Socorro! O meu irmão nasceu.

‘Oh Mãe o que tens tu nessa barriga?’

‘Vais ser como as vacas quando vão ter bezerros?’

‘O mano vai sair pela tua boca?’

‘Mãe se tu tens leite és uma vaca?’

Sim! Isso mesmo. Isto foram algumas das frases que o Migas me disse ao longo da gravidez do irmão. Anunciava-se uma receção ‘calorosa’. Ele era uma criança calma, amável, carinhosa e após o nascimento do irmão simplesmente continuou a sê-lo. A receção calorosa verificou-se, o comportamento dele também.

Antes de lhe dar a noticia enchi-me de livros e matérias sobre irmãos, opiniões de psicólogos e pediatras. Uns diziam que ele iria descobrir o ciume, o amor-ódio, as rivalidades, a solidão. Que susto que eu tive ao ler aquilo. Outros, com teorias perfeitas, explicavam o que fazer para que o irmão mais velho não se sentisse de parte aquando da chegada do pequeno principezinho. Teorias..

Já a minha avó dizia que quem não sente não é filho de boa gente. Pois bem.. Deixei-o sentir. Deixei que fosse ele a comandar aquilo que iria sentir pelo irmão. Deixei que fosse ele a aprender a ser o irmão. Por fim deixei que fosse ele a mostrar-me como é ser mãe de duas crianças. Ele fez-me ver isso na perfeição. Não existe regra, não existe forma nem maneira de ensinar uma criança a receber um irmão. Cada família é única, cada família saberá o que fazer e como fazer. O nascimento de um irmão deve ser interpretado como um processo normal que vai provocar desequilíbrios naturais na vida das famílias que as levam a crescer e não propriamente uma anunciada crise familiar.

O irmão nasceu. O irmão roubou a maior parte do tempo da mãe. O irmão passou a ir também ao colo do Pai. Roubou a atenção dos avós e o coração das tias. O irmão chorava durante a noite e acordava-o. O irmão não o deixava mais brincar descansado. Começou por lhe tirar uma bola e depressa lhe começou a tirar o brinquedo preferido. O irmão queria a sua atenção. O irmão começou a destruir-lhe as construções. O irmão disse a primeira palavra. O irmão quer muito brincar com ele mas ainda não sabe como. O irmão tenta comunicar com ele a até já lhe prega partidas. O irmão já sorri com ele. O irmão hoje chamou-o pela primeira vez de MANO e ele não cabia em si de contente. Abraçaram-se. O irmão que ontem era pequenino hoje virou crescido porque disse MANO e eu chorei. O Migas orgulhoso do seu Didinho e eu orgulhosa dos meninos que tenho. Como pais fizemos poucas coisas para preparar a chegada do irmão mais novo, fomos simplesmente pais de coração aberto para ambos os filhos.

Deixo-vos algumas dicas de quem não tem teorias do mal nem contos de fadas do bem.

  • Levem um presente para a maternidade para oferecer (em nome do bebe) ao irmão mais velho quando for visitar a Mãe. Isto vai fazer com que ele se sinta desejado e acarinhado pelo bebe;
  • Antes do bebe nascer reforçar o vinculo entre Pai e filho. Irá ajudar muito quando a Mãe não puder cuidar dele. (Estão a ouvir Pais?!);
  • Após o nascimento é importante a Mãe dedicar algum tempo de qualidade por dia só para o irmão mais velho;
  • É importante que a primeira vez que ele veja o irmão esteja só com os pais;
  • Embora compreenda o cansaço não é saudável para o irmão mais velho ser afastado de casa nos primeiros dias após o irmão nascer (não me refiro à escola claro, refiro-me por exemplo ir passar um fim de semana a casa dos avós);
  • Reforçar a confiança do irmão, dar carinho extra e incentivar a tratar do irmão também é muito importante. Ele sente-se acarinhado, estimula o sentimento de protecção e desenvolve muitas capacidades até então desconhecidas. Escute-o. Ouça-o. Elogie-o. Entenda-o. Se existirem momentos complicados é importante que o acarinhe, ele esta a passar por um momento complicado (mesmo que ele não o mostre). Fale com ele. Pergunte-lhe o que sente e como esta. Uma criança desenvolve-se quando se expressa.

Aproveitem esta etapa tão bonita na vida de dois irmãos. O inicio de vida a dois, o inicio da cumplicidade e de uma amor tão forte como o deles. É assim que uma família descobre a felicidade. E teria eu tanto mais para dizer…

Mónica.

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Este artigo tem 2 comentários
  1. Anónimo diz:

    Tens doçura nas palavras e no coração.

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