fez-me perfeita. Eu sei parir.”
    Então por que procurou hospital e médico?
    Também sou circuncisado e nem por isso fiquei COMPLEXADO.

  4. Luana Neves diz:

    Concordo com o Marcelo, já que és perfeita foi parir no hospital pq?
    Cada uma tem sua experiência, não podemos generalizar, não foi pq 1 ficou costurada até o bumbum que a segunda será da mesma forma.
    Um corte que facilita a vinda ao mundo.
    Erros ou circunstâncias extremas acontecem assim é a vida.
    Bjus de luz.

  5. cristina diz:

    Minha experiencia foi das piores possivel,tive 2 gravidez e nas duas foi feito o corte,porem a medica n soube fazer a sutura corretamente em nenhuma das vezes, tendo por fim nao voltado ao normal”,hj sinto mto desconforto principalmente durante a relaçao sexual, por n ter fechado o local aond foi feito o corte,a area fico mto sensivel.Talvez o corte em si n seja dos piores e sim a falta d atençao dos medicos com relacao a tamanho d corte e apos uma sutura bem feita.

  6. Anónimo diz:

    Fui cortada nos meus dois partos.
    Graças à Deus, sem maiores dramas.

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