[farmácia] Acne neonatal e infantil

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A acne é frequentemente associada à adolescência, e deve-se em parte ao alargamento das glândulas sebáceas e sobreprodução de sebo nas zonas mais oleosas da pele. Forma-se assim comedões frechados (pontos brancos) ou comedões abertos (pontos negros), e eventualmente erupções cutâneas de natureza inflamatória como as pápulas (borbulhas vermelhas) e pústulas (borbulhas com pus), no caso de as glândulas sebáceas obstruídas serem colonizadas por microorganismos (bactérias e/ou fungos).
No entanto, é comum observar-se lesões de aspeto semelhante na pele do recém nascido, e mais raramente na criança pequena. Embora partilhe o fenómeno acima descrito, a acne tem origens diferentes consoante a idade, e por isso o tratamento é igualmente distinto.


Acne neonatal

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Apresentação mais frequente da acne neonatal

A acne do recém nascido é benigna, e localiza-se sobretudo nas bochechas, queixo, e testa. Frequentemente observam-se comedões fechados e glândulas sebáceas dilatadas, mas por vezes desenvolvem-se também comedões abertos e lesões inflamatórias. A acne neonatal pode estar presente desde o nascimento, mas geralmente aparece por volta das 3 ou 4 semanas após o nascimento, sendo mais frequente nos rapazes.
A acne do recém nascido é temporária, resolvendo-se espontaneamente e sem formação de cicatrizes entre o primeiro e o terceiro mês.

• Causas
Pensa-se que o aumento da produção de sebo e o alargamento das glândulas sebáceas no recém nascido se devam ao aumento de hormonas androgénias na mãe, transferidas pela placenta durante a gravidez, e/ou no bebé, após o parto. Estas hormonas estimulam a secreção sebácea.
Mais raramente, a eventual propagação de microorganismos e a resposta inflamatória que se segue podem levar à formação de pápulas e pústulas.
Nos rapazes a produção de hormonas androgénias tende a ser mais elevada, e por isso a acne neonatal é mais frequente no género masculino. À medida que as hormonas desaparecem da circulação sanguínea, acne desaparece também.
• Tratamento
Na maioria dos casos não é necessário qualquer tratamento, dada a baixa gravidade e auto resolução das lesões. No entanto, em casos mais persistentes e em que há lesões inflamatórias, o médico poderá achar adequada a prescrição de antibióticos, ou outros medicamentos que acelerem a resolução do problema e evitem a formação de cicatrizes.

Acne infantil

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Acne infantil, com lesões inflamatórias

Desenvolve-se normalmente entre os 3 e os 6 meses, podendo iniciar-se mais ou menos até aos 12, e é bastante mais rara do que a acne neonatal. A prevalência é também maior nos rapazes, sendo que as lesões se localizam preferencialmente nas bochechas e no queixo.
Neste caso, é mais comum encontrarmos lesões inflamatórias, como pápulas e pústulas, sendo que por vezes se desenvolvem mesmo quistos.
Geralmente, esta é também uma condição pouco grave e temporária, que se resolve até ao 1º ano de idade. Mais raramente, acne infantil tende a resolver-se até aos 4 ou 5 anos, e em casos pontuais prolonga-se até à puberdade.
O aparecimento da acne nesta faixa etária poderá estar relacionado com uma maior probabilidade de vir a desenvolver acne na adolescência, e por isso os pais de crianças que desenvolveram acne na infância deverão estar mais atentos no início da puberdade.

• Causas

A etiologia da acne infantil é menos clara. Pensa-se que tal como a acne neonatal, também esta se deva ao aumento da concentração de hormonas androgénias, mas que desta vez serão produzidas pelas glândulas suprarrenais e/ou pelos testículos da criança.

• Tratamento

Neste caso, é mais comum ser necessário tratamento farmacológico, pelo facto de haver uma maior prevalência de lesões inflamatórias que poderão dar origem a cicatrizes. Os pais deverão ter consciência que as lesões se podem manter por um grande período de tempo, e implicar assim um tratamento mais prolongado. Poderão ser prescritos retinóides e/ou antibacterianos em doses adequadas para a criança, cuja toma deverá ser vigiada periodicamente pelo médico.

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