[psicologia] Os direitos fundamentais de toda a criança

bloga8aAs crianças! A nossa inspiração!

É com um enorme gosto e orgulho que ajudo a não deixar este dia passar em branco.

A Declaração dos Direitos da Criança foi proclamada pela Resolução da Assembleia Geral 1386 (XIV), de 20 de Novembro de 1959. Esta declaração tem como base e fundamento os direitos à liberdade, aos estudos, a brincar e ao convívio social das crianças que devem ser respeitadas e preconizadas em dez princípios.

Aquando do convite que me foi dirigido para participar nesta iniciativa tornou-se evidente para mim abordar o tema da vinculação e das relações precoces, que se demonstram cruciais para um bom desenvolvimento.

            Tal como os adultos, também as crianças têm direitos que lhes devem ser assistidos e levados a sério, não sendo este um tema muito linear, dado que, infelizmente, nem todas têm a possibilidade de ver as suas necessidades satisfeitas e por isso, deparam-se com o seu desenvolvimento comprometido a vários níveis.

            Neste sentido, torna-se pertinente referir que esta temática pode ser um pouco controversa, dado que, o debate dos direitos humanos das crianças é por vezes, uma experiência singular e ambivalente. É certo que, numa primeira instância, todos concordariam de imediato com os direitos das crianças e jovens a um lar, a viver com a família, a ter amigos, a desenvolver a personalidade e talentos, a serem protegidos de abusos e a serem respeitados e levados a sério. No entanto, existem uma série de entraves e obstáculos, que por vezes, não permitem o alcançar de determinados objetivos e etapas de desenvolvimento, podendo um deles estar relacionado com a ausência da mãe ou de uma outra figura cuidadora na primeira infância, o que se traduz na falta de suporte e de segurança, o que acaba por comprometer o desenvolvimento futuro.

            Posto isto, debruçar-me-ei sobre um dos dez princípios presentes na Declaração dos Direitos da Criança, que me irá permitir a introdução do tema da vinculação e das relações estabelecidas na primeira infância.

            O Princípio VI, respeitante ao Direito da criança ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade, preconiza que a criança necessita de amor e compreensão, para o desenvolvimento pleno e harmonioso da sua personalidade; sempre que possível, deverá crescer com o amparo e sob a responsabilidade dos seus pais, mas, em qualquer caso, num ambiente de afeto e segurança moral e material; salvo circunstâncias excecionais não se deverá separar a criança de tenra idade da sua mãe.

            A vinculação é uma necessidade primária de todo o ser humano e resulta da necessidade do bebé criar e manter relações de proximidade e afetividade com outros seres humanos, com o intuito de obter proteção e segurança. Este processo torna-se por isso, uma necessidade fundamental e inerente a todo o ser humano e é através desta ligação da mãe ao bebé e do bebé à mãe, que o desenvolvimento se propicia, uma vez que, esta interação fundamenta o modelo das relações futuras do sujeito e influencia a sua competência social e desenvolvimento emocional ao longo da vida. Esta relação de vinculação estabelecida na primeira infância é decisiva para o desenvolvimento da criança, e torna-se como que um “requisito obrigatório” para a obtenção de determinadas bases e competências necessárias para as etapas de desenvolvimento posteriores. Por isto, a qualidade das primeiras vinculações vai influenciar as relações que a criança vai estabelecer no futuro, e a ausência de figuras de vinculação, ou até mesmo, quando o vínculo estabelecido é deficitário, irá traduzir-se em sérias consequências nas crianças, que são duradouras e muitas vezes irreversíveis, condicionando-as futuramente.

            O ser humano é o único animal, que assim que nasce, depende de alguém que cuide, não conseguindo amadurecer fisicamente e emocionalmente sozinho, estando dependente do outro e da relação com o outro, necessitando de alguém que organize o mundo, os vários estímulos que se lhe apresentam, que o ajude não apenas a responder, mas a interpretar, a dar significado a todas as experiências que vai vivenciando. E isto mantém-se ao longo da vida. Deste modo, são inúmeros os ganhos que resultam do estabelecimento de relações contentoras com as figuras de vinculação na primeira infância, e cada vez mais, torna-se imperativo enfatizar este aspeto e permitir às crianças que essas mesmas relações de vinculação se efetivem e se tornem cada vez mais um direito delas e um dever dos pais ou cuidadores, por forma a oferecerem-lhes as bases necessárias para desenvolverem aptidões e competências para um desenvolvimento saudável e a transmitirem-lhes o sentimento de segurança e confiança necessário para estimular a criança a explorar o meio que a rodeia.

            Cada vez mais se deveria tornar percetível aos pais/cuidadores, a importância da vinculação, fazê-los crer que os fundamentos da personalidade são construídos a partir das ligações sócio-afetivas precoces e que estas assumem um peso preponderante ao longo de toda a vida. Fazê-los consciencializar que “o futuro das suas crianças dependerá, em muito, das relações de vinculação estabelecidas nos seus primeiros anos de vida”.

            Chega a ser muito mais simples e compreensível se pensarmos as relações de vinculação no seguinte prisma e lógica: se estas ligações que se estabelecem na primeira infância forem fortes e boas para a criança, se lhes permitirem obter um maior sentimento de segurança, conforto, proteção e amor, a criança vai sentir-se melhor com ela e com os outros, e isso transparece na sua personalidade. Se por outro lado a criança não obtiver qualquer tipo de afeto, seja por parte da “mãe”, ou de qualquer outra figura cuidadora, esta vai se ressentir e isso irá manifestar-se de diversas formas no seu desenvolvimento, tornando-se uma criança menos apta para a vida, menos apta no confronto perante situações adversas. Não irá conseguir obter as bases essenciais ao seu desenvolvimento, e por isso, é que as relações precoces se tornam tão importantes e reforçadoras. Simples assim!

Seja o primeiro a comentar

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.